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  • há 1 ano
Ismaelino Pinto entrevista o músico e compositor Félix Robatto.

Op. de Corte/Edição: Bia Rodrigues (supervisão: Tarso Sarraf)
Transcrição
00:00Olá, está no ar o Mangueirosamente, hoje especialista, na verdade a gente tinha combinado
00:11duas pessoas, uma jornalista, um músico, mas enfim, acabou que veio só o músico,
00:18mas o músico é uma mega, mega, mega atração, a gente tá falando do super conhecido, super
00:24craque de tudo, Félix Robato, tudo bem Félix, tudo ótimo, a gente tinha combinado na verdade
00:31de trazer Sônia Ferro, sua esposa, mas você teve um contratempo aí, minha chefa, qual
00:39é a chefa, como é que começou essa parceria para falar nisso, vocês são casados, tem
00:44uma filha, a gente tá junto há 14 anos já, e a gente se conheceu trabalhando, fui tocar
00:51e ela foi fazer cobertura do evento, a gente começou, se conheceu e estamos até hoje,
00:56agora a gente trabalha junto, né?
00:58Pois é, como é que é a gente juntar tudo aí, Félix?
01:01Porque, por exemplo, onde você toca ela está, e às vezes também como DJ, ou sempre como
01:06DJ?
01:07É, não, nem sempre, porque nossos projetos juntos, ela sempre tá, né?
01:11Ela sempre tá, nem sempre discotecando, nas baterias que a gente faz dia de semana,
01:17ela sempre tá, e assim, bicho, não tem dessa, é conversando sobre trabalho o dia
01:23todo, a gente trabalha junto.
01:25É assim, mas de uma maneira saudável, né?
01:27Porque as pessoas acham é isso que não funciona.
01:30Não, também tem os estresses de tentar resolver, às vezes eu quero resolver de um jeito, eu
01:34quero resolver do outro, mas todo mundo quer o melhor, né?
01:36E a gente tem que, uma hora tem que se decidir, mas assim, é uma parceria, é uma parceria
01:42de casa, parceria de trabalho, parceria de vida, né?
01:45E ela, além de ser uma super jornalista, eu sei que Sônia também é uma produtora,
01:49isso também já facilita isso, né?
01:51É, ela não...
01:51Porque essa coisa da produção na vida de um músico, essa parte administrativa e
01:55tudo mais...
01:55E de enxergar também, enxergar de fora, né?
01:59Porque às vezes o músico, ele com...
02:01Todo músico tem um ego inflado, né?
02:02Não tem jeito.
02:03Eu não sabia disso, você que tá falando.
02:05Todo tem, todo tem.
02:06E o que que acontece?
02:08Às vezes a gente tá pensando muito ali do nosso jeito, a gente não tá enxergando de fora.
02:12Aí ela já tem essa visão de fora, né?
02:14Às vezes ela fala, presta atenção que não é assim, as coisas vão acontecer assim.
02:19Tem que, sabe, às vezes...
02:20E às vezes tem questões técnicas que a gente, que é da música, às vezes a gente colabora
02:26numa produção também, né?
02:27Porque a produção depende dessa sintonia toda, né?
02:30Mas essa parte administrativa deve ser tudo com ela, né?
02:33Tudo com ela, tudo com ela.
02:33Porque essa é uma parte que música realmente precisa de alguém, precisa de alguém.
02:37Sou ruim pra caramba, sou ruim mesmo.
02:38Agora ainda nesse foro íntimo aí, familiar, tem a filha de você, que já toca, né?
02:43Toca, e toca ela é muito comunicativa também.
02:46Eu acho que ela é uma fusão mesmo da gente, assim, que ela gosta de falar em público,
02:54não tem vergonha de falar não, gosta de conversar.
02:56Qual é o arroba dela no Instagram?
02:58Piteuzinha.
02:59Piteuzinha, exatamente.
03:00A Piteuzinha.
03:01E da Sônia, né?
03:03Que é a Sônia Fé.
03:04Rebarbada ela.
03:05Rebarbada ela, DJ.
03:06DJ rebarbada.
03:08Félix.
03:08Félix, como é que, por favor, falar lá no início da história, como é que começou
03:11essa tua história de carreira desse músico?
03:15Onde foi que também que tu começaste essa vertente?
03:17Porque a gente hoje em dia fala de ti, te conhece.
03:20O Brasil inteiro fala de ti, inclusive.
03:21Tem amigos meus de fora, quando encontram, sempre perguntam.
03:24Ah, tem o Félix.
03:25Você é uma pessoa que já tem um nome, que a gente poderia dizer, um nome que circula
03:30fora de Belém.
03:31O que começou essa trajetória aí?
03:33Cara, eu comecei com um músico muito novinho.
03:36Eu acho que com 12 anos, eu já morava ali na Marambaia e tinha muita banda na Marambaia
03:43nos anos, começo dos anos 90, né?
03:45Tinha muita banda ali na Marambaia.
03:47E tinha o Leolá ali perto, essas bandas todas se criavam ali no Leolá.
03:52E eu tinha muitos amigos.
03:53O Leolá é berço das bandas aí, né?
03:55É, exatamente.
03:56Formou várias bandas ali.
03:58E toda a rua, cara, ali na Marambaia, praticamente tinha uma banda.
04:03Tinha uma banda de duas gerações, uma banda de sedução, uma banda de sensação.
04:07Várias bandas lá.
04:08Fruto Sensual, todo o povo saiu de lá.
04:09Não, Fruto Sensual acho que já é mais do...
04:12É lá de São Isabel.
04:14Mas tem alguns músicos de lá que tocaram por várias bandas.
04:18Aham.
04:18E o que acontece?
04:20Eu já era curioso por música, já tinha vontade de música.
04:24Eu já comecei a frequentar esses ensaios das bandas e tal.
04:27Mas tu já tinhas algum instrumento que tocava?
04:29Eu tinha vontade de tocar bateria no começo.
04:31Só que eu vi que não ia rolar, que não iam comprar uma bateria pra mim e tal.
04:36Aí eu comecei a tocar percussão, que era mais prático.
04:39Eu chegava, era mais pegar o tamborzinho ali e tal.
04:41E eu comecei tocando percussão.
04:43Entrei numa banda quando eu tinha 13 anos.
04:46A banda Nexus, que era uma banda de amigos do colégio.
04:50E a gente começou a tocar.
04:51Eu estreei no Leolá.
04:53Tocando o que, hein?
04:54Qual era o ritmo?
04:55Era baile.
04:56Naquela época, as bandas tocavam tudo o que tocava na rádio.
04:58Tudo que tocava pra dançar, né?
04:59É.
04:59E a rádio, antigamente, ela tinha uma dinâmica diferente, né?
05:05Ela, eu acho que por questões de repertório de novelas e tal, tocava muita coisa bem
05:11variada, assim, né?
05:12Do que tocava, assim.
05:13Hoje, eu acho que a internet, ela comanda um pouco mais a rádio, né?
05:16Sim.
05:16Então, a gente tocava de tudo.
05:18Tocava Legião Urbana, Luiz Gonzaga, tocava Borbulha de Amor, do Fagner, por exemplo.
05:25Aí também tocava Fruta Quente, né?
05:26Que era sucessão na época, era uma referência pra gente, Fruta Quente na época.
05:30Tocava Pinduca, aí tocava Machus Colete, tocava Axé também.
05:34Tinha muita época da Axé.
05:35Então, essa foi a primeira...
05:36Primeira...
05:37Primeira experiência.
05:38Experiência já tocando...
05:39Tocando percussão.
05:40Era percussão.
05:41Não era percussonista, eu sou percussonista.
05:43Hoje eu toco guitarra, mas eu sou percussonista.
05:46E fui tocando em várias bandas, participando de outros trabalhos.
05:50Quando chegou mais ou menos uns 17, 18 anos, eu comecei a querer tocar guitarra.
05:57Comecei a ter vontade de compor.
05:59Já tinha umas influências, assim, que eu tinha que...
06:04Tinha vontade de fazer.
06:05Aí foi, quando eu entrei na UEPA, da primeira vez, não dessa, que eu entrei da outra vez,
06:10que eu abandonei, que eu tinha 18 anos, eu entrei já com um projeto de pesquisa,
06:17a gente foi e formou o Lá Pupunha, que era um projeto de pesquisa...
06:19Lembra do Lá Pupunha?
06:20Em cima de...
06:21Trabalhava na cultura, a gente tocava muito o Lá Pupunha.
06:23É, o Lá Pupunha participou de muitas...
06:26Os meninos da camisa com florida, na verdade.
06:28Lançaram, inclusive, lançaram esse estilo, né?
06:30Essa vertente.
06:31Na verdade, era uma vertente que era muito vista por grupos de carimbó do interior,
06:36nas capas do disco do Vieira, por exemplo, tinha muita camisa florida.
06:41E a gente falou assim, bora tocar todo mundo de camisa florida, bora fazer isso.
06:45E virou uma marca, eu acho que virou até uma tendência.
06:48Virou uma tendência, inclusive virou moda, né?
