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Programa Agro Business 2023 - Episódio 30
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00:13Olá, bom dia! O programa de hoje traz em destaque a bioconstrução. Nós vinhemos até esta pousada
00:21na região do Caparaó, que se tornou referência nesse tipo de construção. Aqui, bangalôs estão
00:29sendo feitos com materiais orgânicos e de baixo impacto. O resultado são ambientes
00:34mais sustentáveis. Vamos morar por aqui, mas vamos utilizar dos elementos que estão
00:40aqui à nossa volta. Vamos nos preocupar com a água que a gente vai utilizar. Vamos
00:46nos preocupar com o ambiente que a gente quer deixar para os nossos filhos. Uma
00:52parceria entre a Prefeitura de Anchieta e uma empresa da região deu um novo destino
00:58para os resíduos de peixes. Juntando tudo aqui e as três, quatro, cinco toneladas de
01:03sujeirado todinha, essa daqui, para dentro do rio. Agora, eles são recolhidos e viram
01:09matéria-prima para a ração de animais. Com isso, mais de dez toneladas de resíduos
01:15de peixe deixaram de ser lançados no rio Iconha. Eu amo pescar e aqui em Piuma é um privilégio.
01:23No programa Agrobusiness, desde domingo, vamos te mostrar também uma plantação de
01:29frutas vermelhas nas montanhas capixabas, mais precisamente em Domingos Martins, na
01:35região de Aracê. Um sítio de lazer que se transformou em uma linda plantação de
01:41amora, mirtilo e framboesa. Foi difícil dominar esse cultivo aqui, mas olha a
01:47maravilha que está hoje. Fica comigo que o Agrobusiness está no ar!
02:04Um sítio de lazer que se transformou numa linda plantação de frutas vermelhas. Hoje
02:10eu vou contar para vocês a história da família do Geraldo e vamos aprender juntos sobre esse
02:15cultivo. Nós estamos nas montanhas capixabas, no distrito de Aracê, em Domingos Martins.
02:25O local tem vista para Pedra Azul e é do Geraldo há 30 anos. Por aqui o espaço era utilizado
02:31apenas para o lazer da família e não havia nenhum cultivo. Até que em 2016 tudo começou
02:38a mudar. Aí o Geraldo, que é engenheiro civil de formação, mas sempre trabalhou como
02:43analista de sistemas, se tornou produtor rural. Geraldo, aqui que tudo começou?
02:48Isso, Laira. Aqui é o princípio de tudo, tá? Plantio de amora, como foi a nossa primeira
02:55experiência com as frutas vermelhas e que vocês verem a maravilha que deu certo, né?
02:59E aqui a gente já está vendo as flores. Sim, agora é a produção de flores, os frutos que já
03:05estão
03:05começando a aparecer. Olha que coisa mais bonita. Daqui a um mês, um mês e meio, mais ou menos,
03:10é a colheita da amora. Então ela colhe, e o grande diferencial, a gente colhe direto
03:16para a câmera fria. Ela não fica no tempo perdendo todo o produto que é da amora.
03:24Ela vai passar por uma tonalidade rosa, depois vermelha, chegando a uma tonalidade bem escura,
03:29de roxo para preto. Aí ela está madura, está no seu brix ideal, saborosa.
03:34E aí, Geraldo, aqui também vocês passam colhendo. Como é esse manejo que o senhor fez aqui
03:38para facilitar o trabalho?
03:40Isso. Esse manejo, ela perde um pouco na produtividade, porém, ela ganha na mão de obra.
03:47Facilita o trabalho, que ela fique igual um plantio de uva e deixa a fruta exposta para a colheita.
03:56Há poucos passos, chegamos ao segundo cultivo.
03:59As framboesas são livres de agrotóxicos, assim como as outras frutas.
04:04Em 2018, nós já dominamos a amora e aí já partimos para a framboesa.
04:10Foi difícil dominar esse cultivo aqui, mas olha a maravilha que está hoje.
04:15Perfeição. Nós encontramos uma aqui. Vou experimentar.
04:21Hum...
04:22Foi especial para a Laila essa.
04:25Presente para mim.
04:26Assim como as amoras, elas são das famílias das rosáceas.
04:30Então, elas possuem espinhos. Não tem jeito.
04:32O manejo, sempre a gente tem que estar com luva.
04:35Agora, a colheita não pode ter luva, porque ela é muito sensível.
04:39Então, nós temos aqui a framboesa vermelha, temos a framboesa dourada e também temos a framboesa negra.
04:44E só mais uma dúvida, tem algum cuidado com o manejo especial aqui?
04:47Todas elas têm o manejo da fértil irrigação com automação.
04:53Então, aqui a framboesa e o mertilo recebem alimentação duas vezes por dia, sete dias por semana.
05:02A amora requer menos cuidado, ela é mais rústica.
05:06Então, você pode espaçar e pode fazer também uma adubação manual.
05:10Mas aqui tem a fértil irrigação direto.
05:13E não pode ser à noite, sempre de dia?
05:14Sempre de dia.
05:15Por quê?
05:18Precisa da luz solar para interagir, para poder fazer essa reação maravilhosa que está aqui.
05:23Não temos agrotóxico nenhum aqui.
05:26Olha que maravilha.
05:26O máximo que a gente consegue aqui são botar caudas, tipo bordalesa, sufocáustica ou tratamento com homeopatia.
05:34E por isso que a gente pode pegar a fruta no pé igual eu fiz agora e já experimentar.
05:37Tranquilo.
05:37Então, vamos lá para o mertilo?
05:38Você pode dar o azar de achar uma meia framboesa, que significa que o passarinho já comeu a outra metade.
05:44Cheguei antes dele. Vamos lá.
05:49Por falar nos passarinhos, eles têm alimento garantido.
05:55Pertinho da gente tem ameixa, amora e aqui no sítio o Geraldo tem um acordo com os passarinhos. Qual que
06:00é?
06:00É verdade, Laila. Nós fizemos um acordo com a natureza, que são os passarinhos, que a gente mantém aqui a
06:07produção de nesperas, que são as ameixas amarelas.
06:10A amora nativa, que é muito docinho. Os passarinhos degustam à vontade, se fartam e deixam para a gente a
06:20amora, a framboesa, o mirtilo. E dá tudo certo. Ficamos em paz com a natureza.
06:26Negócio fechado.
06:27Negócio fechado.
06:30Em outra parte da propriedade, ficam os 500 pés de mirtilo, que são cultivados em vasos.
06:36Nós começamos com o mirtilo em terra. Quase perdemos as primeiras mudas que nós tínhamos aqui. Sem mudas. Não dá
06:43para ele ser na terra. Ele requer muita aeração.
06:46Então, dentro do vaso, nós temos casqueiros de pinos, 70%, mais 25% de substrato próprio para o mirtilo e
06:55mais palha de arroz.
06:57Então, ele fica bastante soltinho e bastante erado. E uma outra característica dessa planta. Adora uma tesoura.
07:03Deu a produção? Poda. Deu a produção? Poda. E vem sempre a produção que fica maravilhosa.
07:09Ah, gente, claro, né? Vou experimentar. