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  • há 11 meses
Muito antes de sequer pensar em se tornar publicitária, Gláucia, CEO da Artplan São Paulo, começou a trabalhar aos nove anos de idade, em uma distribuidora de gás. Ainda na adolescência, teve empregos como o de recepcionista e vendedora em loja de roupa. Descobriu o tino empreendedor quando resolveu vender coco para pagar o colégio técnico. Pouco mais tarde, descobriu que desejava ter uma carreira como profissional de mídia em agências.
Transcrição
00:00Olá, eu sou Isabela Lessa, esse é o podcast A Ideia, que é um espaço para conversas sobre as ideias que regem as trajetórias e os negócios das pessoas.
00:10Minha convidada de hoje é uma publicitária que construiu sua carreira na área de mídia, com uma expertise muito voltada para os meios tradicionais,
00:18mas logo ela teve que se adaptar aos meios digitais, mas sempre buscando olhar para a mídia com um olhar de negócios.
00:24Depois de muito tempo trabalhando em agências ditas tradicionais, ela foi convidada a trabalhar em uma agência independente de um grupo 100% nacional, que é o grupo Dreamers.
00:35E ela foi convidada para ser CEO dessa agência, que é a Arteplan, agência que deu origem ao grupo.
00:41Mas antes de tudo isso, ela vendeu coco na rua para pagar os estudos.
00:46Em uma entrevista recente para o Meio Mensagem, ela disse que uma das belezas da vida é que as coisas estão conectadas sem você saber exatamente porquê, num primeiro momento.
00:56Eu estou falando da Glaucia Montanha, seja muito bem-vinda.
00:59Obrigada pelo convite e obrigada pela oportunidade.
01:07Bom, Glaucia, vamos começar dessa história.
01:10Como é que foi vender coco na rua? Foi uma iniciativa sua?
01:15Como é que você cresceu?
01:18Me conta um pouco de quem é a Glaucia antes de tudo, antes da carreira de publicitária.
01:23Então, vamos lá. Eu comecei a trabalhar com nove anos.
01:26Hoje, se você falar isso, dá uma sensação meio assustadora, né?
01:30Mas não era na época na minha cabeça.
01:32Então, eu comecei a trabalhar numa distribuidora de gás, eu separava ali uns parafusos para poder ajudar em casa, né?
01:38Minha mãe trabalhava em dois empregos e eu via que ele queria ajudar.
01:42Aí, logo, eu vi que se eu ajudasse a levar o gás, assim, o bujão de gás no carro, eu ganhava caixinha.
01:48E aí, eu comecei a fazer esse serviço.
01:50De lá, eu sempre tive o sonho de fazer colégio técnico, mas eu sabia que as condições iam ser muito difíceis.
01:56Saí de lá, fiquei três, quatro anos, fui trabalhar como recepcionista em loja de roupa.
02:00E aí, eu comecei a olhar um colégio técnico, que era de processamento de dados.
02:05Eu fui lá, vi o valor da faculdade, o curso técnico, não tinha dinheiro.
02:09E falei, como é que eu vou fazer para poder conseguir trabalhar e estudar num lugar que eu queira?
02:16E aí, eu comecei a procurar emprego, eu procuro emprego, fui parar na Associação Paulista de Medicina.
02:21Eu tinha 15 anos e eu trabalhava numa área que chamava Serviços Gerais.
02:26Lá era uma área onde eu fazia praticamente as coisas de despachante para os médicos.
02:31Então, os médicos chegavam lá para poder fazer a parte de despachante.
02:35Os médicos tinham muita dificuldade de mexer no computador, então eu ajudava também.
02:39E ali, mais ou menos, dava para ajudar em casa.
02:42Foi quando eu tive a brilhante ideia de montar um empório.
02:46Ele tinha um por um.
02:48E eu chamo de empório na época porque parecia um nome chique.
02:51Ele tinha uma geladeira e uma estufa de salgado.
02:55E aí, eu comprei umas cadeiras para pôr na rua, que eu falei, saio daqui, vou para o colégio ao técnico.
03:01De lá, eu abro o empório, 9, 10 horas da noite, que deve ser isso.
03:05Minha mãe sempre desesperada com as coisas que eu inventava.
03:08E aí, eu fiz uma inauguração.
03:11Quando eu fiz essa inauguração, três dias depois, veio a lei do PSIL.
03:15Ou seja, eu fali.
03:17Então, além de ter que ter o dinheiro para o colégio técnico, eu agora tinha uma dívida para pagar.
03:21E aí, eu falei, o que eu vou fazer para pagar essa dívida e para estudar?
03:26E aí, um dia, eu lembrei na praia que ficava um monte de coco.
03:30Eu falei, e se eu vendesse água de coco?
03:32Eu comecei a pesquisar isso.
03:34Aí, descobri que o coco Ceará, você pagava como se fosse 60 centavos.
03:38E dava para vender quatro copos de coco por um real.
03:41Aí, eu falei, vou vender coco.
03:43E aí, imagina, eu tinha 15 anos ali nessa época.
03:46Não tinha carro, não tinha nada.
03:49E aí, eu falei, como é que eu vou vender coco?
03:50Aí, eu fui numa serralheria e expliquei para o cara mais ou menos.
03:55O cara falou, olha, tem um negócio que fura o coco, vai uma serpentina, dá para fazer um carrinho.
03:58Embaixo, você coloca pelo menos 10, 15 cocos, você empurra.
04:01Eu falei, faz.
04:03Aí, ele fez, contratei um carreto e comecei a pensar onde eu vou vender.
04:07Aí, eu fui parar no Parque Buenos Aires, na Higienópolis.
04:10E você morava onde, Lácia?
04:12Eu morava no Tatuapé.
04:13Então, longe pra caramba.
04:15Aí, aluguei um carreto, fui até lá.
04:16Quando eu cheguei lá, falei, onde eu vou guardar o carrinho?
04:18Tinha uma banca de jornal que tem até hoje lá.
04:21Aí, eu contei a história para a moça.
04:23Ela falou, olha, você pode parar aqui atrás do carrinho.
04:25Só que eu não contei que ia ter que guardar o coco também, porque eu não tinha carro.
04:29E aí, aos pouquinhos, eu ia levando uns cocos e deixando do lado.
04:32Ela foi vendo e foi deixando.
04:33E aí, eu montei o meu carrinho ali na entrada do Parque Buenos Aires, na Higienópolis.
04:39E o que eu ia fazer para vender?
04:41Aí, eu troquei meu horário do trabalho para chegar meio-dia, para trabalhar à tarde,
04:45para poder ir para o colégio.
04:46Ainda eu nem tinha feito o colégio, estava saindo, ele estava fazendo conta para poder entrar.
04:51E eu vendia de manhã.
04:52E aí, foi muito engraçado, porque na primeira semana, eu vendi bem.
04:56Aí, eu fiz a conta e falei, consigo pagar o colégio técnico.
04:59Fui até lá, tinha aumentado, mas tinha uma coisa que chamava FIES, que até hoje tem.
05:03E aí, eu descobri o FIES.
05:05Falei, bom, eu vou entrar no FIES, mas eu vou encarar essa.
05:09Entrei, então, ajudava em casa e pagava a escola com coco.
05:12E aí, é muito engraçado, porque quando eu falo que as coisas estão conectadas, né?
05:17Hoje, até tem essa marca, mas na época, meu coco chamava Cocomania.
05:21Eu cheguei a pegar um coco, coloquei um canudinho, achei no Clipart, que tinha aquela época do Morde.
05:27Coloquei isso e me andei a imprimir, coloquei lá no meu carrinho.
05:30E aí, eu vi que o pessoal começou a beber água de coco, a consumir.
05:35E aí, eu falei, tá, o que eu faço para consumir mais?
05:37Eu fiz um folheto dos benefícios do coco.
05:39Aí, eu entregava os folhetos.
05:41Então, quando acabava o coco, eu estacionava meu carrinho, ia no parque e entregava.
05:46Fez a mídia dela, né?
05:47Fez a minha mídia ali, criação e mídia.
05:49Fez a minha criação e a minha mídia.
05:51E aí, comecei a juntar, mas ainda faltava muito.
05:55Aí, um dia, eu li no jornal que ia ter aquele evento do Dia do Trabalho da CUT.
06:00Falei, vai ser ali que eu vou fazer meu ano.
06:04Aí, fui, achei um lugar para deixar os cocos dois dias antes, levei, fiz.
06:07E foi uma experiência muito engraçada.
06:09Porque, assim, eu lembro que era nove horas da manhã, dez horas tinha acabado tudo.
06:15E aí, eu falava, como é que eu vou conseguir gelo para pôr na serpentina?
06:17Eu ligava para algumas pessoas que eu conhecia.
06:19E é muito legal quando você tem rede de amigos, assim.
06:22Aí, um levava para mim o gelo, outro levava não sei o quê.
06:24E, assim, eu levantei o dinheiro naquele dia para sair das minhas dívidas.
06:28E fiquei ali uns dois anos nessa vida de dois trabalhos para poder pagar os estudos.
06:33Era o colégio técnico.
06:35E, depois, para a faculdade, qual que foi o corre que você teve que fazer?
06:38Então, aí, eu terminei o processamento de dados.
06:41Achei muito legal o curso.
06:43Mas, eu tinha acabado de entrar na Associação Paulista de Medicina.
06:46Então, eu falei, bom, é óbvio que a minha trajetória deveria fazer administração hospitalar.
06:51Aí, fui fazer administração hospitalar.
06:53Cheguei lá no curso, fiz o primeiro ano.
06:56Não gostei.
06:57Eu falei, não tem nada a ver comigo.
07:00Aí, eu fiz segundo ano.
07:01Eu falei, o problema deve ser hospitalar.
07:03Então, eu vou tirar o hospitalar e vou ficar só de administração.
07:06Aí, eu fiz administração.
07:07Estava no segundo ano.
07:09Já estava difícil conciliar a faculdade com o Coco.
07:11Então, eu estava só no trabalho.
07:13Com o Fies, de novo, pagando a faculdade.
07:16E aí, eu lembro que, um dia, eu estava na sala.
07:18E eu nem imaginava.
07:19Você vê que as coisas vão se conectando, como eu te disse outro dia.
07:23E era uma prova.
07:23E a HP era muito cara naquela época.
07:25Eu não tinha dinheiro para comprar HP.
07:26E eu estava na prova.
07:29E eu pedi no HP para as pessoas.
07:30Ninguém pude emprestar, porque eu estava usando.
07:33Aí, tinha uma menina na minha frente, que eu pedi HP emprestado.
07:35Ela falou, eu tenho que ir embora.
07:37E aí, eu fiquei tão irritada.
07:38Eu olhei aquela situação ali.
07:39Eu fiquei tão, assim, com falta de empatia.
07:42Das pessoas dividirem.
07:44Que eu peguei a caneta na minha maturidade, dos 17 para 18 anos.
07:48E escrevi, não tenho a HP.
07:51Entreguei.
07:51Saí da prova.
07:52Fui na secretaria.
07:53E os meninos da secretaria falavam, de novo, porque eu tinha feito nesse mesmo lugar.
07:57Processamento de dados.
07:58Aí, lá, tinha a faculdade.
07:59A faculdade de administração hospitalar.
08:02Um ano, eu tinha mudado para administração.
08:05Aí, cheguei lá na secretaria.
08:06Eu falei assim, qual é o curso que não precisa usar HP?
08:10O menino já sabia até meu nome.
08:11Aí, ele falou, Glaucia, tem economia que vai precisar usar HP.
08:15E a outra que a gente tem é comunicação social.
08:19Eu falei, não tem HP nessa daí.
08:20Ele falou, não.
08:21Eu falei, então, me escreve nessa daí.
08:22E aí, fui parar em comunicação social.
08:26Nunca tinha pensado, passado pela sua cabeça, antes de fazer publicidade, comunicação social, enfim?
08:31Nunca tinha passado.
08:33Para falar a verdade, eu nem sabia que comunicação social era publicidade.
08:38Que pode ser, abrange também jornalismo, né?
08:41É, mas é que na minha época, como eu sempre trabalhei muito, então, para mim, eu não fiz curso de aptidão.
08:45Eu não tinha interesse, assim.
08:47Minha vida foi acontecendo, ela não foi planejada.
08:50Então, para mim, comunicação social, eu achava que tinha alguma coisa a ver com social.
08:55Então, eu falei, talvez seja alguma coisa para ajudar as pessoas.
08:58Eu não entendi muito bem quando eu fui parar nisso.
09:01Não entendi.
09:02Eu falei, mas eu vou fazer esse curso.
09:04E aí, as coisas vão acontecendo.
09:05Porque, quando eu comecei a fazer comunicação social, eu trabalhava nessa área de serviços gerais, né?
09:12E eu via que os médicos, eles, tudo eles chegavam lá e pediam desconto.
09:16Tem desconto?
09:17Eu falava, não, a taxa do Detran tem desconto, né?
09:19Aí, eles não sabiam mexer no computador.
09:22Aí, eu falei, já sei.
09:23Vou montar um guia de desconto.
09:26Aí, eu peguei, fiz um projeto, mostrei para o meu chefe.
09:29Ele falou, tá, toca.
09:29Como é que funcionava?
09:32Eu ligava para hotéis, para restaurantes.
09:34Falava, olha, eu sou da Associação Política de Medicina.
09:36A gente tem não sei quantos mil associados.
09:38Você quer fazer um anúncio no nosso guia de desconto?
09:41Aí, alguns diziam, não.
09:43Outros diziam, sim.
09:44Inventei os preços.
09:45Não tinha a mínima ideia.
09:46Mas, só para entender.
09:48Eles anunciavam, mas aí era em troca de quê?
09:51Ganhava-se desconto.
09:53Na verdade, assim, quando eu tive a ideia do guia de desconto, era um guia.
09:56Então, eu ligava para você e falava, você é de um hotel.
09:59Falava, quer participar do guia da Associação Política de Medicina?
10:01Ele vai para 27 mil médicos.
10:04Tá.
10:04Aí, a pessoa falava, sim.
10:06Mas, você precisa dar algum desconto.
10:08Ah, entendi.
10:08Aí, eles davam desconto a 10%.
10:10Na segunda ligação, um hotel falou para mim, mas eu não tenho anúncio.
10:15Aí, eu falei, seja por isso.
10:16Eu abri o Word, fiz um anúncio.
10:19Se o Rafa Jô ouvisse isso, printei ali.
10:22Coloquei em JPEG.
10:23Eu fico imaginando como é esse guia hoje.
10:26Certamente, ia me divertir muito.
10:28E aí, eu acabei vendendo 80 anúncios.
10:32E acabou dando um dinheiro bastante relevante naquela época.
10:35Só que a Associação Política de Medicina é sem fins lucrativos.
10:39Então, você tem que pegar aquele dinheiro e fazer alguma coisa com ele.
10:44Aí, eu peguei.
10:45Estava com 17, 18 ou 19 anos aqui.
10:49Eu fiquei sete anos lá.
10:50Entrei com 15 e saí com 22.
10:51E aí, eu fiz um projeto da minha cabeça, que eu tinha aprendido em administração sobre
10:57o Business Plan.
10:58Eu fiz um projeto sobre criar o CENTE, que era o Centro de Ensino e Treinamento.
11:04Com guia de desconto esse dinheiro, eu ia comprar uns computadores.
11:08Eu já tinha dado...
11:09Eu já tinha feito, na verdade, processamento de dados.
11:12Já tinha visto que os médicos não sabiam mexer no computador.
11:14E falei, vou dar aula para os médicos.
11:18Então, eu fiz uma planilha onde eu usei todo o dinheiro.
11:20Levei para o meu chefe.
11:22E ainda pedi um andar inteiro do prédio.
11:24Porque a gente tinha um prédio.
11:25Aí, levei para o meu chefe.
11:27E é muito engraçado dizer quando eu lembro hoje disso.
11:30Ele adorou o projeto e falou, então, eu vou te promover.
11:33Aí, ele fez um memorando.
11:35Escreveu que tinha que ser promovida.
11:37Era um aumento, sei lá, quatro, cinco vezes mais.
11:40E já tinha um cargo.
11:41E ele mandou para o RH.
11:43Médico, né?
11:43Aí, obviamente, em sã consciência, uma profissional de RH olhou aquilo.
11:49E falou, olha, ela é muito nova.
11:52Não dá para a gente fazer isso, mas eu vou fazer um plano de carreira.
11:54E aí, eu descobri que existe plano de carreira.
11:56Ali, a primeira vez que eu ouvi falar sobre isso.
11:58Eu lembro até hoje.
11:59Ela dobrou o papel, que era o memorando, e escreveu o meu plano de carreira atrás.
12:02Dez pessoas carimbaram.
12:04E eu tinha um plano de carreira.
12:06Não ganhei um andar inteiro, mas ganhei meio andar.
12:09E aí, foi muito legal.
12:10Porque, sem imaginar, a publicidade estava um pouco ali.
12:12Eu fazia o guia de desconto.
12:14O guia foi crescendo.
12:15Eu precisei contratar professores.
12:17Então, começou a crescer aquele centro de ensino.
12:20E aí, em determinado momento, eu tinha 21 anos.
12:24Era coordenadora de um departamento.
12:27A ONI e a FAL estavam procurando a gente para fazer projetos.
12:31E eu me vi com uma sala, com 30 pessoas na equipe.
12:35E eu falava assim, meu Deus, do coco para o curso, para o guia, e eu aqui.
12:39E aí, as coisas que eu aprendia na faculdade, eu tinha certeza que eu estava usando tudo lá.
12:43Então, eu fazia embalagens.
12:45Eu fazia uma série de coisas.
12:47E eu fiz, acho que, quatro ou cinco guias.
12:49Ou seja, muito antes de você descobrir a publicidade, você já tinha descoberto a publicidade.
12:55Porque você já fazia isso na prática.
12:57Você descobriu o empreendedorismo, como fazer negócio, negociação, como conseguir vender o seu produto.
13:06Então, você fez a sua própria escola ali ao longo da adolescência.
13:11Foi e nada planejado.
13:12Eu já te disse, acho que isso uma vez.
13:14Eu cheguei mais longe do que eu previa.
13:16Então, quando eu olho, as coisas não são planejadas, mas elas são conectadas.
13:21Então, uma coisa foi servindo para a outra.
13:23Então, eu não imaginava que o processamento de dados, eu ia dar aula.
13:27Administração hospitalar, eu ainda não entendi.
13:30Para que eu vou usar?
13:31Mas administração, eu usei.
13:34Mas quando eu olho, eu sempre, quando eu vejo alguém com 18 anos, que fala,
13:36ah, eu não sei o que eu quero estudar, não sei o que eu quero da vida.
13:39Eu falo, olha, relaxa.
13:40Eu fiz processamento de dados, administração hospitalar, administração e comunicação.
13:45Isso porque eu sabia bem o que eu queria.
13:47Imagina quem não sabe.
13:49E muita gente planeja muito a vida, né?
13:51É curioso ouvir você falar isso, que as coisas foram acontecendo.
13:56Porque hoje, acho que muita gente, né?
13:59E tem algumas explicações para isso, né?
14:02Hoje a gente está vivendo uma...
14:03Sendo bombardeado para ser performático, né?
14:07Para ter resultado, para ter performance.
14:09Isso exige um planejamento.
14:11Então, é curioso ouvir você falar que as coisas foram acontecendo.
14:14Muitas vezes é assim na vida, né?
14:16Você não planeja, mas as coisas...
14:18Elas acontecem.
14:18E, às vezes, você acha recurso de onde você nem tem, né?
14:21Para você ter uma ideia.
14:23Eu fiz o colégio técnico que eu queria.
14:26Paguei três anos dele com o dinheiro do coco.
14:29Então, era muito engraçado.
14:30Porque, assim, quando eu precisava comprar o livro, eu ficava um dia até mais tarde.
14:34Então, nada planejado.
14:35Mas as coisas foram meio feitas como sobrevivência, sabe?
14:39E aí, quando você se descobriu publicitária?
14:44Foi durante o curso?
14:46Quando que você começou a se relacionar mais com o mundo da publicidade?
14:51Você gostava de ver comercial desde criança?
14:54Como é que foi?
14:55Eu tinha certeza que eu estava fazendo comunicação social para continuar fazendo o guia de desconto.
15:00Então, na minha cabeça era isso.
15:02Até um dia que eu vi na faculdade uns cartazes escrito FESTAP.
15:07Aí, eu comprei esse ingresso do FESTAP.
15:10E falei, ah, eu vou lá nesse final de semana, ver o que tem nesse FESTAP.
15:14Aí, eu lembro que eu não tinha dinheiro para comprar o ingresso na época.
15:18Aí, uma amiga minha me deu o ingresso.
15:20Eu cheguei em casa.
15:21Era um sábado, estava chovendo.
15:22Eu falei, ah, eu não vou.
15:24Aí, minha mãe falou, vai sim, porque você gastou, você comprou, tem que ir.
15:28E fui totalmente despretenciosa, aceitei lá no FESTAP, aquele auditório lotado.
15:35Aí, entrou um cara de criação, apresentou.
15:37Entrou um cara de planejamento, apresentou.
15:39E as pessoas iam apresentando.
15:41Até que entrou um profissional de mídia.
15:43E ele começou a falar o que era mídia.
15:46Eu estava ali no meu último ano de plano de carreira.
15:51E eu ficava pensando, o que vem depois?
15:54Para onde eu vou?
15:55O que vai acontecer?
15:56Aí, quando eu vi ele falando, eu falei, já sei.
15:59Quero ser isso aí que ele está falando.
16:01Aí, sabe aquele auditório que tem lá 500 pessoas e o cara, pura educação, fala assim,
16:06quem quer perguntar alguma coisa?
16:08Aí, eu levantei a mão.
16:10Aí, trouxeram o microfone.
16:12E eu falei, ah, eu queria que você me desse dicas para quem quer ser mídia.
16:15O que você falou, eu queria algumas dicas.
16:17Aí, ele me falou três coisas.
16:19Ele falou assim, olha, eu recomendo que você assine o Meio Mensagem,
16:24que você assine o Gazeta Mercantil e que você compre os livros do Grupo de Mídia.
16:29E ele falou, e por último, eu diria que você tem que ousar.
16:33Aí, quando eu entreguei o microfone, eu falei, não me ajudou em nada.
16:35Nada, né?
16:36Só mais despesa.
16:37Aí, cheguei em casa, fiz as contas, assinei o Meio Mensagem, assinei o Gazeta.
16:43Aí, os livros do Grupo de Mídia eram caros.
16:45Aí, também fiz conta e comprei a perder de vista.
16:49E eu, de fato, comecei, durante um ano, consumir aquilo.
16:52Na verdade, um ano não, acho que foram seis meses.
16:55Eu comecei a consumir.
16:56Eu lia todas as páginas do Meio Mensagem.
16:58Eu lia a Gazeta Mercantil.
16:59Difícil de entender a Gazeta Mercantil para uma jovem naquela época,
17:03porque ela era totalmente diferente do jornal que é hoje.
17:06E aí, eu comecei a ler aquilo.
17:08Eu sei que era muito engraçado, porque o Meio Mensagem chegava em casa.
17:11Como eu lia ele, minha família inteira queria ler também, para entender, porque era tão interessante.
17:16E eu comecei a ver alguns rostos, comecei a associar algumas pessoas.
17:20Aí, eu peguei e falei, olha, esse cara me deu três dicas, eu já fiz tudo, mas eu ainda não fui ousada.
17:25Aí, eu fui lá e mandei um e-mail para ele.
17:27Falei, olha, eu sou aquela menina que te perguntou, já gastei não sei quanto.
17:32Você falou que eu tinha que ser ousada.
17:33Eu vou estar de férias em um determinado mês, vou tirar 30 dias de férias.
17:38Eu queria fazer um estágio aí, para ver o que eu consigo aplicar do que eu estou lendo e aprendendo.
17:44Aí, ele falou, venha até aqui para a gente conversar.
17:46Aí, Isa, fui.
17:48Peguei duas conduções, demorei três horas para chegar na Bates Brasil.
17:53Aí, quando eu cheguei lá, a secretária disse, ele não pode te atender.
17:58Aí, eu voltei no meu auge da maturidade, que escrevi um e-mail.
18:03Falando um monte.
18:05Aí, no dia seguinte, tinha uma resposta dele, quando você quer começar seu estágio.
18:11E aí, eu cheguei na agência, no primeiro dia de estágio, e caí na área de pesquisa.
18:15E era muito engraçado, porque quando foram me explicar o sistema de pesquisa,
18:20para mim, ele não era difícil, porque eu tinha feito processamento de dados.
18:25E aí, quando eu comecei a ver aquelas planilhas, não era difícil, porque eu já tinha trabalhado com business plan.
18:29E aí, eu comecei a falar, tá bom, isso aqui é um business plan, isso aqui é um sistema evoluído.
18:35E aí, eu comecei a mexer, as pessoas falavam, de onde você veio?
18:37Que agência que eu vim?
18:38E eu não tinha vindo de nenhuma agência, mas eu sabia os termos técnicos, porque eu tinha lido de verdade.
18:43Passava alguém, eu sabia quem era a pessoa, porque eu acompanhava o meio mensagem,
18:47não sabia o que era a Bates Brasil, sabia o que eram as agências, sabia as contas,
18:50sabia o que eles tinham perdido, o que eles tinham ganhado.
18:52Então, era muito engraçado, porque era como, Isa, eu nunca tivesse não vivido aquele ambiente.
18:57Aí, deu 30 dias no meu estágio, meu chefe me chamou e falou, queria que você continuasse com o meu estágio.
19:04Aí, eu fiz a conta, a conta não fechava.
19:06Aí, eu falei, putz, quero muito continuar, é meu sonho ficar nisso daqui, mas não fecha a conta pra mim.
19:13Então, eu vou ter que voltar pro meu trabalho.
19:15Aí, ele falou, vou ficar com você na cabeça.
19:17Eu falei, bom, não sei se vai ficar.
19:20Passa um ano, meu telefone toca.
19:22Mas, nesse um ano, você voltou pra associação?
19:25Pra associação, pra associação de medicina.
19:26Continuei trabalhando, a empresa continuou, o departamento continuou crescendo, a gente fez mais projetos.
19:32Então, assim, ali eu estava com uma carreira estabilizada, assim, sabe?
19:36Não sei pra onde eu iria mais, mas, assim, eu tinha um projeto, um departamento, as coisas andavam.
19:41Ele dava receita, eu tinha liberdade de usar receita pra ter outras ideias,
19:45porque não podia gerar fins lucrativos.
19:49E aí, meu telefone toca um dia, quando eu atendo a RH, e falou, olha, a Bates Brasil está se juntando com a Young Rubicon.
19:56A gente fez uma fusão e a gente quer te chamar pra ser assistente.
20:01Aí, eu fui fazer uma entrevista, adorei, achei que era isso, mas eu pagava menos do que eu tinha.
20:06E, naquela época, minhas contas tinham começado a ajustar, elas estavam certinhas, assim.
20:10Não faltava, mas não sobrava muito.
20:12Eu ajudava em casa, pagava a faculdade, então eu estava, sabe, naquele limite do mês.
20:17Aí, era pra ganhar um pouco menos.
20:18Aí, eu falei, olha, eu vou fazer conta.
20:21Aí, fiz conta, fiz conta, fiz conta, a conta não fechava.
20:24Aí, liguei e falei, olha, você acha que você consegue subir um pouco mais?
20:26Ele falou, não, esse é meu budget, não tem como.
20:29Aí, fiz um pouco de conta e falei assim, ah, eu li num livro desses de autoajuda
20:33que você não pode receber a proposta de primeira.
20:38Então, eu falei, vou demorar três dias para responder,
20:40achando que era a dica do século.
20:44Aí, nisso, eu começo a ver outras pessoas comentando que da faculdade
20:48estavam se candidatando para essa vaga.
20:50Liguei e falei, fechei.
20:53Fui mesmo faltando dinheiro e fui.
20:56E aí, pra mim, foi um choque, porque, assim,
20:58eu já tinha ali uma sala, estava estabilizada.
21:01É muito engraçado que essas coisas têm um valor quando você é mais jovem, né?
21:05E fui parar numa mesa de escritório para ser assistente de mídia.
21:11Quando eu cheguei nesse lugar, tinha muita gente da minha época.
21:14E foi muito legal, porque eu tive muita rede de apoio.
21:16Eu lembro, no primeiro dia, primeiro que eu era a pessoa mais feliz da agência.
21:20Porque, naquele dia, era a fusão.
21:24Então, ninguém sabia quem ia ficar e quem ia sair.
21:27Mas eu tinha acabado de chegar, realizado o meu sonho,
21:29e nem sabia o que era uma fusão, o que ia acontecer.
21:32Então, eu falei, se tem alguém que está empregado, sou eu.
21:34Acabei de chegar no meu primeiro dia.
21:36Então, aquele ambiente tenso e eu feliz ali, que eu era a mais feliz da agência.
21:40E aí, tem várias coisas engraçadas no meio dessa história.
21:42Porque eu li que a agência, você precisava se vestir moderna.
21:45Aí, assim, se eu não contar isso, alguém vai te contar.
21:50Então, eu vou contar aqui.
21:52E aí, o que eu fiz?
21:52Eu queria ser uma moderna diferente.
21:54Comprei polainas.
21:56Então, eu combinava polainas com blusas.
22:00E, até hoje, outro dia, eu estava numa reunião.
22:02Aí, uma cliente me falou assim,
22:05você lembra da época que você usava polainas?
22:06Eu falei, parou, para quê?
22:08Para que contar isso para as pessoas agora?
22:10E aí, eu resolvi que eu era moderna.
22:11Então, além de chegar, eu destacava.
22:13Na época, eu tinha as polainas.
22:15A blusa e era a menina mais feliz da agência.
22:18E aí, eu lembro que eu sentava na mesa
22:20e meu chefe falava assim,
22:21você vai fazer um pedido de material de outdoor.
22:23Aí, eu ligava no ramal das meninas e eu falei,
22:25ele falou outdoor.
22:26Ela falou, vamos para o banheiro.
22:27Aí, a gente ia no banheiro.
22:28Ela falou, quantas folhas?
22:29Eu falei, eu perguntei de folha?
22:31Ela falou, você tem que perguntar, quantas folhas?
22:33Aí, eu voltava, dava um tempo e falava, quantas folhas?
22:36Aí, ele me respondia.
22:37Aí, tinha ramal, não tinha, né?
22:39O WhatsApp.
22:40Aí, eu falava, tantas folhas.
22:41Ela falou, vou te mandar por e-mail, como você faz?
22:43Então, eu tinha uma rede de gente me apoiando.
22:46Porque eu entrei como assistente,
22:48tinha vivido em pesquisa,
22:50mas não tinha a mínima noção.
22:51E cometi erros, assim, gravíssimos.
22:55E qual foi o pior erro?
22:58Ninguém me contou,
22:59porque, assim, a gente acha que assistente chega sabendo
23:01e deveria, talvez, né?
23:02Não era estagiária mais.
23:04E aí, eu mandava os PIs de compra de material
23:06e vinha uma via para mim.
23:08Como eu sou muito organizada,
23:10eu peguei uma pasta,
23:12coloquei que era revisto,
23:14que era jornal,
23:14que era TV,
23:15colocava tudo no plastique.
23:17E a minha pasta era a mais linda.
23:18Para você ter uma ideia, assim,
23:20eu, no colégio,
23:21eu não repetia a cor da caneta.
23:22Então, imagina como era a minha pasta com os PIs.
23:25Aí, um dia,
23:26deixaram de faturar como se fosse 3 milhões.
23:29E aí, estresse na agência,
23:30estresse na agência,
23:31estresse na agência.
23:32Aí, chega a diretora de atendimento
23:34e fala assim,
23:35onde estão os PIs de faturamento?
23:36Eu falei, ah, está aqui.
23:38Abri e dei a pasta lotada de PIs,
23:41que não foi para o faturamento.
23:43Então, não pagou,
23:45porque eu tinha que mandar uma cópia para o faturamento
23:47e ninguém me contou.
23:48Então, eu recebi uma cópia e falei,
23:49vou guardar para mim.
23:50E guardei na minha linda pasta.
23:52Quando eu peguei aquela pasta
23:53e entreguei a cara das pessoas na agência,
23:57era assim,
23:58de onde saiu esse ser?
24:00Nossa, você deve ter,
24:02você não sabia onde ia enfiar.
24:04E eu demorei para entender o problema,
24:05porque as pessoas falavam assim,
24:07por que você não entregou no faturamento?
24:09Eu falei, porque está aqui na pasta.
24:11Mas eu entrego.
24:12Não, não tem data para pagar.
24:14Falei, data?
24:14Mas não é boleto?
24:17Aí, eu só sei
24:18que as pessoas ficaram com tanta dó da minha cara
24:21de perceber que eu não entendi o que estava acontecendo,
24:24que essa passou.
24:26Mas, assim,
24:26isso para mim foi uma das coisas que marcou.
24:28Porque, por mais que eu tivesse lido tudo
24:30e eu ficava vivendo,
24:31algumas coisas eu tinha pulado.
24:33Então, o que eu precisava entender.
24:36Então, a pasta dos PIs faturados para mim marcou.
24:39O que mais te encantou naquele primeiro momento
24:43na área de mídia?
24:45Que foi naquela palestra, né?
24:48Antes, né?
24:49Quando você depois entrou em contato com esse cara
24:52e pediu emprego,
24:54o estágio.
24:56O que fez brilhar os olhos ali para você?
24:59É muito engraçado,
25:00mas ali,
25:01eu lembro o primeiro dia que eu fiz o estágio,
25:04eu saí realizado,
25:05é porque eu falei assim,
25:06caramba,
25:07eu consegui usar tudo o que eu sabia
25:09de processamento de dados.
25:10Eu me senti muito em casa.
25:12Foi muito engraçado.
25:13Então, assim,
25:13quando eu cheguei ali,
25:14é como se nada daquilo ali
25:16fosse uma novidade para mim.
25:18E aí, obviamente,
25:19eu estava muito bem preparada didaticamente,
25:23mas poder ver, assim,
25:24as coisas que eu lia na minha mensagem,
25:26o livro do grupo de mídia,
25:27e eu estar aplicando,
25:28e as coisas fazerem sentido,
25:30era muito desafiado.
25:31É como se a primeira vez
25:33as coisas tivessem se acertado, sabe?
25:35Então, eu chegava ali,
25:36alguém me explicava duas vezes,
25:37eu falava,
25:37já entendi,
25:38já entendi esse sistema.
25:40Então, para mim,
25:40foi um lugar que eu falei,
25:41caramba,
25:42aqui eu me encontrei.
25:44É muito engraçado, assim,
25:45porque não tem uma coisa,
25:46tem um sentimento, sabe?
25:47Daquelas semanas,
25:48e eu ia super feliz.
25:50E, obviamente,
25:51era muito longe,
25:53eu não tinha dinheiro
25:53para almoçar com a turma,
25:54então eu levava a minha marmita,
25:56aí a galera via
25:57e me chamava para almoçar com eles.
25:59Então, assim,
25:59foi tão legal aquele momento como um todo,
26:01que eu meio que tive que me desprender
26:03de um monte de coisa.
26:04E eu voltei para aquela parte
26:06de que eu tinha muita coisa
26:08que eu sabia
26:08e que eu tinha que aprender
26:09ao mesmo tempo.
26:10Então, o sentimento me marcou
26:11mais do que um...
26:13mais um momento,
26:14o sentimento do que um episódio,
26:15sabe?
26:16E anos depois,
26:17a área de mídia hoje
26:19se transformou muito.
26:20A gente vê muitas movimentações globais
26:23de concorrência
26:24por contas de mídia,
26:26que são lideradas por holdings,
26:28e aí eles pegam times
26:29de um pouco de cada agência e tal,
26:32e aí esses grupos internacionais
26:35estão criando,
26:36criaram já suas próprias empresas
26:40dedicadas à mídia.
26:43E aí, assim,
26:44o que se diz, né,
26:46muito assim,
26:47desses grupos,
26:47dessas multinacionais,
26:48é que a mídia ficou muito complexa,
26:51tem muito mais meios e tal.
26:53Como é que você vê hoje?
26:55Está mais interessante
26:56trabalhar com mídia,
26:57está mais complicado?
26:59Como que você vê
26:59toda essa movimentação?
27:01Eu acho mais desafiador.
27:03Na época,
27:04eu nem sabia
27:04que era mais fácil.
27:08Porque hoje você vê mais meios,
27:10mas a gente tinha muito formato, né?
27:12Eu lembro que...
27:13Eu lembro de planos de mídia
27:14que eu fazia,
27:15que tinha tijolinho de jornal,
27:16rouba página,
27:17meia página,
27:18página...
27:19Então, assim,
27:19tinha formatos que hoje
27:20você ou pouco ouve falar,
27:23e foi entrando novos meios.
27:24E mais do que novos meios,
27:25foram entrando novos formatos.
27:27Então, assim,
27:28a mídia está muito mais interessante.
27:31E, para mim,
27:31uma das coisas que foi muito bacana
27:33na área de mídia
27:34é porque ela sempre teve
27:36uma base de dados muito forte,
27:38que é uma coisa
27:38que sempre me guiou.
27:40Então, quando eu olho hoje a mídia,
27:42você vê que tem muito mais dados,
27:43ela é muito mais desafiadora.
27:45As pessoas hoje,
27:46elas precisam de muito mais frequência
27:48para serem pegas por uma mensagem.
27:50Então, ela foi evoluindo
27:51e foi ficando mais interessante.
27:53Então, assim,
27:54o que é muito bacana
27:54é que antes...
27:56Não vou dizer que você sabia tudo,
27:57mas tinha uma fórmula.
27:58Tinha uma fórmula aí.
27:59Segunda capa,
28:00mais página três.
28:01Tinha uma fórmula que você fazia
28:03e que dava resultado, né?
28:05Eu já te falei isso algumas vezes.
28:06Tinha aquele ranking do meio mensagem,
28:07marca mais lembrada.
28:09E eu lembro que aquilo ali
28:10era o que guiava a gente.
28:11A gente pegava aquelas marcas
28:12mais lembradas e falava
28:13vamos ver se a gente fizer
28:14esse combo de mídia,
28:15se a gente vai parar ali,
28:16se não vai parar ali.
28:17Aí tem a ver com a mensagem.
28:19Então, era mais simples,
28:22mas hoje ela é muito mais interessante
28:23na sua complexidade.
28:25Como que foi a sua trajetória
28:27até se tornar CEO?
28:28Você viu isso chegando?
28:31Você vislumbrou isso para você?
28:32Ou foi uma surpresa?
28:34Foi uma surpresa,
28:35porque quando eu fui mídia,
28:38quando eu estava como mídia,
28:39eu sempre tive essa preocupação
28:41meio que administradora,
28:44assim como um todo.
28:45Acho que um pouco da minha história,
28:46da minha trajetória.
28:48Então, eu era aquela pessoa
28:49que me incomodava
28:49quando eu via papel na impressora
28:51sobrando.
28:52Eu era aquela pessoa
28:53que antes de ir embora na agência
28:54eu queria olhar
28:54se as coisas estavam bem.
28:55Então, eu sempre tive
28:56uma entrega além da área de mídia.
28:59Então, eu estava preocupada
28:59com uma concorrência,
29:01eu queria entender
29:01como é que fazia
29:02uma precificação.
29:03Então, quando as coisas
29:04foram acontecendo,
29:05elas não foram planejadas.
29:07É muito engraçado isso,
29:08porque eu não planejei,
29:10mas elas foram se aproximando
29:12de uma certa forma
29:13como se fosse natural
29:14o próximo passo.
29:15Então, quando chegou
29:16o desafio de ser CEO,
29:18para mim é como se
29:19tudo que eu tivesse escolhido
29:21até aqui
29:21tivesse de fato
29:23se conectado.
29:25Porque você consegue
29:26ter o olhar
29:26do todo.
