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O EM Minas, programa de entrevista da TV Alterosa em parceria com o Portal Uai e o jornal Estado de Minas, recebe neste sábado (31/10) a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues.

Imagem: TV Alterosa
Apresentação: Ricardo Carlino
Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

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Transcrição
00:14Olá, tudo bem? Como estão vocês? Um prazer mais uma vez reencontrá-los aqui no Em Minas,
00:21este programa multiplataforma aqui na TV Alterosa, também no portal AI e nas páginas do Jornal
00:27Estado de Minas. Hoje nós estamos recebendo a comandante-geral da Polícia Militar do Estado,
00:36Coronel Cleide Barcelos. Tudo bem, Coronel? Tudo bem, Carlinhos? Todo, seja bem-vinda, viu?
00:41Muito obrigada pela oportunidade de estar com você aqui hoje. E aí a primeira pergunta que não pode
00:47deixar de ser feita, as mulheres já mandam em tudo. A mulher que comanda a Polícia Militar inteira
00:53é mais mandona ainda? Não, de forma alguma. Todas as decisões que elas são tomadas, elas são tomadas
01:00em conjunto, com muita tranquilidade, serenidade e firmeza na execução. Como é que a tropa recebeu a
01:07senhora? Vamos falar um pouco dos bastidores. Porque a tropa é predominantemente masculina,
01:13né? E a senhora é um marco na história da corporação, é a primeira comandante-geral mulher.
01:18Como é que foi esse receptivo por parte da tropa?
01:22A recepção foi excepcional. É muito bom nós conseguirmos ver nos olhos das pessoas
01:30a validação de toda uma carreira, né? De tudo aquilo que foi construído ao longo
01:34do tempo. E eu vejo esse reconhecimento nos olhos de cada um. O mesmo reconhecimento que
01:39eu vi quando eu fui a primeira mulher comandante de uma companhia tático móvel em Belo Horizonte,
01:44né? Quando eu assumi a subchefia do gabinete militar, do governador também, fui a primeira
01:50mulher a assumir essa função. Então, a carreira que nós construímos ao longo do tempo,
02:00ela traz uma legitimidade muito grande. E esse reconhecimento das pessoas.
02:06Quantos anos já de polícia militar, coronel?
02:09Ok. No dia 30 de janeiro eu faço 30 anos. 30 anos? A senhora é muito jovem. Pode
02:15falar a idade ou não? 48 anos.
02:17Vocês são muito jovens, né? Vocês ascendem na carreira militar muito jovens, porque você
02:22já vem da academia, né? Sim, eu entrei para a academia com 18 anos de idade. Logo que
02:28eu me formei no ensino médio. E a vida militar está no DNA da família ou não? A senhora é
02:34a primeira?
02:34Não. Meu pai é terceiro sargento reformado, né? Da reserva, da polícia militar. Meu irmão
02:42também é terceiro sargento hoje. E meu marido é primeiro sargento da reserva.
02:47Aí, a gente pode perguntar qualquer coisa? É.
02:52E aí a senhora manda no pai, no irmão e no marido em casa também? Porque daí tem que respeitar,
02:57né?
02:58Como é que é isso? Eu acredito muito que o homem, ele é o sacerdote da casa. Então,
03:07assim, todas as decisões que nós tomamos na nossa casa, elas são compartilhadas, elas
03:12são tomadas em conjunto. E tanto ele respeita a minha palavra, quanto eu respeito a palavra
03:18dele. E hoje nós temos também nosso filho, Daniel, de 18 anos, que também é ouvido e
03:25participa de todas as decisões. Uma vida militar também ou não?
03:28Não. Ele está terminando o ensino médio agora.
03:31Ah. Então, em casa, coronel Cleide é uma brincadeira.
03:35Isso.
03:36Tem imagens aí, meu diretor? Eu acho que nós temos algumas imagens da senhora, sua mãe,
03:42que ficou muito famosa quando a senhora assumiu a polícia militar. Eu não a conheço pessoalmente,
03:48mas achei ela de uma graça, de uma educação, de um carinho, né? Ela conquistou todo mundo,
03:53né? Todo mundo.