06:49Porque hoje em dia tudo isso aí é vendido em lojas e botifes.
06:52As bandas todas usam camisa florida, eu acho barato, eu adoro usar.
06:57Eu uso no dia a dia mesmo, assim.
06:58Lançaram uma moda.
06:59É.
07:00E a partir daí eu comecei a me ver como compositor, assim, de verdade mesmo.
07:05De ter as minhas músicas tocando na rádio, de estar tocando minhas músicas nos shows
07:11e a galera cantando.
07:13Mas não que compositor músico também, não?
07:14É, porque assim, o músico, tem gente que não tem a, como é que fala assim, a chama
07:25para ser o compositor.
07:26Ele quer ser um músico, ele quer executar.
07:28Apesar de todo mundo, todo músico é um pouco compositor, porque ele sempre imprime
07:32um pouco da sua personalidade ali, ele sempre põe as limitações e as, como é que fala,
07:38as vantagens que ele tem ali, né?
07:40Então, eu queria falar, eu queria escrever uma música que a galera cantasse, queria contar
07:47um pouco da minha visão sobre a música regional, minha visão urbana, né?
07:52Porque eu sou daqui de Belém, sou urbano, não sou do interior.
07:55Então, eu queria falar desse meu jeito, um jeito mais modernizado e tal.
08:00E quando eu me vi nessa parada, as pessoas aceitando e tal, isso me incentivou bastante
08:07para continuar e fazer a onda aí.
08:10E é nisso que eu estou, agora não tem mais jeito, estou nisso.
08:12Está nisso, já continua aí.
08:14Me diz uma coisa, e essa carreira solo?
08:16Porque, na verdade, você também falou da banda, falou de Lapo Punha, que é um nome
08:20bastante conhecido, né?
08:22Nesse, nesse, não diria resgate, né?
08:25Mas nessa vertente, nessa linha que chega hoje em dia.
08:28Releitura nessa nova roupagem.
08:30O lugar da música popular paraense, o lugar dessa música que a gente tem aí, né?
08:34Mas você se tornou Félix Sorbata a partir de quando, assim?
08:39Pois é.
08:40Eu fiquei seis anos no Lapo Punha, né?
08:43Eu fundei junto com os amigos, né?
08:45Lapo Punha.
08:46E quando acabou a banda, a banda começou assim, naturalmente, porque era todo mundo na universidade,
08:51a gente se encontrou.
08:53Comecei a compor umas coisas e comecei a mandar para a rádio, começou a tocar e a rádio cobrava.
08:57Cadê a banda?
08:58Não tinha banda.
08:59A gente juntou, todo mundo ali, os amigos ali, formou a banda e começou a circular.
09:04E, do mesmo jeito, foi terminando, porque a galera foi terminando o curso.
09:08Eu não, eu abandonei na época.
09:10E foi arranjando o emprego, foi não sei o quê.
09:13A banda, do mesmo jeito, naturalmente, que começou, naturalmente terminou.
09:17O Lapo Punha teve no Terroir?
09:18Teve, em 2006.
09:20Terroir de 2006, no primeiro.
09:22Aí, o que aconteceu?
09:23Tal o protagonismo, né?
09:27Que o Lapo Punha, o trabalho que vocês faziam, já estava naquele projeto.
09:30Que é um projeto muito interessante, também, nessa linha aí de...
09:35Isso, a gente já circulava muito, né?
09:37A gente circulou muito e tinha um perfil que caixava com festival de rock, festival instrumental, festival regional, festival de surf music.
09:46E a gente viajou muito com esse negócio.
09:48Aí, quando acabou a banda, eu ainda montei um grupo, já chamado Félix e Los Caroços.
09:54Acho que era eu e mais uma sobra da Pupunha, que era Los Caroços.
09:58Los Caroços.
10:00E logo quando eu comecei, o Miranda, o Carlos Eduardo Miranda, grande produtor, saudoso Miranda,
10:07ele entrou em contato comigo, já conversava muito com ele, ele era um guru, assim, de dar muita dica legal pra mim, assim, na minha carreira.
10:14Ele me ajudou muito.
10:14Eu acho que o Miranda tá muito, muito...
10:17Em todas as histórias desse início aí, dessa coisa que a gente pode ver que passou aí pelo terroir e vai nesse caminho,
10:26o Miranda tá nesse processo.
10:27Ele é aquela visão de fora.
10:29Ele é aquela visão de fora.
10:31Não é que ele deu...
10:32Não é que a gente teve que pedir benção pra alguém de fora pra fazer essas coisas.
10:37Não.
10:37Ele é uma visão de fora que fala, olha, vocês precisam se organizar mais nessa parada de divulgação, de show,
10:44entender como é que funciona o mercado.
10:46O mercado não é assim, não é poesia, não é um negócio achando que as coisas acontecem igual filme.
10:51Não.
10:52As coisas têm que ser programadas, coordenadas, organizadas.
10:56Acho que ele ajudou muito isso.
10:58Abrir a cabeça pra gente ouvir outras coisas, pra misturar, sem medo de misturar, essas coisas.
11:03E quando eu montei esse projeto, Miranda me procurou e falou,
11:05Félix, é o seguinte, eu vou produzir a Gabi Amarantos, eu queria que tu fosse o guitarrista dela.
11:15Aí eu falei, eu tô num trabalho aqui, mas olha, é um projeto interessante, eu topo.
11:21Gabi Amarantos, antes dessa projeção nacional?
11:23Antes do treme, antes da gravação do treme.
11:25Eu acho que ela tava saindo da Tecno Show na época.
11:28Aí eu falei, topo, topo.
11:31Ah, beleza.
11:32Tá.
11:33Passou um tempo, ele já falou que eu tinha falado com a Gabi, eu me encontrei com a Gabi.
11:36Eu já conheci a Gabi, que eu toquei com ela numa banda em 98.
11:41Uma banda que a gente fazia lá no Yacht Club, todo domingo.
11:45Eu era percussionista, ela era uma das cantoras, eram duas cantoras.
11:48Eu já conhecia a Gabi dessa época.
11:49Já admirava ela, já tinha um vozeirão.
11:52Já, já.
11:53E eu fiquei um tempão sem encontrar com ela, porque ela foi pra Quero Mais na época,
11:57depois Tecno Show e viajou muito e eu outros trabalhos.
12:00Aí você se reencontrou.
12:02Na época do Lapupunha, na verdade, você se reencontrou.
12:04Bacana essa história, né?
12:05Porque de uma maneira ou de outra vocês se juntam, separam.
12:08Sempre assim.
12:09Mas tá todo mundo grudado ali.
12:10Em algum momento, a liga tá dando, né?
12:13Sempre assim.
12:13Tá funcionando.
12:15É, isso é legal, né?
12:16Aí, na época do Lapupunha, a gente já se reencontrou, assim, de tocar, de ela dar
12:20umas canjas com o Lapupunha, de convidar, ela convidar a gente pra participar, já tinha
12:24rolado.
12:25Aí, quando o Miranda falou isso, eu falei, ah, bacana.
12:28Aí eu me encontrei com a Gabi, a gente começou a pensar em umas ideias.
12:32Aí ele falou, olha, tu vais produzir o disco, esse primeiro disco.
12:36Eu vou fazer a direção, eu quero estar, a direção geral.
12:39Aquele cara que, aquele olhar, né, panorâmico, né, das coisas.
12:45Eu fui produzir, eu e o Valdo Squash, né, o grande DJ Valdo Squash da Gangue do Eletro.
12:50A gente produziu junto o Treme.
12:53E foi uma experiência.
12:53E tu entrando num ramo novo ali, né?
12:55É, eu já produzi as minhas coisas.
12:58Produzi um trabalho, assim, com uma responsa muito grande, com o Miranda.
13:01Foi bom, porque foi um sacode, assim, ei, te organiza, vai lá, não sei o quê.
13:05Eu realmente, quando eu pego, eu tenho hiperfoco em umas paradas, assim,
13:09eu vou e eu madrugo, eu anoto tudo, tal, não sei o quê.
13:13Foi um trabalho, assim, tudo muito analógico, inclusive, muito na caneta mesmo, na época, né?
13:19E a gente começou a produzir o Treme.
13:22E foi uma experiência muito bacana, cara.
13:24Foi um discão.
13:26A gente placou muita música, placou o Ex My Love.
13:30Placou o Ex My Love na novela, abertura de novela.
13:33A Gabi arremetou, né?
13:35Cara, foi tudo lindo.
13:36Gabi chegou pra fazer tremer, não é verdade, né?
13:38Isso, começou aparecendo mesmo, sabe?
13:42Assim, aparecendo com o pé na porta mesmo, sabe?
13:45E foi muito legal, uma experiência muito bacana.
13:46Tem uma coisa ali no processo da Gabi também, que ela trouxe muita gente dessa turma, né?
13:50Dessa área, dessa...
13:52É o que a gente pode dizer de uma forma...
13:56Não é pejorativa, mas de uma turma da periferia mesmo, que estava ali pelas beiradas, fazendo sempre aquilo, não é verdade?
14:04O Tecnobrega é produção da periferia, né?
14:06É uma produção da periferia.
14:08Não tem outra coisa a dizer.
14:11O Tecnobrega é produção da periferia.
14:13Gabi puxou esse ator.
14:13Puxou, puxou.
14:15Acho que mexeu um pouco com o bril das pessoas, com a coragem do artista da periferia de produzir.
14:22Dá propósito nas coisas, né?
14:23Isso dá propósito.
14:24Porque o cara, quando está produzindo arte, mas ele não vê escoando aquilo, escoando, ele não vê aquilo saindo,
14:30aí o cara desestimula às vezes, porque o cara fala assim, pô, o que eu estou fazendo em vão?
14:34Porque o cara, ele tudo...
14:35Tem gente que fala, ah, mas eu faço a arte para mim, tudo bem.
14:39A arte é a nossa expressão, às vezes a gente faz para a gente mesmo.
14:42Só que quando isso toca as pessoas, a gente percebe que aquilo ali está causando alguma coisa,
14:46é muito bom, dá mais propósito.
14:48Eu acho que o Tecnobrega...
14:50É como tu está no palco cantando e aí, de repente, as pessoas estão cantando a tua música.
14:53É, isso é muito bacana, cara.
14:55Isso é muito bacana.
14:56Isso aí não tem cachê que pague, não, sabe?
14:59Às vezes tu vai tocar num lugar com cachezão e tal, mas está todo mundo meio...
15:03Engessado.
15:03Aí, às vezes, tu vai tocar num lugar que tu vai só dar uma canja, sabe?
15:08Aí tu chega lá, a galera está tudo cantando.
15:11Aquilo, é claro que isso não vai pagar as contas, né?
15:15Mas isso é um alimento para a nossa aspiração, para a nossa alma e tal, para o nosso propósito.
15:20Não é uma visão poética, não.
15:22É uma verdade mesmo.
15:23Aí, voltando para o assunto, fui tocar com a Gabi.
15:28A gente fez muita coisa, viajou.
15:29Estou com esses programas todinho aí, Jô Soares, Faustão, Caldeirão.
15:34Todos esses programas a gente foi, foi uma experiência muito legal.
15:38E chegou um momento que eu já estava, eu mesmo, me cobrando de fazer o meu trabalho.
15:44Eu já estava chato lá, já estava reclamando muito, já estava não sei o quê.
15:48Mas, na verdade, o problema era que eu queria fazer as minhas coisas.
15:50Claro.
15:51E eu queria passar aí...
15:52Tu queria ir para o microfone, tu achavas que tinha que chegar ali na frente.
15:55Não, eu estava cheio de composições, cheio de coisa.
15:59E eu falei, quando é que eu vou gravar isso?
16:01Eu ficava aquele negócio...
16:02Eu falei, olha, para eu fazer, eu vou ter que sair desse trabalho.
16:04Porque não adianta, não dá para conciliar, não dá para trabalhar se dedicando totalmente
16:11para duas coisas ao mesmo tempo, não dá.
16:13E eu pedi para sair.
16:14Saí.
16:15A primeira coisa que a gente fez, até esse momento, a minha esposa, ela não tinha, a Sônia,
16:22não tinha ainda a experiência de trabalhar.
16:27Ela já era produtora de TV, jornalista, repórter, produtora de TV.
16:32Ela não tinha a experiência ainda de trabalhar com artista.
16:35Com produção musical.
16:35Com produção musical.
16:36Aí foi um estalo rapidinho, pegou o macete.
16:41Aí o que a gente fez?
16:42Eu falei, olha, para eu começar uma carreira solo agora, o que eu tenho que fazer?
16:46Eu tenho que formar público.
16:49E para eu formar público, eu tenho que ter uma...
16:51Até eu cair em alguma festa.
16:52Só que quem vai me contratar agora se eu ainda não tenho nada?
16:56Então eu vou fazer uma festa.
16:58Aí foi aí que a gente pegou uma festa dia de quinta-feira, lá no Templários, na época,
17:03que era um dia que não abria.
17:05E a gente fez a quinta rada, que era a quinta da guitarrada.
17:09Era uma festa nossa, que a gente começou para formar público, para eu começar a tocar
17:15minhas coisas.
17:16É meio laboratório também, porque tu toca e tu vê o que funciona.
17:19Fazer um caixa também.
17:20É, mas assim, o caixa demorou para começar.
17:24Porque no começo dava dez pessoas, doze pessoas.
17:29No final, o bacana é que a galera da banda, parceiraça assim, sabe?
17:33Aposta também.
17:35E a galera falando, não, não, vamos que a gente vai encher.
17:37Quando acabava, dividia quase nada, bicho.
17:40Eu cheguei em festa no Templário.
17:42Pois é.
17:42Só que depois começou.
17:44Sim.
17:45Aí quando começou a ficar pequeno, a gente fez a lambateria.
17:49Pois é, aí é outra coisa, porque já criou essa marca, a lambateria.
17:53Lambateria é uma coisa que vocês criaram, né?
17:55Surgiu a partir de você, né?
17:56Pois é, a quinta rada, ela estava muito presa na quinta, né?
17:59Quinta rada.
18:00Dia de quinta.
18:01Dia de quinta.
18:02Aí quando a gente resolveu mudar de lugar, a gente foi lá para o antigo fiteiro, que
18:08não existe mais, né?
18:08Na doca ali, né?
18:09Na doca.
18:10Derrubado.
18:11É, vai virar prédio, eu acho.
18:12Não foi pela culpa da COP, foi derrubado antes.
18:15Foi, foi.
18:16Não, foi bem antes.
18:17Muito antes.
18:17A gente tinha nem anunciado ainda, eu acho, que a COP.
18:19Vai virar um prédio, eu acho lá.
18:21E o que que acontece?
18:24A gente, quando mudou para lá, eu falei, olha, acho que é o momento de a gente mudar
18:26de nome, porque a lambateria pode ser qualquer dia da semana, em outros lugares, pode virar
18:31um evento maior.
18:33Ninguém usava esse termo lambateria também.
18:35Lambateria, na verdade, é um termo que foi muito usado nos anos 80, final dos anos
18:3980, começo dos anos 90, nas danceterias de lambada que tinham por aí.
18:43Lambateria, não sei o quê.
18:45Tanto que na novela Rainha da Sucata, tem a lambateria sucata, que é a danceteria de
18:51lambada da Rainha da Sucata.
18:53Olha, para mim, eu achei que vocês, na verdade, tinham criado a partir da...
18:57Esse nome era um nome que já estava na minha cabeça, aquela memória...
19:00Que é genial, né?
19:01É, só que a gente falou, em vez de botar lambateria em alguma coisa, que sempre tinha
19:05lambateria tropical, lambateria não sei o quê, a gente falou, pô, lambateria, lambateria.
19:10Até porque a lambada é daqui do Pará.
19:14O termo lambada, a primeira música chamada lambada, o primeiro disco com esse termo lambada
19:20é daqui do Pará.
19:21A primeira música é do Pinduca, do disco dele de 76.
19:26E o disco inteiro com o nome...
19:29É Lambada Sambão.
19:31Lambada Sambão.
19:31Lambada Sambão.
19:32É do disco...
19:34É no embalo do...
19:36Carimbó, Sirimbó, volume 5, alguma coisa assim.
19:39É de 76.
19:40É a música Lambada Sambão.
19:42E é instrumental na guitarra.
19:44É uma guitarrada.
19:45Na verdade...
19:46E o Vieira, paralelamente, estava gravando um disco inteiro ali, que gravou o Lambada
19:52das Quebradas, que é um disco de...
19:54Dizem que foi gravado em 76, mas lançado em 78.
19:57Demorou para lançar.
19:59E antes disso não existe esse termo lambada, musicalmente não existe.
20:03Lambada é uma gíria, uma coisa intensa, né?
20:06De uma escotada, de uma goleada, né?
20:08Quando o time aqui, o Remo, o Pai Sandu ganha um do outro de goleada, chamam de lambada
20:12e tal, e esse nome foi usado aqui.
20:15Então, a lambada é daqui.
20:16Aí não precisava botar lambateria paraense, lambateria belenense, lambada...
20:20Não, lambateria, porque aqui a lambada é daqui, né?
20:23Nós temos nossos dois reis da lambada ali, o Pinduca e o Mestre Vieira, sabe?
20:29Os dois ali que são os expoentes.
20:32Fora dessas disputas de brega, deixa a disputa de brega para lá, na verdade.
20:36Quem é daqui, de lá, é de todo mundo, na verdade.
20:39É, o brega...
20:39Esse país é tão lindo, o Brasil é tão nosso todo.
20:42O Brasil, ele é brega, meu irmão.
20:44Lógico.
20:44O Brasil, ele é brega, é um país brega.
20:46Eu estou falando brega, não do termo pejorativo, do termo cafone.
20:51Que se usou, né?
20:52Para ser uma coisa pejorativa.
20:54O brega é o comportamento do brasileiro.
20:56É feliz, ele é...
20:58Ele é, como é que fala?
21:00Ele é extrovertido, ele tem personalidade.
21:04É isso que é o brega, cara.
21:06Isso que é o brega, não é cafonista.
21:08Quem acha que coisa de brega é cafonista e não sei o quê, esse realmente é o cafona
21:13da parada.
21:14Teve uma história lá da Lambateria na quinta-feira, que era na quinta-feira, lá nesse lugar,
21:19lá na Doca, que ganhou uma projeção também.
21:22Veio um programa de televisão.
21:23Veio Angélica.
21:25Angélica gravou estrelas.
21:26Eu lembro da época, porque amigos meus jornalistas vêm, bom, eu estou indo para lá fazer uma matéria
21:33sobre a Lambateria, desse cara aqui chamado Festa e Robato, que faz essa festa, e que
21:39na verdade começou a ter um fluxo de pessoas interessadas naquilo.
21:43Enfim, aí vem toda uma história, mas começa a partir daí.
21:47É, eu me lembro muito bem que quando entraram em contato da produção falando que Angélica
21:51ia gravar o estrelas na bateria, eu pensei até que fosse trote.
21:55Eu falei, que bacana.
21:56Veio ela, veio o Paulo Bete, Andréia Horta também veio.
22:01Foi muito legal a matéria, foram lá, aparece lá na fila botando a pulseirinha da festa,
22:07entrando e o carimbão rolando.
22:09Não, as pessoas já vinham para a cidade, já queriam perguntar onde é a bateria.
22:13Porque na verdade é uma festa leve, uma festa leve, é uma festa de música paraense,
22:22que a pessoa vai para dançar, se divertir, vai gente de todas as idades, vai gente que
22:25leva o pai, leva a mãe, leva o avô, a galera vai dançar, vai se divertir, sabe?
22:30É uma festa também que tem gente que vai para paquerar, para dançar, para paquerar,
22:35para tomar cervejinha, eu acho que é a festa que...
22:38Festa, festa, né?
22:39Festa, festa, e com música daqui, com música dos nossos bailes daqui.
22:43E a La Bateria ganhou vida, a La Bateria virou inclusive um festival, né?
22:47Festival.
22:48Festival La Bateria.
22:49Vai para o oitavo ano, a gente fez muita coisa legal, tenho muito orgulho do festival,
22:56trazer a Rossi War, que era um ícone da cúmbia que tocava aqui, muita gente conhecia as
23:02músicas dela, às vezes não conhecia nem ela pelo nome, às vezes, mas quando ela veio
23:06todo mundo... A gente trouxe o Leisa Iglons, que é aquela banda do Ipiti Piti, que nunca
23:11tinha vindo também aqui em Belém, era um sonho meu assistir um show desses caras e eu
23:15realizei além do...
23:15Pois é, vocês fazem essa conexão, porque o assunto é vasto, né?
23:19É.
23:20Vocês fazem essa conexão do que se toca aqui, do que se ouve aqui, dessa valorização,
23:25porque a gente está falando agora de brega, mas aí o que acontece?
23:27As pessoas começaram a ver que o brega, na verdade, é nós, né?
23:31Nós somos brega, né?
23:33Nós somos brega.
23:34Tudo farinha do mesmo saco.
23:35Exatamente.
23:36O que esse...
23:37É um termo que eu gosto, o paraincismo, né?
23:40Criado também lá atrás, que nos traga, que nos traz orgulho, na verdade, que nos traz...
23:45Que faz hoje em dia a gente ser identificado e que é mais forte, começa a partir daí,
23:51né, cara?
23:51Eu tenho certeza que qualquer evento, qualquer coisa que mexa com cultura, com cultura local,
24:00com regionalismo, regionalidade, isso acrescenta um pouquinho, sabe?
24:04Mas esse é um movimento que vocês começaram com o Musa, cara, isso é muito importante
24:08de se falar.
24:08Eu acho que na nossa geração, eu acho que eu falo desde o Lapo Punha, quando o Lapo Punha
24:13começou, eu confesso que nesse tipo de formato tinha pouca coisa, sabe?
24:19A gente mexeu muito com isso aí.
24:21Eu acho que o que me encorajou pra fazer essas paradas de quinta rada, de lambateria, de
24:26tudo, foi o Lapo Punha.
24:27Porque o Lapo Punha tocava de segunda a segunda, cara.
24:30Segunda a segunda a gente tocava muito.
24:32A gente era muito jovem, a gente fazia três shows na noite.
24:34Eu não garanto fazer três shows na noite mais, não.
24:37Mas na época a gente fazia, a gente tocava muito.
24:40Eu lembro que a gente ia de ônibus pra São Paulo tocar.
24:44De ônibus.
24:45A gente chegava uma hora antes do show.
24:47Tomava banho e tocava.
24:50Acabava, voltava de ônibus de novo pra Belém.
24:52Chegava aqui, já tinha show.
24:53Era uma coisa assim que eu acho que a gente aproveitou essa exposição.
24:57Mas tu és um cara que tá...
24:59Tu estás falando do Lapo Punha.
25:00Tu és um cara que tu tá no início dessa história toda, né?
25:05Se a gente falar o que é hoje, a gente tá contando o que as pessoas já sabem, o que as
25:09pessoas veem, o que as pessoas sentem.
25:11Tu te sente um cara que tu percebes que tu tá nesse movimento?
25:14Tu já, vamos dizer, fazer história.
25:16Tu sabes a ideia que tu já estás...
25:18Tu tá nesse processo todo, né?
25:20Eu acho que...
25:21Porque tu até...
25:21Porque também tem um trabalho teu que eu acho bacana, que dá uma resgatada também,
25:26né?
25:26Porque, por exemplo, nesse movimento todo, Tua Sivieira, todo mundo, né?
25:30Até o próprio Pinduque, ele...
25:33Sim.
25:34Ele foi...
25:35Fizeram uma releitura, que é um termo horroroso, mas fizeram uma releitura do Pinduque,
25:40percebendo, pô, mas isso é genial, sempre foi genial, né?
25:43Sempre foi genial.
25:43Quando a gente trabalha com cultura, com...
25:48Eu também não gosto da palavra resgate, né?
25:50Quando tu fala resgate, parece que tá preso, né?
25:52É que a pessoa brasileira não existia, né?
25:54Você pegou e resgatou.
25:55Não, ela tá ali, ela tá vivendo, pô.
25:57Quando tu relembra, né?
25:59Quando tu relembra as obras antigas, os esfeitos antigos dos artistas e mostra isso de novo,
26:12eu acho que isso dá uma aquecida geral e tu não depende dos modismos, cara.
26:18Por que a nossa festa...
26:19A Lambateria, desde Quinta Rada com a Lambateria, a gente tá 11 anos, todas as quintas-feiras,
26:2311 anos.
26:24Por que que não enjoa?
26:26Por que não tá no modismo?
26:28Quando tá no modismo, aquilo satura tanto que acaba passando.
26:35Não se esgota nela mesmo, né?
26:36Eu tenho um pouco de medo, sabe?
26:37Se implode, né?
26:38Eu tenho um pouco de medo desse nosso movimento, desse nosso estilo, saturar tanto e ser encostado de lado,
26:48como foi a lambada.
26:49Aquela lambada dos anos 90, a lambada nacional.
26:52Nacional não, foi uma febre mundial a lambada.
26:54Uma febre mundial, todo mundo gravava lambada.
26:57Lambada, aquela música, Chorando Se Foi, tocava todo mundo.
27:01Aquele robozinho que foi pra Marte, tocava a música lá em Marte.
27:05Era uma das músicas que foram no repertório pra lá.
27:08Inclusive, a Alô Alva, né?
27:10Nunca tinha vindo tocar em Belém.
27:12A cantora do Caoma, ela faleceu e tal.
27:16Mas o último show dela foi aqui.
27:18A gente que trouxe no lançamento do meu segundo disco, que ela veio e tal.
27:23Nunca tinha vindo em Belém.
27:24E foi muito legal que a gente conversou com ela.
27:26Ela falou sobre a lambada, a origem no Pará.
27:29A gente tem isso registrado.
27:31A gente fez um documentário chamado As Origens da Lambada,
27:35que a gente entrevistou pessoas que participaram desse movimento.
27:39Artistas, técnicos de som, produtores, músicos da época.
27:45Todo mundo.
27:45A gente tem esse documentário.
27:46E a Alô Alva participa.
27:48Mas voltando, como é que tu te vê nesse processo todo?
27:51Ah, sim.
27:52Tu és um cara que está aí desde o início, né?
27:54Cara...
27:54Como é que tu vê hoje isso?
27:55Eu sou muito encabulado de falar assim,
27:59de posicionar o que é que eu sou, o que é que não sei o quê.
28:03Mas eu acho que eu estou feliz com a minha história.
28:07Eu acho que eu estou fazendo, criando um caminho
28:10que eu estou sentindo o efeito, sabe?
28:14Esse caminho não está sendo só para mim, sabe?
28:16Não é uma coisa só para mim.
28:18Eu acho que isso aí está abrindo espaço, sabe?
28:22Tem pessoas que realmente fazem parte desse movimento
28:27que está abrindo também para elas.