29:28Então, assim,
29:29tem muita gente que fala
29:29o que você gosta nisso?
29:31Eu gosto muito
29:32do meu dia a dia.
29:33Tem dias mais tensos,
29:35tem dias que não são tão tensos,
29:37mas ele tem tudo aquilo
29:38que contempla as coisas
29:40que eu fui buscando.
29:41É muito engraçado isso.
29:42O que é mais legal
29:44do seu dia a dia
29:45que você gosta?
29:47O mais legal
29:48é que, assim,
29:49os problemas que eu acho
29:50que eu tenho
29:50são outros.
29:51Então, você chega na agência
29:52com uma agenda
29:53e é impressionante
29:55como ela é desvirtuada
29:56inteira.
29:57Mas isso me traz
29:58uma adrenalina,
29:59uma falta de controle
30:00que eu gosto.
30:02Porque como eu sou
30:02uma pessoa muito organizada,
30:04muito controlada,
30:05quando eu tenho
30:06essa sensação
30:06do que eu não sei
30:07que vai vir,
30:08é muito legal.
30:09E o mais legal
30:10é saber que você pode
30:11fazer a diferença
30:12para as pessoas.
30:14Eu acho que menos
30:14quando você olha
30:15só o cliente,
30:16mas para as pessoas.
30:18Então, eu me sinto
30:19num lugar privilegiado.
30:21E você,
30:22por tudo que você contou
30:23nessa conversa,
30:24você era um peixe
30:26fora d'água
30:26quando você chegou
30:27em agência.
30:30Foi difícil para você
30:31se adaptar
30:32em certa medida?
30:33Você teve aqueles erros
30:34que você comentou?
30:35Teve uma rede
30:36de apoio legal
30:37de pessoas que te ajudaram?
30:38Então, o que foi
30:39mais difícil
30:39nessa trajetória
30:41até você sentir
30:42que você estava apta
30:43ou você sempre teve
30:44uma segurança
30:45no fundo
30:46de que você estava
30:47no lugar certo?
30:48A minha insegurança
30:49era mais pessoal,
30:51não sobre o trabalho.
30:52Porque, muitas vezes,
30:54o que eu sentia,
30:55eu não era parte
30:56dos assuntos.
30:57Então, como eu sempre
30:58trabalhei,
30:59a minha vida foi muito
31:00trabalho-escola,
31:00trabalho-escola.
31:02Então, quando a gente
31:03se juntava com as pessoas
31:04e elas falavam de férias,
31:06falavam de experiências fora,
31:08para mim era um lugar
31:09que eu ainda não me conectava.
31:11Então, enquanto as pessoas
31:11estavam falando
31:12uma série de coisas,
31:13eu falava assim,
31:14nossa, não sei entrar
31:15nesse assunto.
31:17Então, tinha alguns assuntos
31:18do nosso mercado
31:19que ele já foi
31:20muito mais elitista,
31:23hoje menos,
31:23mas já era muito elitista.
31:25Então, eu não conseguia
31:26estar naqueles assuntos.
31:27Então, de uma certa forma,
31:28eu era muito desconectada
31:30com isso.
31:31Então, ali foi a minha
31:32maior dificuldade, assim,
31:33até o ponto que eu comecei
31:35a entender que eu não
31:36precisava ter conectada
31:38com aquilo,
31:38que eu tinha outras
31:39conexões.
31:40E é muito engraçado
31:41que quando você para
31:42de querer se encaixar,
31:44as pessoas tentam
31:45se encaixar no seu mundo.
31:47Então, aí as coisas
31:47começaram a meio
31:48que se compor,
31:49mas eu sofri um tempo
31:50ali tentando participar
31:51dos assuntos.
31:52E aí você se tornou
31:55uma CEO.
31:56Hoje tem um pouco mais
31:58de mulheres CEOs,
31:59felizmente, em agências.
32:01Ainda está longe
32:02no número ideal.
32:04Como é para você
32:05ocupar esse espaço
32:06de liderança
32:06em um grupo que
32:07tem bastante mulher,
32:09mas majoritariamente,
32:11se você olhar
32:11para as agências
32:13no geral,
32:14as lideranças
32:15são ocupadas
32:17por homens?
32:18O mais bacana
32:19do grupo foi
32:20o primeiro convite
32:21quando eu fui fazer
32:22parte do borde.
32:23Eles convidaram
32:24duas mulheres,
32:25então foram as primeiras
32:25mulheres a fazer parte
32:27do borde.
32:28Ali já foi um sentimento
32:30muito de conquista.
32:33E hoje,
32:33quando eu olho
32:34o desafio,
32:35eu vejo,
32:35eu não consigo imaginar
32:36por que a gente
32:37não estava antes.
32:38Óbvio que você sabe
32:39por quê.
32:40Mas assim,
32:40quando você senta ali,
32:41você sente uma responsabilidade,
32:43mas ao mesmo tempo
32:45você fala assim,
32:46esse lugar
32:47é tão para mulheres
32:48quanto para homens.
32:50E às vezes
32:51você tem até
32:52alguns atributos,
32:54algumas coisas
32:55que você faz melhor
32:55que os homens.
32:56Então, assim,
32:57é inimaginável
32:58que a gente ainda
32:59passe por isso.
33:00Então,
33:01eu me sinto muito
33:01responsável
33:03e eu tenho uma coisa
33:04que é quem é
33:04a próxima mulher
33:05que você puxa.
33:06A gente tem que olhar
33:07para isso,
33:08não os grupos
33:09que são sempre
33:09os mesmos nomes,
33:10mas olhar
33:11para o seu ambiente
33:13e tentar entender
33:14quem que você
33:15vai conseguir desenvolver.
33:16Então,
33:16eu sempre penso assim,
33:18eu preciso devolver isso,
33:19tudo que a vida,
33:21que o universo,
33:22que as coisas me deram
33:23para alguém.
33:23Então,
33:24como é que você pode
33:24devolver um pouquinho
33:25cada dia?
33:26Então,
33:26acho que é isso
33:27uma das coisas
33:27que eu tenho
33:28como mantra,
33:28assim.
33:29E você teve referências
33:30ao longo da sua carreira?
33:32Porque,
33:32só pegando aqui
33:34de conversas que eu tive
33:36com publicitários
33:37na ideia,
33:38eles sempre citam nomes,
33:39o Washington,
33:41o Serpa,
33:43nomes que construíram
33:44a publicidade brasileira.
33:46Você teve esse modelo
33:48ao longo da sua jornada
33:50na publicidade?
33:51Quem foram essas pessoas?
33:53Eu não tinha um modelo
33:54quando eu entrei,
33:55porque eu me apaixonei
33:56pelo tema
33:56e depois eu fui entrando,
33:59mas eu diria para você
34:00que eu tive chefes
34:02e pessoas que foram
34:03me apoiando muito
34:04na minha trajetória.
34:05um dos primeiros ali
34:07que eu tive contato,
34:08quando a gente olha
34:08o próprio Roberto Justus,
34:10ele foi uma pessoa
34:11superimportante
34:11para a minha carreira,
34:13o Quintela,
34:14que trouxe todo aquele
34:15jeito alegre
34:16de trazer,
34:16de resolver problema,
34:18então,
34:18da Vila Alum.
34:19Então,
34:19quando eu olho
34:20as minhas trajetórias,
34:21hoje eu estou
34:22num grupo que eles são,
34:23eu brinco muito com eles,
34:24o Rudolf Medina,
34:26o Fadiga e o Leonel,
34:27e eu falo,
34:27vocês têm alma feminina,
34:29porque eles sabem
34:30dar voz para as mulheres.
34:31Então,
34:32eu não tive uma referência,
34:34mas eu tive
34:34composições de pessoas
34:36que foram me ajudando,
34:37obviamente que muito
34:38do sexo masculino,
34:39porque eram os líderes
34:40naquela época,
34:41mas depois eu fui tendo
34:42referências das pessoas
34:43que eu convivo.
34:45Então,
34:45hoje,
34:45quando eu lembro das pessoas
34:46da minha rede de apoio,
34:47lá daquela época,
34:48tem a Aline Moda,
34:50que hoje está no Google,
34:50e ela era a pessoa
34:51que eu ligava na mesa
34:52e falava,
34:53Aline,
34:53o cara falou ao dólar.
34:55Então,
34:55assim,
34:56você começa a se inspirar
34:58pela generosidade,
34:59quando eu lembro disso.
35:00Então,
35:00a Aline teve um papel
35:01super importante,
35:03a Camila Bertolli.
35:05Quando eu olho,
35:06eu vejo grandes nomes hoje,
35:08clientes que viraram amigos,
35:09mas até veículos
35:10que me ajudaram muito.
35:12Então,
35:12assim,
35:13e grandes amigos
35:13que você foi fazendo.
35:14A própria Manzer,
35:15da TV Globo,
35:17ela é uma pessoa
35:17que,
35:18em um momento de decisão,
35:19se eu saía ou não saía
35:20da Yang,
35:21eu precisava conversar
35:22de uma forma executiva,
35:24eu encontrei ali
35:24um acolhimento.
35:26quando eu olho,
35:27assim,
35:28clientes como a Natália do Bradesco,
35:30clientes como a Ilka.
35:33Então,
35:33assim,
35:33no final do dia,
35:34a própria Luciana,
35:36da Ipera,
35:37então,
35:38assim,
35:38quando a gente olha,
35:39a rede de apoio,
35:40ela foi surgindo muito mais
35:41das mulheres me apoiando
35:42para subir
35:43do que o contrário.
35:45Então,
35:45quando eu olho hoje,
35:46a minha inspiração,
35:48ela está no dia a dia
35:49e no que essas pessoas
35:50representam para mim.
35:52A gente vai chegando
35:53naquela hora do programa,
35:54Glaucia,
35:55que a gente faz
35:56o trocadilho
35:56com o nome do programa,
35:58que é a melhor ideia
35:59e a pior ideia
36:00que você já teve.
36:01Qual que foi a melhor?
36:04A melhor ideia
36:04que eu já tive,
36:06eu diria para você
36:07que foi vir
36:08para o grupo Dreamers
36:09no momento
36:10que a minha carreira
36:10estava muito estabilizada.
36:12Então,
36:12não fazia sentido nenhum.
36:15Tanto que,
36:15quando eu vim para cá,
36:16as pessoas falavam
36:16por quê?
36:18Então,
36:18ali,
36:19hoje,
36:19eu olho e falo,
36:20cara,
36:20e foi um estalo,
36:22sabe,
36:22assim,
36:22no meu momento pessoal
36:23que eu achei
36:23que fazia sentido.
36:25Então,
36:25hoje eu falo assim,
36:26não foi planejado,
36:27mas foi a melhor ideia
36:27que eu tive.
36:29A pior ideia,
36:30eu tenho duas,
36:31né,
36:31guardar os PIs,
36:32que essa foi histórica,
36:34e recentemente,
36:35eu apresentei um projeto
36:37de a gente mudar,
36:38montar a nossa sede
36:38num parque.
36:40E,
36:41obviamente,
36:41que o Borde apoiou,
36:43a gente fez o projeto,
36:44mas eu não levei em consideração
36:46que podia chover,
36:47eu não levei em consideração
36:48o transtorno que ia ser.
36:50Então,
36:50ao longo do processo,
36:52quando a gente se deforou
36:53que era uma ideia péssima,
36:54a gente suspendeu a ideia,
36:55aí eu falei,
36:56putz,
36:56essa ia ser uma ideia
36:57que até hoje
36:58eu ia estar sofrendo
36:59se a gente tivesse feito
37:00a nossa sede
37:01no meio de um parque.
37:02Acho que eu lembrei do coco,
37:04eu vi uma oportunidade
37:05de voltar,
37:05acho que alguma coisa disso
37:06me inspirou.
37:07E você parece lidar
37:10com uma certa leveza
37:12com os erros
37:13que você cometeu.
37:15Isso é,
37:15vem com você
37:16desde sempre,
37:17você aprendeu com o Quintela,
37:19que você citou,
37:20que lida de um jeito leve
37:22com a dureza das coisas.
37:26Você sabe,
37:26eu sempre tive chefes
37:27muito duros,
37:28acho que no começo
37:30da minha carreira.
37:32Mas o Quintela,
37:33sem dúvida nenhuma,
37:33ele traz uma leveza
37:35na vida,
37:35nas conversas.
37:37Mas eu diria para você,
37:37que eu fui muito criada
37:38para a sobrevivência.
37:40Então,
37:40eu sempre olhei assim,
37:42um erro tentando acertar
37:43é um acerto.
37:44Então,
37:45eu tenho isso
37:45para a minha vida.
37:46Então,
37:46ninguém erra porque quer.
37:48Não é uma frase qualquer.
37:49Então,
37:50sempre que tem um erro
37:50na agência
37:51ou que alguém
37:52entra em desespero,
37:53eu tento entender assim,
37:54tá,
37:54vamos resolver,
37:55agora o foco é resolver.
37:56Depois vamos entender
37:57a intenção.
37:58Uma coisa que eu falo muito,
37:59que Fadiga até brinca
38:00no dia a dia,
38:00é que eu falo assim,
38:01qual é a intenção das pessoas?
38:03Porque quando você olha
38:04a intenção,
38:05o erro não era,
38:06não foi intencional.
38:07Então,
38:08eu acho que é desse lugar
38:09que você tem que olhar.
38:10Obviamente,
38:11que não é que você
38:12perdoa todos os dias os erros,
38:13mas assim,
38:14você tem que olhar para ele
38:15de um jeito
38:16de tentar que ele não repita.
38:18Mas,
38:18de fato,
38:19eu trago mais leveza
38:21porque uma das coisas
38:22que eu falo assim,
38:22a gente só não pode perder o humor.
38:24Porque
38:24o nosso dia a dia
38:26é muito corrido.
38:27Todo mundo te liga,
38:28nada tem prazo.
38:29Eu falo,
38:29o cliente pede agilidade
38:30e avalia a qualidade.
38:32É uma correria,
38:33você nem vê que passa o seu dia.
38:34Você entra no seu carro em call,
38:36você chega na sua casa em call,
38:37então assim,
38:38se no final do dia
38:38você não puder trazer leveza
38:40para tudo isso,
38:41não fez sentido.
38:43Qual que é o segredo
38:45para manter a leveza
38:46no dia a dia,
38:47mesmo com tantas cobranças,
38:49com tanta correria,
38:50tendo que lidar
38:51com clientes,
38:53com equipe?
38:54Uma frase que às vezes
38:56eu brinco,
38:56eu falo assim,
38:57vocês acham que
38:57minha felicidade está aqui?
38:59Às vezes eu brinco com isso,
39:00eu falo não,
39:01eu acho que depende,
39:02na verdade acho não,
39:03eu acho que para mim
39:04ela vai do que você
39:05constrói ao redor.
39:07Então isso aqui
39:07é só trabalho.
39:09Então assim,
39:09a sua felicidade,
39:11ela não pode estar
39:11só no trabalho.
39:13Obviamente você tem
39:13que trabalhar feliz,
39:14você tem que estar
39:16num ambiente
39:16que te proporcione isso,
39:18mas para mim a felicidade
39:20é olhar tudo
39:21que o trabalho
39:21me ajuda a conquistar.
39:23Então quando eu olho
39:24tudo isso,
39:25para mim você fala
39:26aqui em tal lugar
39:26que eu consigo ser feliz.
39:28Onde que você busca
39:30a sua inspiração,
39:32se renegizar
39:33quando você não está
39:34trabalhando,
39:36o que você gosta
39:37de fazer,
39:38de consumir
39:39no seu tempo livre?
39:41Bom, aqui
39:41são várias coisas
39:43diferentes.
39:45Eu me reconecto
39:46na medicina da floresta.
39:48Então um lugar
39:49onde eu,
39:51tempos em tempos
39:52que eu preciso,
39:52é nesse lugar
39:53que eu me reconecto.
39:55Então é o momento
39:55onde eu olho para mim,
39:57onde eu faço
39:57as minhas autoavaliações,
39:59as minhas autoanálises,
40:00na verdade,
40:01e descubro que
40:02eu sou um ser humano péssimo,
40:03que eu preciso evoluir
40:04todos os dias.