03:53E tem imagens. Aí, me fala da sua mãe, como é que é o nome dela? Me conta.
03:57O nome da minha mãe é Maria Geralda.
03:59Uma fofa, né?
04:00Ela tem 73 anos de idade. Ela cresceu no interior de Minas, queria muito ter uma profissão,
04:11então, ela sempre sonhou ser advogada, né? Mas acabou que, por circunstâncias da vida,
04:20ela não pôde exercer a profissão que ela havia escolhido e ela abdicou de trabalhar fora
04:26para poder cuidar de nós quatro. Somos quatro irmãos.
04:29E ali, a senhora chorando com ela falando, né?
04:32É.
04:33Isso foi logo depois da posse?
04:35É. Foi no dia da posse.
04:38Que orgulho que essa dona Geralda deve estar, hein?
04:41Ela está. Glória a Deus, assim...
04:44Meu marido sempre fala com ela, porque ela...
04:47Ela tinha um pesar muito grande por não ter trabalhado fora.
04:51E meu marido sempre fala com ela, assim,
04:53dona Geralda, a senhora não trabalhou fora, mas olha o que a senhora fez.
04:56Olha o que a senhora ajudou a construir.
04:59Quatro filhos, três casados, quatro netos, todos profissionais, né?
05:04Todos com casa própria.
05:05Então, aquilo que ela fez por nós era o propósito que ela tinha, né?
05:11Era aquilo que estava reservado para ela, junto com o meu pai.
05:15Então, a gente sempre tenta mostrar isso para ela, né?
05:18Que em que pés ela não tenha trabalhado fora, aquilo que ela fez por nós não tem preço.
05:23Eu vejo a senhora falar...
05:26A gente que é muito ligada com a família, né?
05:29A gente que respeita muito a história das famílias.
05:32Tem horas que eu fico muito triste, coronel, que parece que tem famílias que estão se desmanchando.
05:40Parece que a palavra do pai não existe, a palavra da mãe parece que não.
05:46Parece que há uma geração que condena o papel paterno, o papel materno.
05:52O senhor concorda comigo ou eu que estou doido?
05:55E é muito triste a gente fazer essa constatação, porque aquilo que a gente enxerga dentro da sociedade hoje é
06:02muita consequência disso.
06:05Minha mãe, ela nunca deixou a gente ir para as festas nas casas dos colegas, brincar sozinho na rua.
06:14Para algumas pessoas hoje isso pode parecer uma mentalidade retrógrada ou que está querendo prender os filhos.
06:19Mas a gente agradece muito.
06:21Então, todas as vezes que a gente ia brincar na rua, ela ficava em pé.
06:24Então, a gente ficava pedindo a Deus para ela poder não ficar cansada,
06:28porque a hora que ela cansasse, todo mundo tinha que entrar para dentro de casa.
06:32E ela falava assim, olha, eu tenho quatro filhos, vocês precisam aprender a trabalhar, a brincar entre vocês.
06:39Vocês precisam fortalecer o laço entre vocês.
06:41E nós tínhamos divisões de tarefas.
06:44Então, a gente tinha uma escala de serviço em casa mesmo, que cada um, durante a semana, fazia alguma coisa.
06:50E a nossa negociação era isso, né?
06:52Eu sou responsável pelo almoço agora, essa semana.
06:57E você ao jantar, vamos trocar, ou vamos trocar, lavar o banheiro, ou vamos trocar, arrumar a casa.
07:02Tudo isso é importante para a formação das pessoas.
07:04Toda essa nossa vivência, tanto tendo meu pai e tendo minha mãe ensinando para a gente aquilo que a gente
07:11deveria fazer
07:12e aquilo que a vida ia cobrar para a gente no futuro, foi importante para todos os quatro.
07:17E o que está faltando hoje, então, na sociedade, coronel?
07:20Resgatar essa referência de autoridade do pai e da mãe.
07:25Eu já era primeiro tenente.
07:28Eu tinha horário para poder chegar em casa.
07:32E eu já estava namorando com meu marido, que veio a ser meu marido.
07:38Então, nós precisamos estar mais próximos.
07:42E a nova geração precisa aprender a ouvir os pais.
07:47Porque quando os pais falam alguma coisa, não é porque eles estão querendo tolir a liberdade do filho.
07:53Muito pelo contrário.
07:55Está querendo, muitas vezes, que eles não sofram aquilo que eles sofreram anteriormente.
08:00E eu sei que quando a gente é jovem, não é fácil de aceitar.
08:03Não é fácil de aceitar.
08:06Minha mãe era 5 para as 11, eu tinha horário para chegar em casa, eram 11 horas da noite.
08:115 para as 11, ela já ligava perguntando onde é que eu estava.
08:14E da mesma forma, foi com os meus irmãos.
08:17E aí, eu consigo ver hoje, tendo o meu filho, o quão importante isso foi para nós.
08:26E hoje, depois que a gente conta isso tudo, compartilha com o meu filho, a gente fala das nossas vivências,
08:34ele mesmo já tem um horário que ele mesmo já estabelece.
08:37Daquilo que ele, aonde que ele vai, aonde que ele vai.
08:40O combinado.
08:40O combinado é o combinado.
08:42Tudo como, tudo combinado.
08:44Então, ele mesmo já fala, ele mesmo já, olha, mamãe, estou querendo ir em tal lugar,
08:49então meu marido leva, a gente busca.
08:50Porque se ele não aparecer, eu imagino, chegando o Gero, está tipo o móvel,
08:55arrotando para você, ó, na hora, sua mãe mandou buscar.
08:59Não deve ser, vai passar vergonha.
09:00Não, meu marido mesmo vai buscar.
09:02De viatura, ou seja?
09:05Ele já está na reserva.
09:07Daqui a pouco a senhora conta mais, a gente vai para um pequeno intervalo.
09:10Daqui a pouco a gente volta com o nosso bate-papo com a comandante-geral da Polícia Militar de Minas,
09:14o coronel Cleide Bacel.
09:31Estamos de volta com o Em Minas, recebendo hoje a comandante-geral da Polícia Militar,
09:36a coronel Cleide, a primeira mulher da história a comandar a PM.
09:39E está numa fase em Minas, né?
09:42Porque a coronel Jordana, comandando bombeiros, a...
09:46Doutora Letícia, chefe da Polícia Civil.
09:48Doutora Letícia Gamboge, comandante da Polícia Civil, vocês três, né?
09:52Toda a segurança pública é na mão de mulheres, né?
09:54Sim, é uma honra muito grande fazer parte desse momento da história.
09:59A gente...
10:02E até nós reconhecemos a autoridade e todo o trabalho feito pela doutora Letícia
10:11e a gente sempre compartilha com ela e fala que ela foi pelo bom serviço prestado.
10:16Foi por ela ter mostrado toda a competência dela que abriu as portas para que outras pudessem vir.
10:21E aí a Jortana, a coronel Jortana, assumiu o corpo de bombeiros.
10:25Eu tenho essa oportunidade de ter assumido a Polícia Militar de Minas Gerais.
10:29Então, o que as mulheres muitas vezes elas esperam é uma oportunidade.
10:33É uma oportunidade de mostrar que elas podem, que elas são capazes
10:37e que liderança, profissionalismo, dedicação, independe de gênero, né?
10:43Todos nós podemos fazer muito mais se tivermos a oportunidade para tal.
10:49Coloque imagens, meu diretor, na tela, na TV do pessoal de casa,
10:53da polícia em ação, dos policiais militares trabalhando nas mais variadas áreas, né?
10:59Porque a polícia é muito mais do que o PM na rua da viatura passando, né?
11:03A polícia é inteligência, é prevenção, é acolhimento, né?
11:07E a Jortana já está há 30 anos nessa luta.
11:12Hoje, o desafio nesse mundo extremamente violento que nós estamos vivendo
11:18com facções brotando, né?