28:29E outras pessoas estão abrindo caminho para mim também.
28:31Claro.
28:32Entendeu?
28:32Eu acho que as coisas estão fluindo naturalmente.
28:36Eu estou satisfeito.
28:36Eu acho que nesse processo todo também,
28:39desse movimento que a gente fala,
28:40movimento musical, até de resgate desse orgulho de ser paraense,
28:44entendeu?
28:44De nos prestar atenção, nos repensar como nós somos
28:49e fazer com que a gente se posicione como a gente é.
28:53Está entendendo?
28:53Não precisa ser parecido com a...
28:55Não estamos além da fronteira.
28:57Nós estamos aqui para chegar nas outras fronteiras.
29:00Exatamente.
29:01Tu não achas que, por exemplo, parece que o movimento...
29:05Pode ser uma impressão, menina, mas eu acho um movimento generoso.
29:08Porque a impressão que tem que essa turma toda,
29:11o pessoal de lambado, o pessoal de guitarrado e tudo mais,
29:15ter uma harmonia.
29:16Tem.
29:16Eu sinto isso no festival, lá na bateria.
29:21Sim, sim.
29:21Tem.
29:22Na verdade, como todo mercado musical,
29:27o teor, o tempero de tudo musical,
29:32a onda da trajetória cultural e tal,
29:34isso todo mundo entra nessa nuvem,
29:36essa nuvem contagia mesmo todo mundo.
29:39Mas o mercado musical é muito complicado,
29:42porque é do mesmo jeito que quando acontecem as coisas,
29:45aparece gente que não é do meio,
29:47que acaba confundindo as coisas,
29:49porque às vezes quando tu...
29:51Às vezes tu entra num mercado
29:55e tu não é daquilo e tenta fazer,
29:58às vezes acaba, ao invés de colaborar,
30:01às vezes acaba prejudicando.
30:02Eu não estou dizendo que está acontecendo isso nem nada,
30:04mas o mercado musical é complicado.
30:06É um mercado de venda.
30:09Tu está vendendo uma ideia,
30:10tu está vendendo não sei o quê.
30:12Aí não adianta eu aqui estar falando do Pinduca,
30:15falando do Vieira,
30:16como criadores de lambada,
30:18aí aparece um cara novo aí dizendo que ele que inventou.
30:21Ou então aparece um cara dizendo que inventou não sei o quê.
30:24É um cara que aparece nessa onda
30:27que foi aberta por outros antes de mim
30:32ou foram abertas por mim também,
30:34que chega ignorando todo mundo que veio antes.
30:36Eu acho que tem casos e casos,
30:42mas eu acho que isso acontece em qualquer mercado.
30:44Na Bahia acontece a mesma coisa,
30:45em São Paulo, no Rio de Janeiro acontece a mesma coisa,
30:47nos Estados Unidos acontece a mesma coisa,
30:49na Europa acontece a mesma coisa.
30:50Então não é uma coisa tão assim...
30:55Como é que se fala?
30:56Linda, maravilhosa.
30:58É tão suave.
31:00É delicado.
31:01Por exemplo, eu me empolgo com vários trabalhos,
31:07mas às vezes eu...
31:08Vocês têm uma festa toda quinta-feira, né?
31:11Toda quinta-feira.
31:12Que é a festa fixa, que é do Apoena.
31:15A gente nem chama de lambateria, né?
31:18Porque a lambateria é um...
31:20É lambateria, mas a gente nem divulga como lambateria.
31:22É um evento da lambateria lá todas as quintas.
31:25Que é lambateria para...
31:26Porque lambateria hoje em dia é o quê?
31:27A tua produtora chama como?
31:29É a Lambada Produções.
31:30Lambada Produções.
31:31Lambada Produções.
31:32A lambateria é quando a gente consegue juntar...
31:36É uma das ações dessa lambada produções.
31:38É, na Lambada Produções tem a lambateria,
31:40tem o festival Lambateria, né?
31:43Tem eu...
31:44Como é que vai ser esse ano de cópia, essa lambada?
31:47Essa lambateria?
31:47Cara, eu vou te falar.
31:49Ainda não está nada definido,
31:51porque é um ano diferentão.
31:54É um ano diferentão, né?
31:56A gente...
31:58Os espaços estão muito concorridos.
32:00As verbas todas direcionadas já, né?
32:04Inflacionados.
32:07Imagina eu trazer um artista de fora.
32:10Hospedagem.
32:11A lambateria é em outubro.
32:13Na sexta que antecede o Sírio.
32:17Hospedagem avião.
32:18Na pré-copy, né?
32:18É.
32:19Isso aí a gente ainda está vendo, calculando como é que vai ser.
32:23Fazer alguma coisa a gente vai fazer,
32:24que a gente não vai deixar passar em branco de jeito nenhum.
32:26Mas eu não consigo te antecipar nada em relação a isso.
32:29É bacana essa conexão que o festival, a bateria...
32:33Isso é ou não, né?
32:34É de vocês também...
32:36Uma coisa que sempre vocês falaram, como teoria, né?
32:38Da origem da música paraense, da influência da música do Caribe e tal,
32:42de como se faz a música aqui.
32:44E de vocês juntarem isso, fazerem mostrar ao vivo para as pessoas que, olha, é isso aqui, né?
32:50Essa Amazônia aqui, esse Caribe que está em nós.
32:54Eu acho que é até um sentimento de gratidão mesmo, assim,
32:58com os artistas lá de fora e com a galera daqui.
33:01Porque, imagina, a Rocioó tocou muito aqui.
33:04A Rocioó, as músicas da Rocioó influenciaram muitos artistas.
33:08Influenciou a Calypso, pô.
33:09A Calypso gravou coisas inspiradas em músicas da Rocioó.
33:13A própria Joelma falou.
33:15A Joelma convidou a Rocioó para fazer um show recentemente com ela e tal.
33:19Então, o mínimo era a Rocioó ter vindo fazer um show em Belém, pelo menos uma vez, né?
33:25E a gente trouxe ela pela primeira vez e depois ainda veio outra.
33:29E parece que já vai vir de novo, sabe?
33:32E aí isso é muito bacana.
33:33O Laser Gloss nunca tinha vindo aqui, nem conhecia.
33:35Foi ano passado, né?
33:36Laser Gloss foi ano retrasado.
33:38Quem foi aquele grupo que você trouxe?
33:39O Los Milos.
33:40Los Milos.
33:41Sensacional.
33:41São peruanos também.
33:43Sensacional.
33:43Os Los Milos tocaram no Coachella, pô.
33:46Sensacional.
33:47Os Estados Unidos tocaram no Coachella esse ano.
33:49Entendeu?
33:49E vieram tocar na bateria também.
33:52E isso é muito legal, trazer essa galera para interagir, até para a gente ver.
33:57Para mim, melhor do que ir no show deles, é trazer eles.
34:02E Fede, se você tem alguma coisa, né?
34:03Que você já falava, acho que já tentaste dois vestibulares, não sabia disso.
34:05Eu pensei que só era esse último, né?
34:07Não.
34:08Porque você entrou agora.
34:09Eu entrei agora.
34:09Ano passado?
34:10Começo desse ano.
34:12Pois então.
34:12E aí você se torna, de repente, um acadêmico.
34:14Você faz o que lá dentro?
34:16Faz o que na UEPA?
34:17Na UEPA eu entrei para fazer licenciatura em música, que é o mesmo curso que eu entrei
34:21da outra vez, só que eu abandonei.
34:22Mesmo curso entre aspas, porque ele atualizou muito, está muito mais dinâmico, está muito
34:28melhor o curso, né?
34:29Depois de várias atualizações, 20 anos depois, né?
34:32E eu estou lá, cara.
34:34Terminei o semestre agora, estou de férias.
34:36Tu virás, quer dizer, tu virás, sou estudante?
34:38Sou estudante.
34:39Um cara que está na teoria ali, né?
34:41Calor.
34:41Agora eu não sou mais calor, porque eu já terminei o primeiro semestre.
34:43Mas eu passei esse ano e eu estou adorando o curso, cara.
34:48Estou adorando, estou indo, não falto.
34:50Só falto se eu tiver de viajar, alguma coisa assim, mas faltei duas vezes.
34:54Como é que dá para aconselhar esse tipo de coisa?
34:55Ah, eu me programo.
34:57Me programo.
34:57Por exemplo, eu toco dia de quinta, eu saio da aula, eu chego cinco minutos antes do show,
35:02já está tudo montadinho lá, a equipe já monta tudo lá.
35:05Eu já chego para tocar, mas eu vou para a aula.
35:08A bateria é essa, quer dizer, a festa que vocês fazem na quinta-feira,
35:11sempre aqui nesse Apoena da Duque.
35:14Da Duque, né?
35:15Aquele trepadinho ali, sensacional, né?
35:17Quando a gente começou lá, não tinha ainda a casa Apoena.
35:21A gente não quis mexer, porque eu gosto muito.
35:24Até perto de casa, eu moro ali perto também, no bairro de Fátima.
35:27Ali é um charme, eu acho.
35:28Ali eu adoro, parece que a gente está no interior, né?
35:30Já tem um público ali também, cativo, que dá um charme ali.
35:33Tem gente que vai sempre.
35:34Tem gente que vai sempre.
35:36E outra coisa, as pessoas já chegam também na cidade, como no tempo da festa da bateria na toca,
35:41as pessoas já chegam em casa e dizem, vamos para lá, quinta-feira a gente tem que ir para lá.
35:45Os hotéis já indicam, o Uber, os motores de Uber, taxistas, eles indicam já.
35:51Às vezes a galera entra, me leva num lugar, não sei o quê.
35:53Olha, tem um lugar ali.
35:54Às vezes o cara nunca foi, mas ele sabe.
35:56Mas olha só um cenário como esse, vamos só retroceder aí.
35:59Por exemplo, se você pega 10 anos atrás, as pessoas de Belém, com essa garotada que
36:05vai, está na rua, está nas baladas, está nas festas e tudo mais, que dizem assim, vamos
36:09para uma festa que toca música paraense.
36:12Isso é um...
36:13É, hoje tem muito mais, né?
36:15Antigamente era mais escasso.
36:16Muito mais, claro.
36:17Não, antigamente nem tinha, né?
36:18É, é.
36:19Quando eu lembro que havia a primeira vez, a primeira apresentação do Tupinambá, na
36:24época, no Pum das Aparelhagens, tocando na Assembleia, eu digo, bom, agora quebrou o
36:29vidro, né?
36:29Quebrou.
36:30Agora os caras estão lá também, né?
36:32Isso é legal, né?
36:32Com a Gabi também.
36:33Você vai numa festa hoje, qualquer tipo de festa, qualquer nível de festa, você vê
36:38que tem música paraense.
36:39Uma coisa que eu notei agora, recentemente, é que quadrilhas juninas em colégios, colégios
36:44de crianças, sempre que tem uns sobrinhos que eu vou, acabo vendo lá a quadrilha, a
36:48garotada está com música paraense, está tocando, está dançando música paraense.
36:52Isso é legal, porque os professores já incentivam isso, né?
36:55Tem uma pessoa que é muito responsável por isso, é a Dona Onete, cara.
36:58A Dona Onete, ela trouxe muito esse brilho também do paraense de gostar.
37:04Olha só que a Dona Onete vem nessa jogada aí toda.
37:06A Dona Onete, a gente pensa, fala em Dona Onete, a gente pensa que a Dona Onete está
37:10com a gente há 40 anos atrás, mas não, a Dona Onete é recente.
37:14Ela é artista desde sempre, mas ela se revelou com o seu trabalho e tal, já idosa, né?
37:21Já uma senhora.
37:22Mas ela sempre foi criativa.
37:25Quem conhece a Dona Onete há muito tempo, tenho amigos que foram alunos dela, e ela foi
37:30professora do pai da Gabi, e conhece ela sempre como uma pessoa criativa, uma pessoa
37:36que estimulava a composição, ela fazia as próprias músicas no colégio, ela ensinava,
37:43ela explicava as coisas, ela era estudos regionais, ela era especialista.
37:47Dona Onete é o talento da naturalidade, né?
37:49Porque ela sempre é Dona Onete, ela é daquele jeito, é como ela sobe no palco, como ela
37:52canta, como ela fala.
37:54Se ela estiver chateada, não percebe que ela está feliz que o percebe.
37:57Exatamente.
37:57A gente sabe que você tem um projeto novo agora para Júlio, a gente está em Júlio,
38:01no Veraneiro, que é uma Kombi.
38:03Conta para a gente como é essa Kombi.
38:04Rapaz, essa parada da Kombi é uma ideia que a gente sempre teve, porque se fala muito
38:10sobre democratização da nossa música, dos espetáculos, de shows.
38:15E eu falo assim, é, democratizar, tocar, fazer show aberto, fazer não sei o quê, não
38:20sei o quê.
38:20Mas assim, fazer em ponto turístico, fazer em locais que dá uma galera já com um poder
38:28aquisitivo maior, acaba não sendo tão democrático.
38:34Eu sempre pensei assim, o bacana é você levar nos locais, você chegar nos locais, você não
38:41precisar puxar a galera do seu lar, do seu bairro, da sua comunidade.
38:45Então a nossa ideia dessa Kombi era montar um mini palco, um mini palco com uma estrutura,
38:54um pocket, que a gente chama, com a banda, um formato reduzido.
38:59Você puxando a banda.
39:00Eu puxando a banda.
39:01Você hoje em dia já tem uma banda, você é Félix com a sua banda.
39:05Félix e seu conjunto.
39:07Seu conjunto, como era antigamente, né?
39:09Orlando Pereira e seu conjunto.
39:11A ideia era fazer essa homenagem, esse tipo de formato.
39:16Mas você já é a atração, claro, junto com os modos.
39:19Sim, mas não necessariamente vai ser só eu, né?
39:22Tem outros convidados, eu quero interagir, quero puxar o pessoal do...
39:26Aí qual é a ideia?
39:28Chegar nas comunidades, nos bairros, com essa Kombi, interagir com a comunidade, interagir
39:35com artistas locais, com o pessoal que trabalha com as boeiras, com o ambulante, com o pessoal
39:41que dá aula de dança.
39:43É muito importante.
39:44Se sempre fala da manutenção da dança.
39:48Porque aqui é um lugar que sempre se dançou muito, que se dança, que se dança junto.
39:54Que hoje em dia, com parada de TikTok e tal, não sei o que, ela tá dançando muito sozinha.
39:59Entendeu?
39:59Tá dançando muito sozinha.
40:00Tem música, inclusive, que já vem com aquele manual de como você tem que reagir quando
40:03a música toca, né?
40:04Isso foi inventado lá pelos baianos, na verdade, né?
40:07Já vem com o passo junto.
40:09Já vem com o passo, tu tá excluindo.
40:11E aqui a nossa música não, a nossa música é de dançar agarrado.
40:14Vai dependendo da sincronia, da sintonia, da intimidade do casal.
40:19E a gente quer valorizar essa parada da dança também.
40:22Aí veio a ideia do trocadilho da Kombi, que se chama Lacômbia.
40:27E o projeto é o Lacômbia, que vai virar um...
40:29Vai circular pelos bairros de Belém.
40:31Vai, já é um conteúdo.
40:32A ideia é Belém.
40:33Belém, região metropolitana, né?
40:36Vai pegar Oteiro, Mosqueiro e Quaraci.
40:39Aí vamos estender um pouco mais pra ali, Marituba, talvez.
40:42Mas já pode pegar, de repente, sei lá, Barcarena.
40:46A gente não sabe.
40:47Eu acho que a gente vai começar e vai expandindo até...
40:49Chegar, armar e fazer o show e esperar o público.
40:53Chegar, mas na verdade a gente vai meio que avisar.
40:57Olha, vamos chegar por aí.
40:58Contrato boca de ferro da cidade e vai espalhar.
41:02Ou então manda Kombi na frente pra divulgar, entendeu?
41:04Claro.
41:04Olha, vamos chegar nesse sábado aí e tal, não sei o quê, ou nessa sexta e tal.
41:08E a ideia é isso.
41:09Isso é um conteúdo agora da Liberal.
41:13A Liberal entrou com a gente nessa produção, nessa parceria.
41:20Ficou muito feliz, porque isso aí é aquilo que a gente estava falando de dar propósito
41:24pro que a gente faz.
41:25Isso é muito bacana, porque encoraja a gente.
41:29E claro que a gente vai querer fazer o melhor possível.
41:32Eu tenho certeza que a Liberal também está com a gente nessa parada.
41:35E a gente vai criar esse conteúdo.
41:37A gente está nessa fase de pré-produção.
41:40Já está tudo meio esquematizadinho, como sei as coisas.
41:43Mas assim, a gente está naquela parada de finalizar a Kombi,
41:49todo do formato que a gente quer, com os acessórios que a gente precisa
41:54pra tocar, pra chegar, pra não ter B.O., pra chegar, pra rolar tudo bacana.
41:59E vamos à máxima de Milton Nascimento, que todo artista tem que ir onde o povo está.
42:03Isso é lindo, mas cabe pra todo esse movimento.
42:06Exatamente.
42:07Vamos falar do Detal.
42:08Vocês vão estar também no Detal, que cai aí essa história que temos falado aqui.
42:12de valorização.
42:15Porque, na verdade, quem tem que valorizar somos nós.
42:18Se eles acham bacana, se eles estão valorizando, ok.
42:21Legal.
42:21Ponto pra mim.
42:22Mas eu tenho que sentir orgulho disso.
42:24Como é que é essa participação lá do Detal?
42:26Eu acho maravilhoso.
42:27Eu acho que essa parada de os outros valorizarem,
42:30eu acho que eles vão valorizar quando a gente se valorizar.
42:33Isso.
42:34Porque todo mundo gosta de quem tem orgulho do que faz.
42:39Não interessa.
42:40Qualquer pessoa que a gente veja, que está fazendo um trabalho,
42:42aquela pessoa está com orgulho do que ela está fazendo,
42:44a gente percebe, a gente começa a ter orgulho dela.