40:05Então quando você para
40:06para olhar você
40:07fora do corpo assim,
40:09você fica muito chateado
40:10com você.
40:11Então aqui é onde
40:11eu me reconecto.
40:13O segundo lugar
40:14é a minha família.
40:16Porque assim,
40:16eu adoro ir para o trabalho.
40:18mas eu adoro voltar.
40:20Então quando eu olho
40:20as crianças,
40:21a casa,
40:22ali é um outro lugar
40:23que eu me reconecto.
40:24Porque de tudo isso
40:26que eu te falei,
40:26o que eu amo mesmo fazer
40:28não é publicidade.
40:29Eu amo criança.
40:31Mas é de um jeito
40:32que eu falo assim,
40:33o dia que eu parar
40:33de trabalhar,
40:34eu quero ser bedel
40:35em escola,
40:36aquela que fica
40:37no intervalo,
40:38tentando pôr ordem.
40:39É aquilo que eu gosto
40:40de fazer.
40:40Então assim,
40:41criança é um negócio
40:42que para mim
40:42eu me reconecto muito.
40:43Não tem uma criança
40:44que eu conheça
40:45que eu não consigo
40:46virar amiga,
40:47sabe assim,
40:48ter prazer na conversa.
40:50Em casa,
40:51a gente é uma família
40:52toda masculina, né?
40:53Dois filhos,
40:54um homem,
40:54um cachorro,
40:55então meu marido,
40:55todo masculino.
40:56Aí um dia eu comprei
40:57aquele secador
40:58da moda,
40:58super legal.
40:59Da Dyson?
41:00Da Dyson,
41:00não, imagina.
41:01E eu falei,
41:01pra quem que eu vou me exibir?
41:03Com esse negócio?
41:04Usei ele hoje,
41:05mas pra quem que eu vou me exibir?
41:07Aí eu fui na casa
41:08de uma amiga minha
41:08que ela tem uma filha
41:09de 14 anos,
41:10eu falei,
41:10não,
41:11eu preciso levar
41:12a meu Dyson.
41:13E aí eu fiquei ali
41:14fazendo,
41:15conversando,
41:15e ela falou,
41:15Glória,
41:16como é que você conseguiu
41:16tirar tanta coisa dela?
41:17Então assim,
41:18esse é o lugar
41:19que eu me reconecto,
41:20assim,
41:20eu adoro criança.
41:22E teve alguma ideia
41:24dentro da publicidade
41:25ou fora,
41:27pode ser alguma obra,
41:29enfim,
41:29que te impactou?
41:31nos tempos recentes?
41:35Olha,
41:35eu estou muito impactada
41:36pelo projeto
41:38que a gente fez
41:39do Amazonia Live.
41:41O grupo,
41:42não dá pra fingir normalidade,
41:43eu estava até te contando isso,
41:44o grupo conseguiu montar
41:46um palco
41:46no Rio.
41:48E assim,
41:49eu que sou muito conectada
41:50com essa coisa
41:50da medicina da floresta,
41:52você imaginar aquilo
41:53no meio de uma floresta,
41:55te faz se sentir muito pequeno
41:58e ao mesmo tempo
42:00você tem uma coisa
42:01de gratidão,
42:02porque assim,
42:02embora eu não tenha
42:04participação direta,
42:05mas você poder construir
42:07uma coisa na floresta,
42:08gerar emprego
42:09naquela região,
42:10poder proporcionar
42:11para as pessoas
42:11que moram ali perto,
42:13ver aquilo.
42:14Então,
42:14isso me impactou muito.
42:16Eu voltei dizendo o seguinte,
42:17cara,
42:17que legal poder trabalhar
42:18num lugar
42:19onde você tem projetos
42:21que de fato
42:21podem mudar a vida
42:22das pessoas socialmente.
42:24Para quem não conhece,
42:25fala um pouco
42:26o nome do projeto
42:27e onde que a pessoa
42:27pode conferir.
42:28O Amazonia Live,
42:30isso é bastante matéria,
42:31mas a gente fez
42:33uma Vitória Regia
42:34em Belém,
42:36onde ele representava
42:38toda a importância
42:39da Amazônia
42:40no momento
42:40que a gente está vivendo
42:41e a gente levou
42:41grandes nomes.
42:43Mas era um palco
42:44flutuante.
42:45Então,
42:45era uma coisa
42:46que você falava assim,
42:46como que essa visão,
42:48como é que esse palco
42:50está flutuando
42:50em cima de um rio
42:51e as pessoas estão cantando
42:52e dançando em cima dele.
42:53É uma coisa
42:53de outro mundo.
42:55Então,
42:55isso me impactou
42:55e os projetos do grupo
42:58me impactam muito.
42:59Quando você olha
43:00o próprio Detal,
43:00que ele busca,
43:02empregabilidade,
43:02as pessoas estão na região,
43:04que estão sempre fazendo
43:04um projeto social.
43:06Então,
43:06quando eu olho
43:07para este lugar,
43:08de um lugar
43:08onde você consegue
43:09ver o trabalho
43:10virando alguma coisa
43:12além do trabalho,
43:13isso me impacta.
43:15E, Glaucia,
43:16você falou que é
43:18do Tatuapé.
43:19Originalmente,
43:20você é de lá,
43:20eu também sou da Zona Leste,
43:21por isso que eu estou
43:22te perguntando.
43:24Originalmente,
43:24eu nasci em Aracatuba,
43:26aí fui morar
43:27no centro da cidade
43:28e depois eu fui
43:29para o Tatuapé.
43:30Então,
43:30eu passei a minha adolescência
43:31ali no Tatuapé.
43:33Praça Silvio Romero.
43:35Eu morava
43:35do outro lado,
43:36daquele lado,
43:37perto da Celso Garcia,
43:38perto do metrô.
43:39Do metrô.
43:40Você mora lá ainda?
43:41Não,
43:41não moro mais lá,
43:42mas,
43:43na verdade,
43:44eu morei no Tatuapé,
43:45mas eu nasci
43:46na Vila Prudente
43:47e aí depois
43:49cheguei a morar
43:50no Tatuapé
43:50há alguns anos.
43:51Então,
43:51você sabe bem
43:51o que era o trânsito
43:53e a dificuldade
43:54de vir para cá.
43:54Linha vermelha.
43:55Linha vermelha do metrô.
43:56Linha vermelha,
43:57vou te falar,
43:58eu tenho trauma
43:58de usar rabo de cavalo
43:59por causa da linha vermelha.
44:01Porque tanto que eu entrava
44:02naquele metrô,
44:03as pessoas olhavam
44:04e seguravam
44:05para poder entrar.
44:06Então,
44:06eu falei,
44:07não,
44:07não,
44:07ali peguei muito
44:08aquela linha vermelha.
44:09Tem alguma lembrança
44:10afetiva do bairro?
44:12Ah,
44:12eu tenho isso,
44:13porque ali,
44:14naquela região,
44:15você tem muitas descobertas,
44:17tem uma gastronomia
44:18muito,
44:19muito alta
44:20no Tatuapé
44:21que as pessoas
44:21elas não conhecem.
44:23A única coisa
44:24é sair dali
44:25para trabalhar.
44:26Mas quando eu olho
44:27aquele bairro ali,
44:28eu tenho muita memória
44:29de gastronômica,
44:31de coisas achadinhas
44:32que a gente fazia.
44:33Minha mãe ainda mora lá.
44:35Ah,
44:35então você volta
44:36de tempos em tempos.
44:37De tempos em tempos.
44:38Prefiro que ela venha
44:39às vezes,
44:39mas eu volto
44:40de tempos em tempos.
44:41Glaucia,
44:42delícia conversar com você.
44:44Obrigada pela sua presença
44:45aqui no podcast.
44:46Até uma próxima.
44:47Até uma próxima
44:47e obrigada
44:48por ouvir um pouquinho
44:49a minha história.
44:50Eu que agradeço.
44:51Continue acompanhando
44:52a ideia
44:53nas páginas do Meio em Mensagem,
44:54nos agregadores
44:55de podcast
44:56da sua preferência
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45:08Legenda por Fábio Jr Laboratório Fantasma

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