11:21Organizações criminosas, terroristas, surgindo a todo instante.
11:26É mais difícil esse combate ao crime hoje?
11:29Hoje nós precisamos avançar da mesma forma que o crime avança na questão da tecnologia,
11:36da predição das ações criminosas.
11:41Nós vamos trabalhando com inteligência, com dedicação, com tecnologia,
11:47para que nós possamos fazer esse combate à criminalidade violenta.
11:53Eu fico impressionado, às vezes, nosso querido Renato Rios Neto, né?
11:57Hoje o maior jornalista policial de Minas Gerais, um dos maiores do Brasil.
12:01Ele tem uma brincadeira que ele fala que é o data Renatão.
12:04É o número de fuzis que os senhores e as senhoras apreendem.
12:09Antigamente, a gente ouvia falar da apreensão de um fuzil em Minas Gerais.
12:12Era uma notícia, assim, raríssima, né?
12:15Vocês apreendem hoje quase um fuzil por semana?
12:17É uma loucura, né?
12:18O nível de armamento que está na mão dessas organizações.
12:22Mas eu gosto de destacar, é realmente a ação da apreensão.
12:27Ou seja, eles podem estar chegando.
12:29Mas, imediatamente, nós estamos fazendo a apreensão e a prisão de todos esses indivíduos
12:35que estão portando esse tipo de armamento, dando uma pronta resposta
12:39e demonstrando que aqui, em Minas Gerais, não haverá tomada de território.
12:44E nós vamos continuar a agir com firmeza.
12:48Eu tenho por hábito ligar para os policiais militares que participam de alguma ocorrência de destaque.
12:54E é muito interessante verificar o quanto eles conhecem das histórias de cada criminoso
13:01que está dentro, que está na área de responsabilidade de atuação de cada um deles.
13:06Como é que a gente consegue fazer todo esse mapeamento e fazer esse enfrentamento
13:11em conjunto com os outros órgãos de segurança pública.
13:15Então, hoje, em Minas, nós temos um combate ferrenho a todo tipo de organização criminosa
13:25e estamos dando pronta resposta em todas as ações.
13:30É, o que me impressiona é...
13:32Eu já sou repórter policial há mais de 40 anos.
13:36Comecei na reportagem policial.
13:38É o tal do enxugar gelo, né?
13:39Outro dia, nós demos uma notícia aqui de um ladrão de fios que foi preso de novo
13:47por uma guarnição da Polícia Militar.
13:48Ele tinha 80 prisões, coronel.
13:5280!
13:53Aí eu fico um pouco assim...
13:55Esse rapaz era para estar na rua?
13:59Então, vamos dar um diploma dele, né?
14:00Ladrão de fio.
14:01Você fica à vontade, pode trabalhar aí, ó.
14:04Isso é o que me incomoda um pouco.
14:06O prender, prender, prender e não ficar preso.
14:09A justiça, a nossa que falha ou as nossas leis que caducaram?
14:13O enfrentamento à criminalidade, ele deve ser multifacetado.
14:18Então, todos os órgãos e instituições envolvidos, eles precisam agir de alguma forma
14:23para que seja dado continuidade a todas as ações iniciais.
14:27E muitas vezes, iniciais por parte da Polícia Militar.
14:30E cada órgão vai responder dentro do seu grau de responsabilidade.
14:33Dentro da instituição, eu sempre, por ter trabalhado boa parte da minha vida na área
14:39operacional, eu trabalhava com as equipes e sempre tentava demonstrar para eles que é
14:44necessário que nós continuemos, independentemente das ações a serem adotadas pelos outros
14:49órgãos e pelas outras instituições.
14:52Porque nós temos compromisso com a nossa missão, com aquilo que nós temos que fazer.
14:56Então, se eu vou estar dentro da instituição entre 30 e 35 anos, eu preciso efetuar a prisão
15:03de todas aquelas pessoas que infringem a lei e eu preciso fornecer segurança para toda
15:09a sociedade mineira, independentemente de quem sejam essas pessoas a serem presas.
15:14Se eu tiver que prender uma, se eu tiver que prender duas, se eu tiver que prender três,
15:18eu vou continuar prendendo.
15:20na esperança de que todos os órgãos e todas as outras instituições deem continuidade
15:25ao meu trabalho.
15:27Então, eu sempre tento trabalhar aí essa questão com todos os policiais militares para que
15:32nós não venhamos a perder o nosso propósito no meio do caminho.
15:36Eu sou responsável por aquilo que eu devo fazer, eu sou responsável por aquilo que está
15:40nas minhas mãos.
15:41E trabalho com a esperança e com a ajuda de todos os outros órgãos, de todas as outras
15:46instituições, para que esse trabalho, ele seja levado a efeito ao final de todo o percurso.
15:52Nós estamos caminhando por encerramento do nosso tempo aqui na televisão.
15:55A senhora falou que não há área em que o crime organizado, terrorista, domine em Minas
16:01áreas que a polícia não entre.
16:03Tem dado muito trabalho também em algumas regiões do interior, vocês estão pegando pesado.
16:07Eu vi ações recentes de vocês, Tchoflotone e também no Triângulo, esqueci o nome da
16:12cidade.
16:13O interior hoje está dando tanto trabalho quanto a região metropolitana?
16:17Nós conseguimos, através de um sistema desenvolvido dentro da instituição, acompanhar indícios
16:25de tentativa de tomada de território e de governança criminal.
16:31Através desse sistema e através das informações que nos chegam, a gente consegue mapear esses
16:36lugares e saturar, de maneira que a gente consiga identificar todos os envolvidos e agir prontamente.
16:43E nós temos essa ação desenvolvida tanto na capital quanto no interior do Estado.
16:52Então, logo, seja detectado algum indício de tentativa de tomada de território.
16:56Pô, coronel, a senhora anda armada 24 horas, né?
17:00Estou vendo que a senhora está dando entrevista armada aí.
17:02Que arma é essa que a senhora está na cinta aí?
17:04É uma Glock.
17:06É uma pistola Glock.
17:07Pistola Glock.
17:08Mas a senhora veio para quê?
17:09Porque ela ficou com medo de eu dar entrevista e fazer alguma coisa com a senhora ou não?
17:12Não, de forma alguma.
17:14A senhora, mesmo sendo comandante-geral, a senhora anda armada 24 horas?
17:1724 horas.
17:18Então, se precisar correr num B.O. agora na rua, a senhora vai?
17:21Sim, e com a cobertura do meu marido.
17:24Meu Deus.
17:24Quando nós estamos juntos, apaisando.
17:27É?
17:28Meu Deus do céu.
17:30Coronel, quero agradecer a presença da senhora aqui no Em Minas, na TV Alterosa.
17:34Nós vamos continuar o nosso bate-papo no Portal Uai.
17:37Mas muito obrigado.
17:39Que Deus siga abençoando a carreira da senhora, o seu comando e que a PM continue a dar para
17:46Minas Gerais a segurança que tem lá.
17:47Sim, é uma honra estar aqui com você nesse momento.
17:51É uma honra comandar a Polícia Militar de Minas Gerais, instituição que eu amo.
17:56Juntando os meus 30 anos, juntando os 30 anos do meu marido, os 30 anos do meu pai,
18:01e os 20 anos do meu irmão, boa parte dessa história se confunde com a história da nossa família.
18:07É uma instituição que eu amo, uma instituição que me deu tudo o que eu tenho.
18:12E é tudo o que meu marido e meu pai também sempre falam.
18:15Meu pai hoje, ele já não tem mais condições de falar, ele não acompanhou a minha ascensão.
18:21Mas eu tenho certeza que no fundo, no fundo, ele conseguiu perceber tudo o que aconteceu ao redor dele.
18:29E eu faço isso tudo, primeiramente por honra a Deus que me colocou aqui,
18:35mas também para poder honrar o nome da minha família.
18:38Muito obrigado e parabéns pela família.
