00:04Mão na cintura, um passo pra lá, o outro pra cá e aquele parceiro de dança invisível,
00:11com uma caixinha de som no meio da sala.
00:14Ô Fernanda, chora não, coleguinha!
00:25Mas nem sempre foi assim.
00:30A Fernanda é uma botequeira de plantão, mas com a pandemia, decidiu largar o bar e respeitar o isolamento social.
00:43Quando eu morava em Nunes Martins, era o que tinha, né?
00:47Porque shopping não tinha, restaurante não tinha, não tinha um lugar legal pra ir, era só o boteco.
00:54Então, eu me acostumei e passei a boas tardes no boteco.
01:05E no álbum de fotos da Fernanda, muitos são os momentos eternizados,
01:10da época que ela saía pra curtir com os amigos.
01:13Hoje, ela toma um manzinha, mas na solidão de casa.
01:17Sem amigos, sem aglomeração e sem aquele garçom pra fazer companhia.
01:27E histórias no boteco não faltam.
01:32É banal, mas preste atenção, por favor.
01:37Era aniversário do meu sogro e do meu namorado.
01:41Eu tava me achando, né? De nariz em pé, dando pra lá e pra cá, com a bota no pé,
01:46uma roupa maravilhosa.
01:48Fui passar no meio do pessoal, não caiu no chão, caí de cara no chão.
01:53Sentei nessa vergonha que eu passei.
01:57E tem muita gente que tá com saudade, sabe de quê?
02:00Da comida de boteco.
02:03Disso aqui, ó.
02:04Disso é andar no botequinho, comer um torresminho, uma linguiça com bacon.
02:08Pegar assim, ó.
02:10Espremer o limão no torresmo.
02:12Ei, delícia!
02:14Saudade do boteco é o que não falta.
02:16E, como você sabe, o povo brasileiro é um dos mais criativos do mundo.
02:21E, por isso, a internet está cheia de memes.
02:25Eu separei um pra vocês verem.
02:28Solta aí, Marcelinha.
02:29Que saudade do boteco de bebê em seu canhão.
02:33Esse aí, ó.
02:35Juntou as laranjas que tinha em casa e montou uma mesa de sinuca.
02:41Saudade de sentar num barzinho e de jogar uma sinuquinha, né, meu filho?
02:45No caso da Larissa, a saudade do boteco é tanta que ela já calculou os dias.
02:52Horas, minutos, segundos.
02:54Já tem uns 120 dias, umas 10 horas, uns 10 minutos, uns 3 segundos, que eu não sento num botequinho.
03:02O copo de pinga ela trocou por água.
03:05E os amigos pelo ursinho de pelúcia.
03:07É que a Larissa entende a importância de respeitar o isolamento social.
03:12Por isso, ela já tem planos para quando o mundo voltar ao normal.
03:17Chama todos os meus amigos, fazendo um grupo de WhatsApp, vai todo mundo pro boteco.
03:21Eu não quero o bar fechando, não, tá?
03:23Vai me tirar de lá carregada.
03:25Olha, e tem muita gente também com saudade de música de boteco.
03:30Por isso, hoje, peguei meu microfone e vamos abrir aqui o karaokê do Balanço Geral.
03:36A primeira música que a gente mais tem saudade, que é a Boteco Raiz, é essa aqui.
03:41Solta o som, DJ.
03:42Eu quero que...
03:49Agora outra, agora outra.
03:50Vamos parar com essa, agora outra, agora outra.
03:52Essa daqui, pra quem é botequeiro raiz...
03:551, 2, 3, pusca um preto...
04:00Eu sei lá, eu sei lá, eu sei lá, continua aí.
04:02Você fez com a minha ação...
04:04Agora, a próxima, pra fechar com chave de ouro, essa é pra maltratar o coração, hein?
04:25O João também respeita o isolamento, mas sente falta daquele calor humano.
04:32E, assim que acabar a pandemia, tá doidinho pra reunir os amigos e a família e comemorar num boteco.
04:40Eu gostava muito de barzinho de bairro, assim, de botequinho de bairro, aquele que o povo diz bem raiz mesmo.
04:46Tinha aqui os ouvintes de codônia, umas carnes bem gordurosas, um torrezinho crocrante.
04:51E sentava lá, conversava com os veinhos, com os bebos, e ficava bebendo com eles também.
04:56Então, eu sinto muita falta disso.
04:58Que saudade do boteco de bebê encheu caneco até o dia cariar.