00:15Estamos de volta com o programa em Minas, agora com esse bloco exclusivo para você
00:19que nos acompanha aqui no Youtube do Portal Uai, nosso entrevistado a Cira Antão.
00:24Vamos continuar esse papo? Você havia me dito no bloco anterior que você é uma pessoa que gosta muito de
00:31sonhar.
00:32Então você ainda tem sonhos. Profissionalmente, o senhor tem algum projeto já em mente para que venha a ser trabalhado
00:41para se concretizar, se realizar?
00:44Tenho, tenho muitos projetos. Eu acho que enquanto a gente sonha, enquanto a gente tem projeto, a gente vive.
00:50É tão gostoso você não encerrar. Eu acho que agora a pessoa que não tem projeto mais na vida, acabou.
00:56Vamos lembrar aí do nosso Silvio Santos, que até os 90 anos trabalhou, desenvolvendo projetos novos.
01:05Sim.
01:06Até o dia que a idade avançou, que a doença chegou e não teve mais condição.
01:11Mas ele foi ativo até.
01:12Mas foi ativo, né?
01:13Você vê aí os outros, tem outros comunicadores aí, como a própria Época Margo, né? Trabalhou até quanto pôde, né?
01:19Sim.
01:20O Chico Anísio, né?
01:21Também.
01:22Então eu acho assim, que a gente trabalhar é uma coisa fantástica, maravilhosa.
01:27E eu tenho muitos projetos ainda. Eu sempre fiz programas ao vivo, aos domingos, né?
01:32Eu gostaria de voltar a fazer os programas ao vivo.
01:35Infelizmente, nós não temos ainda um projeto comercial para isso, porque Minas é muito difícil, né?
01:44As coisas são muito difíceis de acontecer.
01:46É tudo muito amarradinho ali.
01:48Mas vai.
01:49Eu sempre falo com o mineiro. O mineiro é aquele cara que você conversa com o paulista, é diferente, né?
01:56Quando você conversa com o paulista.
01:58Eu sei que eu faço... A gente faz aí algumas excursões.
02:02O sujeito quer ir, reserva a passagem, mas ele fica murrinhando a vida toda para fechar a passagem.
02:11E depois que ele quer fechar a passagem, ele perdeu o lugar dele no ônibus, perdeu no hotel.
02:16Nossa!
02:17O mineiro custa decidir, né? O mineiro decide muito...
02:20Indeciso.
02:20O indeciso, muito difícil de decidir.
02:23Assim, vamos por umas historinhas rapidinhas aqui para quem está no YouTube com a gente.
02:27O senhor já levou alguma bronca de algum político durante as coberturas?
02:32Não, assim...
02:33Ou por causa de alguma reportagem?
02:35Não, por causa de reportagem, sim.
02:38O cara vai, reclama, liga para você para reclamar.
02:41Isso é muito comum, né?
02:42Sim.
02:43Eu falei isso, falou.
02:45E o interessante é que na minha profissão, durante o tempo que eu trabalhei como repórter,
02:52eu estava sempre com o gravador, né?
02:54Então, as pessoas estavam falando, ela está aqui, você falou.
02:57Falou que eu gravei, posso provar, né?
03:00Mas a gente sempre vai encontrar isso na vida.
03:02Agora, do seu tempo de cobertura, qual político que você considera que sabia, assim, conversar
03:07melhor, tratar melhor, levar melhor ali o jornalista?
03:10Você tem essa lembrança dessa época de cobertura?
03:12O Tancredo Neves, ele foi um político, né?
03:16Que ele tinha muita sabedoria.
03:18Uma sabedoria fantástica, né?
03:20Eu ficava impressionado com ele.
03:22Um dia nós chegamos, perguntamos o governador na época, o senador, né?
03:27Ele era candidato a governador de Minas e ele estava com uns 70 e poucos anos e o Eliseu
03:32Rezende era mais novo que ele.
03:34E o Eliseu falava assim, eu sou o candidato mais novo, eu tenho condições de fazer melhor
03:38e tal, como dizia que o outro era velho, né?
03:42Aí a gente perguntou isso ao doutor Tancredo, né?
03:43Doutor Tancredo, o candidato da oposição, o candidato Eliseu Rezende, tem falado que ele
03:49é o mais jovem, etc.
03:51Parece que ele quer dizer que o senhor está velho.
03:52Ele falou assim, é meu filho, Nero era jovem e colocou fogo em Roma.
03:57Ele era um cara, dava umas respostas assim, sabedoria muito grande, né?
04:01Eu ficava impressionado com isso.
04:03E o senhor considera que o próprio Tancredo, ele tenha sido um político que as pessoas
04:07conheceram de um jeito e o senhor nos bastidores conheceu de outro?
04:10Bem, não, eu conheci mais ou menos o Tancredo, ele é mais ou menos a mesma coisa, né?
04:14Pelo menos na época eu convivi com ele, né?
04:16Ele já era um senador, né? Depois governador, né?
04:19Foi aquela campanha, todas diretas, a campanha ao colégio eleitoral.
04:24Então eu convivi muito com ele nessa fase.
04:26E teve algum político que o senhor conviveu que era diferente ali na frente do que as pessoas
04:32conheciam dos bastidores?
04:33O Hélio Garcia era um político muito diferente, né?
04:36Diferente e decidido.
04:38É uma coisa impressionante, né?
04:40Porque enquanto os outros políticos, eles demoravam a decidir, o Hélio decidia, ele
04:44respondia coisas decididas, né?
04:46Então o Hélio Garcia foi um político diferente.
04:49Agora voltando e falando sobre essas ligações que o senhor recebia, ah, porque o senhor falou
04:52isso, o senhor já recebeu algum pedido para não falar ou publicar alguma coisa dentro
04:58de toda essa sua trajetória?
05:00Na vida do jornalista, você sempre tem isso, né?
05:03E às vezes tem uma imposição empresarial, não é?
05:05Não é sua.
05:08Então, quantas e quantas vezes você apura a notícia e depois não pode dá-la porque
05:12tem recomendação para não dar, para não...
05:14Isso é muito comum.
05:16E também, na época que eu fui chefe de jornalismo da Rádio Tatiá, nessa época,
05:20era a época da ditadura, né?
05:22Então, se censurava a palavra do próprio presidente da república, que era um general, né?
05:28Por hora do senhor, o chefe da Polícia Federal, está proibido qualquer citação do discurso
05:34proferido pelo presidente de Médicos em tal lugar.
05:36A gente sabia que o presidente fez um discurso que nem ele mesmo pode ser divulgado.
05:42Agora, me conta, o senhor já viveu alguma situação perigosa, ainda lembra?
05:45Alguma situação de risco?
05:47É, a gente...
05:50Eu sempre fui na política, né?
05:52Não estive na...
05:53Já foi ameaçado?
05:54Não, não, não.
05:55Não, não, isso não.
05:56Eu fui ameaçado, né?
05:57Foi uma vez só.
05:58Ah, então já foi.
06:00Uma vez só foi ameaçado porque aconteceu um fato muito interessante aqui em Minas Gerais,
06:05de um cidadão que foi preso pela Polícia Militar e sumiu, né?
06:10E eu comecei a cobrar esse caso da Polícia Militar e recebi um telefone,
06:16eu falei assim, para porque nós sabemos onde você mora, quem é seu filho, quem é sua mulher.
06:20Nossa, pronto, aí vem a ameaça, o senhor tem que recuar, porque aí quando mexe com a família da gente,
06:23a gente sabe até o limite, até onde vai, né?
06:26Antes de entrar no estúdio, o senhor já combinou alguma entrevista que o senhor achou que fosse uma entrevista difícil
06:32de fazer
06:33e na hora que ela aconteceu, você falou, não, não é que não foi difícil assim.
06:38Não, eu não penso assim, não sei, porque eu sempre estou preparado para qualquer coisa,
06:41então eu não sinto muita dificuldade.
06:43Tem o improviso do rádio, dentro de um programa de rádio, quanto tempo o senhor separa para o improviso e
06:49o que é certo que tinha pensado?
06:50O meu programa é muito mais feito no improviso, né?
06:53Eu sempre fazia um programa no improviso, né?
06:55Sim.
06:55É do dia, o que está acontecendo, né?
06:58Não é não?
06:59Tem alguma entrevista que o senhor não tenha feito ainda e até hoje o senhor gostaria de fazer na sua
07:04vida ou não?
07:04Não, mas tudo aquilo que eu pude fazer, eu fiz com alegria, com satisfação, né?
07:10É claro que a gente gostaria de ter feito muito mais, né?
07:13Mas a gente não teve essa oportunidade.
07:15O senhor já pagou algum mico aí, bom, para contar para a gente, não há?
07:19Ah, já, já paguei alguns micos, né?
07:21Foram vários, são muitos anos, né?
07:23E sempre acontece o negócio, o que diferencia é a habilidade do improviso, né?
07:27Até porque quando você faz um programa ao vivo e improvisado, né?
07:32O programa não está no texto, né?
07:34Você pode pagar algum mico, né?
07:36E o senhor já esqueceu o nome de alguém, assim, durante a transmissão?
07:39Às vezes acontece isso.
07:41Acontece isso, isso é muito comum, né?
07:43E aí, hoje mesmo, né?
07:44Às vezes eu encontro com uma pessoa, né?
07:46Meu Deus, eu estou conhecendo quem que é o fulano, né?
07:49Você às vezes esquece o nome da pessoa, né?
07:51O senhor já teve uma notícia muito ruim?
07:53Qual foi a notícia mais difícil que o senhor já teve que dar até hoje?
07:55O senhor consegue se lembrar?
07:56A notícia mais difícil é o seguinte, eu andei com o Papa João Paulo II no Brasil em 1980, quando
08:01ele esteve aqui.
08:03E logo depois eu tive que dar a notícia que ele tinha sido agredido com um tiro por um turco
08:10lá na Praça de São Pedro, né?
08:12E naquele dia eu me emocionei muito.
08:14Chorei na hora porque eu pensei naquela figura que eu andei com ele 15 dias em Minas Gerais, né?
08:19E no Brasil, né?
08:20E depois eu fiquei pensando naquela... no ataque que ele sofreu, né?
08:24Foi muito emocionante.
08:25Muito interessante o senhor lembrar disso, porque a gente falou ali nos blocos da televisão sobre a cobertura política,
08:30sobre os nomes da nossa personalidade, sobre as personalidades, né?
08:34Do nosso Brasil, da história do nosso Brasil, que o senhor teve ali a oportunidade de fazer a cobertura.
08:38E eu acabei deixando passar que realmente o senhor teve essa cobertura papal, né?
08:42Eu vou lembrar também que em 1971, né? Teve uma tragédia em Minas Gerais, né?
08:48Que foi o desabamento do pavilhão de exposições em construção na Gamileira, né?
08:53E que matou 64 operários.
08:55E nós tivemos a oportunidade de entrevistar os operários antes de morrer.
09:00Qual o seu nome? Onde você mora?
09:02Antes, como é que você está aí e tal?
09:03E depois aquela pessoa morria, né?
09:05Então isso foi muito emocionante também.
09:07É difícil lidar com isso, mas é o desafio da nossa própria profissão, né?
09:11Assim, o senhor é conhecido por essa voz, né?
09:14Que eu abri o programa falando, tão característica.
09:17Acontece de, às vezes, na rua as pessoas não ligarem a imagem,
09:21mas quando o senhor fala alguma coisa, eles se reconhecem imediatamente?
09:24É por aí que acontece?
09:25Isso acontece muito.
09:26Então, porque a gente faz propaganda e as pessoas pedem para repetir a propaganda.
09:33Agora, para a gente encerrar, se tiver uma música que caracteriza ou que representa a sua vida,
09:40o senhor hoje, que música seria essa?
09:42Pois é, eu gostaria de prestar uma homenagem aqui a um compositor mineiro
09:45que foi muito querido, que nós perdemos há pouco tempo,
09:48que foi o Gervás Horta, que fez uma música que era o chorinho do centenário da cidade
09:53e que faz uma visita à cidade tão gostosa que nós tínhamos e que nós perdemos.
09:58Esta convivência no centro, os cafés, os bons restaurantes, né?
10:03Eu sou do tempo em que o Arrudas tinha peixe, dos bondes e dos velhos carnavais.
10:09Belo Horizonte era cidade jardim, tempos que não voltam mais.
10:13Quando a cidade era pequena, jovem, começando a existir,
10:18e a Avenida Afonso Pena era o principal lugar para a gente ir.
10:22Tempo em que o Giacomo vendia sempre um bilhete premiado
10:25e quando a bronquite aparecia, o remédio era o rum criosotado.
10:31Tempo em que torcida era coligação, o Atlético às vezes campeão
10:35e o Cruzeiro era o Palestra Itália, time do meu coração.
10:40Bela Belô, Bela Belô, é isso aí.
10:42Aê, Asir, muito obrigada pela entrevista.
10:46Vocês aí em casa acompanharam a Asir Antão, jornalista, radialista, cantor.
10:51Obrigada.
10:51Um abraço.
10:52Lembrando a íntegra da nossa conversa, da nossa entrevista no jornal Estado de Minas,
10:56na próxima segunda-feira.
10:58Pessoal, a gente fica por aqui.
10:59Obrigada pela companhia e até o próximo em Minas.
11:01Tchau.
11:02Muito obrigado.
11:02Obrigada, Senina.
11:03Receito.
11:04Obrigado.
11:07Obrigada, senhora.
11:11Obrigada.
11:12Obrigada, senhora.
11:19Obrigada, senhora.