18:39Dona Geraldo, a moça, a moça é um perigo.
18:42Obrigado a todos vocês pelo carinho aqui na TV Alterosa.
18:46Corre lá para o canal do YouTube do Portal Uai.
18:50E não se esqueçam que na segunda-feira a íntegra dessa entrevista nas páginas do Estado de Minas.
18:55Tchau.
19:17Estamos de volta agora só para vocês.
19:19A gente está com a gente aqui no canal do Portal Uai do YouTube.
19:22Seguimos com a Coronel Cleira, comandante da Polícia Militar de Minas Gerais.
19:27PM esse ano 251, né?
19:30251 anos.
19:32É, acho que é uma tropa de tiradentes, né?
19:35Sim.
19:35Grande patrono de tiradentes da nossa Polícia Militar.
19:40A senhora começou em qual atividade e o que mais chamou a atenção?
19:45O que a senhora guarda mais no coração e na memória de ação ou de unidade de batalhão que a
19:51senhora passou na sua vida militar?
19:53Nossa, Carlinho.
19:54É muita coisa, né?
19:55É muita coisa.
19:56E eu tenho tentado tomar um cuidado muito grande para poder destacar uma função ou outra, porque outro dia eu
20:04destaquei o tempo que eu fiquei na diretoria de proteção social, que cuida da proteção social, assim, da saúde dos
20:11policiais militares.
20:12E aí, o pessoal da comunicação me chamou a atenção e falou assim, senhora, e a diretoria de comunicação organizacional?
20:20E a diretoria disso, e a diretoria do município.
20:23E a companhia independente de prevenção à violência doméstica, e o Tático Móvel lá de Benanova, né?
20:28E o Rádio Patrulhamento também lá em Benanova.
20:31Então, eu acho que todas essas atividades, elas me ajudaram a crescer, me ajudaram a desenvolver.
20:40E dá para apelar para a memória, dá para lembrar esse caminho?
20:43Ó, saí da academia, fui para tal lugar, vamos lá, vamos fazer uma...
20:47Saí da academia, fui para o 13º Batalhão, onde eu tive a oportunidade ainda de servir por dois anos com
20:53meu pai, que era cabo lá.
20:54Que barato, que legal.
20:56Meu pai era cabo no 13º, então, logo que eu cheguei lá em 2000, 2002, meu pai foi para a
21:01reserva.
21:02Permaneci na 14ª Companhia do 49º Batalhão por nove anos.
21:07Saí por um tempo para poder ficar, quando criou, na época, nove anos dentro do 13º Batalhão, na verdade.
21:14O 13º, ele foi dividido, aí criou-se o 49º Batalhão.
21:19Fiquei um ano na comunicação organizacional do 49º Batalhão.
21:23Fui designada para comandar a companhia Tático Move.
21:26E aí é uma chamada de atenção para mim mesmo, que eu sempre gosto de compartilhar com as pessoas.
21:34Porque, na época que eu estava na comunicação organizacional, eu queria muito voltar para a área operacional.
21:39Porque eu amava a área operacional.
21:41Mas eu não pedi para poder deixar a comunicação.
21:45E aí tinham três companhias.
21:48Duas companhias com responsabilidade territorial e uma companhia Tático Move dentro da unidade.
21:53E eu achava que...
21:57Na verdade, eu nem cogitei a possibilidade de ir para o Tático Move.
22:00Para mim, eu só deixei como possibilidade de ir para a 14ª ou para a 15ª.
22:04E aí um oficial foi designado para a 14ª Companhia.
22:07E aí eu pensei assim, ai meu Deus, agora só sobra para mim a 15ª.
22:11Outro oficial foi designado para a 15ª.
22:14E eu pensei, pronto, agora eu vou continuar aqui na comunicação organizacional.
22:17Já vou refazer os meus planos, vou verificar o que é que eu posso fazer, o que é que eu
22:21posso melhorar, o que é que eu posso aperfeiçoar aqui.
22:23E aí o comandante da unidade me chamou e falou que eu, a partir daquele momento, estava assumindo a companhia
22:29Tático Move.