42:46A gente começa a ter ela...
42:48E eu acho que a gente, quanto mais a gente tiver orgulho do que a gente faz,
42:52as pessoas vão valorizar.
42:53A verdade é essa.
42:54Mas já tem esse orgulho.
42:55Já.
42:56Claro que tem.
42:56A gente construiu, essa autoestima orgulhosa paraense está...
43:01Está ótima.
43:02Exatamente.
43:03Ela já existe.
43:03Pode ser melhor.
43:04Isso é importante.
43:06Pode ser melhor.
43:06Tudo pode ser melhor.
43:08Mas ela já existe.
43:09Mas fala do Detal.
43:09Sim, foi maravilhoso esse convite.
43:12Ainda mais...
43:13Vai ser uma noite.
43:14Vai ser uma noite lá no dia 14 de setembro, lá em São Paulo.
43:17São Paulo.
43:18Que é a noite...
43:20Cara, não tem um nome na noite, não.
43:22Vai ser...
43:23Vão ser vários artistas lá.
43:24Ah, vocês entram no menu dos artistas daquela noite.
43:28É, daquela noite.
43:29E o nome é Lambateria Baile Show, o nome do show.
43:31Com atração.
43:32O nome é sensacional, né?
43:33Que é...
43:34Eu achei muito bacana isso.
43:36Que eu vou estar comandando, mas com convidados especialíssimos.
43:41Que é a Carol Pedroso, que é do Suradas, do Tapajós.
43:45E a Lia Sofia, que é uma parceiraça.
43:47A Lia sempre foi muito parceira comigo.
43:49Quando eu comecei minha carreira solo, ela foi uma madrinha para mim.
43:52Me ajudou muito.
43:53A linda é a Lia Sofia, né?
43:55A linda é a Sofia.
43:55A linda é a Sofia, além de linda, é a Sofia.
43:58É, é, é, é, é, é demais.
44:00Ela é uma parceira assim, demais.
44:02Ela vai estar com a gente também.
44:03Eu vou estar com um bandão, montei uma equipe imensa, para a gente fazer um showzão.
44:08E vou levar o Seu João e a Dona Nancy para dançar lá, que é aquele casal...
44:11Fala do Seu João e a Dona Nancy.
44:12Quem é esse casal?
44:14É um casal que a gente já dança na noite há muito tempo, né?
44:17Muito tempo.
44:18Muita gente já conhece eles há muito tempo.
44:20A gente conheceu eles quando a gente foi tocar uma vez na Casa da Seresta.
44:24A gente viu esses dois arrebentando lá embaixo.
44:26Lá, na Casa da Seresta, todo mundo dança muito bem, né?
44:29Mas esses estavam se destacando lá.
44:32E quando acabou o show, a gente estava indo embora, eles chegaram assim...
44:35Vocês estão com onde?
44:36A gente quer acompanhar vocês.
44:37Ah, olha, está toda quinta lá no Apoendo.
44:39Eles começaram a acompanhar a gente já tem três anos já.
44:43Cara, eles viraram um show à parte.
44:45Um show à parte.
44:46Viraram parte da equipe, assim, sabe?
44:49Toda semana a gente busca eles, vai deixar eles.
44:53E já tem a mesinha cativa deles lá.
44:55E eles vão dançar.
44:57Eles dançam a música que eles querem, a hora que eles querem.
44:59Mas eles gostam de dançar.
45:00Então eles dançam muito.
45:02E vão para lá.
45:03Ganharam uma música.
45:04Eu fiz uma música para eles.
45:06O nome deles é o João e a Dona Nancy.
45:09E aquela história.
45:10A gente fala muito de...
45:13A gente fala muito dos artistas, da nossa música.
45:15Mas a gente não fala dos mestres do salão.
45:19Eles são mestres do salão.
45:20Eles têm que ser reverenciados também.
45:22Até porque a música que a gente faz
45:24não tem propósito se não existia a galera dançando.
45:29E eles dançam aquela lambada raiz
45:31como se dançava desde os anos 70, sabe?
45:34Eles dão aula, sabe?
45:36Tu vê eles dançando, é o caqueado puro.
45:39Vão estar lá no Detal.
45:40Vão estar no Detal.
45:41A gente vai levar eles e tal.
45:43Que é dia?
45:4414 de setembro, lá em São Paulo.
45:45Vai ter muita gente legal.
45:47Eu não estou de cabeça aqui lembrando.
45:51Mas assim, dia 14 de setembro, vai lá
45:53que tem atração pra caramba lá.
45:54Vai ser lindo, cara.
45:55Vai ser lindo.
45:56Bacana isso.
45:57E, Félix, já que a gente está no assunto,
46:00o que você acha dessa história da COP?
46:02O que isso, na verdade, movimentou?
46:05Movimentou ou não movimentou?
46:06O que aconteceu no meio da música,
46:09nesse contexto todo aí de...
46:11Cara, eu acho assim...
46:12Se cria uma expectativa além do que é?
46:19Vamos parar pra pensar.
46:20A COP é uma conferência pra falar sobre clima.
46:25Que é uma coisa de extrema importância.
46:27Falar sobre clima.
46:29Onde vão reunir pra discutir ideias,
46:31pra melhorar o clima,
46:35principalmente daqui da Amazônia,
46:37no mundo todo,
46:38mas aqui a Amazônia,
46:39que é o pulmão do mundo,
46:41como se fala, se falou por muito tempo.
46:44Não é um evento de música.
46:49A COP não é um evento,
46:51não é uma festa.
46:52Claro que,
46:54a partir desse evento de extrema importância,
46:58como nós vamos receber várias pessoas de fora,
47:01a gente pode receber essas pessoas com alegria,
47:03com festa,
47:05com eventos...
47:05Mostrando a nossa identidade.
47:06Mostrando a nossa identidade.
47:07Nós somos daqui, né?
47:08Embelezando a nossa cidade,
47:10mostrando uma coisa melhor.
47:11Nós tentarmos também mostrar um comportamento melhor,
47:16de não jogar lixo na rua, por exemplo.
47:18Acho que já é um pequeno...
47:18Criar isso, né?
47:19Criar hábito, né?
47:20É um pequeno ato,
47:22é um pequeno ato já de não jogar lixo na rua.
47:24É, organizar a fila para entrar no elevador.
47:26É, vamos dizer que...
47:28Vamos dizer que...
47:31Se não fosse a COP,
47:33se fosse o maior evento de música do mundo,
47:37vai rolar aqui em Belém do Pará,
47:39um evento que vai tocar Rolling Stones,
47:42vai tocar Lady Gaga,
47:43vai tocar tudo isso.
47:45Se fosse isso,
47:46mesmo se fosse isso,
47:48a nossa realidade depois,
47:50ia continuar muito parecida, cara.
47:53Porque não é uma coisa que vai mudar tudo.
47:56Tu tá entendendo?
47:57Eu acho que é um comportamento que tem que permanecer.
48:00Ah, esse ano vão ter muitos eventos culturais?
48:03Vão.
48:04Bacana.
48:04Eu acho legal, porque é trabalho para mim.
48:07Esse ano é um ano de décimo terceiro.
48:09Vamos dizer assim.
48:11Antecipado.
48:11É, mas a gente tem que entender que há vida depois da COP.
48:17Então, a gente tem que saber trabalhar.
48:20Tu pode ser afobado,
48:21tu pode ficar passando a perna nos outros,
48:23trabalhar com muita sede ao pote,
48:28muito oportunismo.
48:29Não superfaturar, né?
48:31Feio isso, né?
48:32Superfaturar, oportunismo, sabe?
48:34Aquele que nunca fez nada parecido.
48:37É isso que tem que se aprender e deixar isso...
48:39É.
48:40Eu sou um pouco preocupado só com isso.
48:42Mas preocupado assim, não.
48:43Do mesmo jeito que eu acho que a COP vai passar,
48:46eu acho que vai rolar,
48:48eu não sei o que pode acontecer de muito bom,
48:52uma coisa negativa,
48:54eu acho que sempre vai ter uma coisa positiva
48:55e uma coisa negativa.
48:56Eu acho que vai rolar.
48:57Mas, assim, eu acho que não é nada que vá
48:59destruir a cidade, assim,
49:01mas também nada que vá alavancar a cidade
49:03que vai mudar da noite para o dia.
49:05Eu acho que as coisas vão mudando aos poucos.
49:06Eu acho que o artista tem que estar preparado
49:10para apresentar um trabalho legal,
49:13apresentar um trabalho honesto,
49:14um trabalho verdadeiro sobre a música paraense,
49:17mostrar a nossa cidade,
49:18mostrar o respeito que a gente tem pela nossa cidade,
49:21se valorizar,
49:22porque vai estar muita gente de fora,
49:24a gente tem que se valorizar, sabe?
49:26A gente tem que valorizar os outros.
49:27Não adianta a gente...
49:29Por que é que eu vejo?
49:30Eu sempre falo isso no show.
49:32Às vezes rola uma novela
49:33que tem um personagem paraense.
49:35Aí o cara mete um égua errado ali,
49:39todo mundo critica, né?
49:41O cara não sabe nem falar o égua,
49:43não se sabe falar o égua.
49:44Aí o cara está tomando açaí com granola,
49:47aí o cara fala açaí com granola,
49:48ninguém gosta de açaí com granola,
49:50Belém do Pará não existe isso,
49:51ah, não sei o quê.
49:53Mas quando é um artista
49:54que está lá representando o trabalho lá fora,
49:58cadê essa defesa toda?
50:01Às vezes vem mais crítica do que defesa.
50:02Eu acho que tem que ter essa defesa.
50:05Essa defesa da nossa cultura,
50:07pô, vamos valorizar,
50:08vamos pegar leve com a galera,
50:09com os artistas,
50:10vamos entender que ali é um trampo,
50:13não é fácil furar bolha,
50:15não é fácil chegar nos lugares.
50:16Então vamos entender que ali, sabe?
50:19O cara não está comendo açaí,
50:20tomando açaí com granola, pô.
50:22O cara não está falando o égua errado,
50:23entendeu?
50:24O cara está tentando alavancar um pouco
50:25da nossa cultura.
50:26Eu acho que a gente tem um pouco de parar,
50:28parar com isso
50:29e defender de verdade o que é nosso.
50:31Eu acho que uma das coisas que a gente tem que perceber
50:32é o seguinte,
50:33a cópia é nossa.
50:34É.
50:34A cópia é nossa.
50:35Ela vai ver a nossa realidade.
50:38E se é negativo ou positivo,
50:39é super positivo.
50:40Tem que mostrar o que a gente é.
50:41Isso.
50:42Para que a gente vai maquiar?
50:43Para que a gente vai tentar mostrar?
50:45As pessoas ficam comparando,
50:46por exemplo, Dubai.
50:47Isso é absurdo.
50:49O tipo de comparação idiota.
50:50Nenhum lugar no Brasil dá para comparar.
50:52Então que pelo menos fique o entusiasmo.
50:55Isso.
50:56O entusiasmo para você melhorar isso,
50:58para você ter consciência ambiental,
51:01para você não ir para o cumbu
51:03e jogar latinha dentro dos rios.
51:06E eu acho que é uma parada de encorajar.
51:08Por exemplo,
51:10do começo do ano para cá,
51:12do final do ano passado para cá,
51:14todos os estabelecimentos,
51:16principalmente os bares,
51:17eu estou falando de lugares propícios
51:19para eu tocar e a classe,
51:22a nossa classe artística tocar.
51:23todos esses lugares,
51:24eles começaram a se adaptar regionalmente.
51:28Sim.
51:29Até com repertório regional.
51:31Isso já é um impulsionamento.
51:32Já é.
51:32Por conta da cópia.
51:33Mas que isso não desmonte isso depois da cópia.
51:37Que esses lugares não voltem a ser aqueles lugares...
51:40Não, muita gente começou a empreender a partir daí também.
51:42Pois é.
51:43Isso é que é bacana.
51:43Isso é que vai ficar para a gente.
51:45Que isso continue.
51:46Que valorize os artistas.
51:46Isso que vai estar uma semana depois da cópia.
51:48Claro.
51:48Isso que é.
51:49E eu acho que,
51:50voltando ao assunto do Detal,
51:51eu acho que vai ser muito bacana.
51:53A gente ir lá em São Paulo.
51:55E não é só o Detal.
51:56Dia 20,
51:57no Amazonia Live,
51:58hoje sempre,
51:58lá no Mangueirão.
51:59Sim.
51:59Que vai estar a Ivete,
52:01a Viviane Batidão.
52:02Vai estar a gente também.
52:04Na bateria,
52:04baile show.
52:05Mesmo show lá do Detal
52:06vai fazer também no Mangueirão.
52:09E vai se qualia também.
52:11Mesmo show.
52:12E vai ser muito bacana.
52:13E eu vou falar de antemão.
52:16Parece que a gente está indo agora em agosto
52:17também para a França fazer uns shows.
52:19Agora.
52:20Não sei o dia.
52:21porque está fechando,
52:22porque depende...
52:23A bateria é baile show.
52:24Não,
52:25já é o Félix Robato.
52:26Ah, tá.
52:26Já é o Félix Robato.
52:27Eu e a minha equipe,
52:28a mesma equipe que faz o show
52:30no Apoena,
52:30a gente vai dar uma circuladinha lá.
52:32Eu não sei dizer as datas ainda,
52:33porque ainda está fechando tudo de jeitinho.
52:35Mas já estamos já na...
52:37preparando tudo para ir para a França
52:39agora em agosto.
52:40Que vai ser...
52:41Quando eu te falo
52:42que tudo acontece ao mesmo tempo,
52:44é engraçado,
52:44é que tudo é ao mesmo tempo.
52:45É agosto.
52:46Isso é bom,
52:47é bom,
52:47é bom.
52:48É ótimo.
52:48A cidade está entusiasmada.
52:50É bom para todo mundo,
52:51claro.
52:51É,
52:51a gente tem que estar preparado.
52:52Agora,
52:52a última pergunta,
52:53uma pergunta curiosa.
52:54O que você faz para cultivar
52:55essa barba agro,
52:57porque você é uma plantação de barba.
52:59Você é a Amazônia.
53:01Como é que faz para cuidar disso?
53:03Cara,
53:03a minha barba,
53:05eu falo,
53:06eu cuido igual
53:07como se fosse um cabelo grande.
53:09Shampoo,
53:09condicionador,
53:10toda hora.
53:11Se eu for tomar
53:11quatro,
53:12três,
53:13quatro bandos no dia,
53:14eu passo shampoo,
53:16condicionador nem sempre,
53:17mas shampoo eu passo sempre.
53:19Porque barba,
53:19ela não é igual cabelo.
53:21A barba,
53:22tudo que a gente come,
53:23ou se eu estou em um lugar
53:24que tem alguém fumando,
53:26alguma coisa assim,
53:27tudo meio que impregna,
53:28sabe?
53:28Aí tem que lavar toda hora.
53:30Aí eu lavo,
53:31penteio,
53:31agora eu penteio.
53:32Como é para tomar açaí,
53:33por exemplo?
53:34Não,
53:34tomar açaí eu tomo de boa,
53:35porque eu miro na boca
53:36e tomo açaí.
53:38Mas assim,
53:39um xistudão,
53:40boa,
53:40xistudão,
53:41meu irmão.
53:42Xistudão,
53:42fica assim.
53:43Tá certo.
53:43Chegou algum momento
53:44que você tirou a barba?
53:45Tirei na pandemia,
53:47cara.
53:47Tirou a barba,
53:49a história de os bichinhos
53:50estarem por aí, né?
53:51Eu fiquei com medo.
53:51Rapaz,
53:52fiquei com medo na pandemia,
53:53fiquei com muito medo.
53:54Tinha que tirar a barba.
53:55É,
53:55eu falei,
53:55não,
53:56vou tirar.
53:56Não,
53:56até porque não dava para usar máscara,
53:58né?
53:58Assim,
53:59não tinha como.
54:00Eu botava a máscara
54:00e aí a barba aqui.
54:02Aí vai que alguém espirra
54:04perto de mim,
54:04aí fica na...
54:06Aí eu falei,
54:06não,
54:06quer saber,
54:07eu vou tirar,
54:08vou tirar.
54:09Tá beleza,
54:10tirei,
54:11postei,
54:12rapaz,
54:12mas fiquei com tanta vergonha depois,
54:14eu não consigo me ver assim na foto.
54:15Tu não consegue mais te ver sem barba?
54:16Eu fico com vergonha.
54:17Parece que eu estou postando um nude.
54:20E Sônia diz o quê?
54:21Cara,
54:22ela prefere com a barba.
54:24Ela quer a barba?
54:24Claro.
54:25Ela fala,
54:25tomara que cria logo essa barba aí,
54:27que ela não gosta muito da...
54:28sem barba, não.
54:30Tá certo,
54:31querido,
54:31obrigado,
54:31prazer de estar aqui.
54:33Bacana,
54:33bacana.
54:33Muito obrigado.
54:34Bacana.
54:35E a gente está aí,
54:37né?
54:37Vamos continuar com esse entusiasmo.
54:39Vamos.
54:39Que esse entusiasmo seja prolongado,
54:42na verdade, né?
54:43Isso, isso.
54:43Não é esse momento de cópia,
54:44não é só agora,
54:46é que a gente continua...
54:46Que seja um estímulo,
54:49assim,
54:49um pontapé pra gente pegar beira, né?
54:52Sempre, sempre, permanente,
54:52permanente.
54:53Obrigado.
54:54A gente dedica esse programa
54:55à Dona Sônia,
54:56que vai estar em casa mesmo a gente,
54:57que não pode vir.
54:58Beijão.
54:59Esse programa é pra você,
55:00tá certo?
55:01Beleza.
55:01Muito obrigado.
55:02Valeu.
55:03Este é o Mangarosamente,
55:05que você assiste no Libplay,
55:06dentro de o liberal.com.
55:10Obrigado.

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