22:32E eu fiquei surpresa e muito feliz naquele momento.
22:36E aí as pessoas às vezes perguntam, né?
22:38Como foi assumir uma companhia Tático Move dentro de uma instituição que majoritariamente são homens, é constituída por homens.
22:46E para mim foi uma oportunidade muito grande.
22:49Foi muito bom.
22:50Porque a equipe me recebeu de braços abertos.
22:53Então foram dois anos maravilhosos.
22:55Foram dois anos muito bons.
22:57E aí eu saí para poder fazer uma especialização dentro da instituição.
23:03Quando me formei, fui para o Estado Maior para poder trabalhar com cerimonial.
23:07Então fui para uma atividade totalmente diferente, saí do operacional para poder trabalhar com cerimonial.
23:13Permaneci lá por alguns meses, até que foi criada a diretoria de comunicação organizacional, para onde eu fui, para poder
23:20trabalhar com comunicação interna.
23:22Permaneci lá por quatro anos.
23:25Depois desses quatro anos, foi criada a companhia independente de prevenção à violência doméstica.
23:30Aí eu fui para a companhia, fui para a PVD.
23:32Também uma criação histórica.
23:33Outra criação.
23:34Um trabalho histórico.
23:35Foi outra criação. Permaneci lá por quatro anos.
23:38No último ano, eu fui convidada para poder ir para o gabinete militar do governador, para ser subchefe, aonde eu
23:45fui promovida.
23:47Assumi a diretoria de comunicação organizacional por um ano e fui designada para a diretoria de proteção social, aonde eu
23:54fiquei por dois anos e quatro meses.
23:56Uma experiência maravilhosa, conhecer uma experiência maravilhosa, conhecer uma outra vertente da instituição para poder trabalhar com saúde, com promoção
24:05social.
24:06Foi uma experiência espetacular quando eu fui alçada à comandante geral da instituição.
24:15Então, cada uma dessas atividades que eu desenvolvi ao longo da carreira, eu acredito que elas me ajudaram muito.
24:23Me capacitaram e me mostraram várias vertentes da instituição, porque a polícia militar é uma engrenagem.
24:30É uma engrenagem muito grande que ela precisa trabalhar de maneira harmônica, para que nós possamos dar sustentação para todos
24:37os policiais militares que estão na ponta da linha.
24:39Então, a gente precisa preocupar com toda a base, para que todos possam estar em plenas condições para poder exercer
24:47suas atividades.
24:48E isso depende muito desse suporte que nós precisamos dar a cada um.
24:53Caminhando para o encerramento da nossa entrevista, do nosso encontro, a experiência na questão da violência doméstica, violência contra a
25:02mulher.
25:02O que está acontecendo, coronel? O mundo endoidou? Parece que de uma hora para a outra, todos os ex estão
25:10batendo nas mulheres, estão matando. O que está acontecendo?
25:14Trabalhar na prevenção da violência doméstica, para mim, foi gratificante.
25:21Entender um universo, muitas vezes, que está distante da nossa vivência.
25:27E trabalhar com as vítimas nos mostrou que a gente precisa, cada vez mais, levar conhecimento às pessoas.
25:36Eu sempre gosto de trabalhar, falar nas palestras, quando eu tenho a oportunidade de ministrar, que nós precisamos rever muito
25:45os nossos valores.
25:47E alguns valores, eles estão sendo deixados de lado.
25:49Muitas pessoas, às vezes, elas atrelam muito à questão da violência doméstica, ao embate entre machismo e feminismo.
25:59Só que tem uma história curiosa que aconteceu no Canadá, que um avião, ele teve que retornar para o ponto
26:06zero, porque uma criança não quis colocar o cinto de segurança.
26:11Se procurava, você vai achar essa história.
26:13Uma criança não quis colocar o cinto de segurança.
26:15E aí a gente fica pensando, como é que essa criança vai crescer?
26:20Quais são os valores que ela tem?
26:22Alguém, alguma vez, impôs limite a ela?
26:26Provavelmente, pode ser que ela venha a ser um agressor no futuro, porque se ela conseguir fazer com que um
26:31avião com 200 pessoas retornasse ao ponto zero,
26:34quem é uma mulher no futuro para poder falar com ele que não quer mais manter aquele relacionamento?
26:40O nível de resiliência às pessoas e resistência de aprender a trabalhar com o não tem diminuído cada vez mais.
26:49Não aceita o não.
26:50Não aceita o não. Não aceita o término, não aceita que aquele momento passou e que está no momento de
26:58reiniciar a sua história.
27:00E quando a gente fala que a violência está aumentando, o que eu percebia na prevenção à violência doméstica é
27:07que essa violência existe.
27:09Porque quantas pessoas hoje, quantas mulheres hoje não fazem o registro do boletim de ocorrência?
27:14Quando nós íamos fazer contato com as vítimas, elas falavam assim, tem cinco anos que eu vivo desse jeito, tem
27:24dez anos que eu vivo desse jeito.
27:26Tinha mulher que há 40 anos vivia daquela forma.
27:29A violência, ela estava acontecendo.
27:31Ela só não estava sendo registrada, ela só não era notificada e ela estava longe dos nossos olhos.
27:37E hoje não. Hoje, a partir do momento em que a gente concede entrevistas, que a gente traz para a
27:45discussão a questão da violência doméstica,
27:48que a gente leva ao conhecimento das pessoas e consegue fazer com que elas consigam identificar o que é violência
27:54e mostrar que existe uma rede que pode tentar ajudar de alguma forma a fortalecê-las para elas saírem da
28:02situação de violência em que elas se encontram,
28:03elas registram. Elas registram. E se for conversar com elas, elas vão falar isso.
28:09Olha, não foi a primeira vez. Já estava acontecendo há mais tempo.
28:13Ou seja, a violência, ela estava. Ela fazia parte da nossa sociedade.
28:18A gente só não conseguia enxergar. Hoje a gente enxerga.
28:21Então, a pergunta que nós devemos fazer, essa violência, ela existe e ela sempre existiu.
28:28Nós, como rede de enfrentamento à violência doméstica, precisamos nos fortalecer e nos unir cada vez mais
28:36para poder fortalecer essas mulheres e conseguir fazer com que elas saiam da situação de violência em que elas se
28:41encontram.
28:42É claro que existem situações em que os feminicídios ocorrem e as mulheres nunca registraram
28:49ou foi o único fato realmente que aconteceu.
28:52Mas a experiência nos mostra...
28:54A grande maioria...
28:55A grande maioria é uma evolução de uma violência que ela vai acontecendo dia a dia.
29:02Então, é uma experiência muito boa mesmo que nós tivemos foi esse trabalho em rede.
29:10É porque quando a mulher, ela entrava dentro do sistema e aí a gente trabalhava com ela na prevenção à
29:17violência doméstica,
29:18a gente conseguia ver a evolução dos casos e era gratificante, era muito bom.
29:24Porque no início, a gente percebia que elas, às vezes, já não tinham mais a alegria de arrumar o cabelo,
29:32de passar um batom, de fazer uma unha, de cuidar dela mesma, né?
29:37E à medida que o acompanhamento ia evoluindo e que aí a gente ia conseguindo mostrar para elas as possibilidades
29:43de conseguir sair daquela situação de violência em que ela se encontrava, ao final, ela já era uma outra pessoa.
29:49Ainda bem que tem a polícia, né, Coronel?
29:52Ainda bem que tem a polícia.
29:53E todo um sistema pronto para poder receber e dar sustentação dela.
29:56Muito obrigado pelo seu carinho, por atender o nosso convite e nos brindar com esses ensinamentos, com esse bate-papo
30:03aqui em Minas, viu?
30:04Eu que agradeço a oportunidade.
30:06Muito obrigado, gente.
30:07Aí, Coronel Cleide Barcelos, a comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.
30:12Até a próxima.
30:13Tchau.
30:13Tchau.

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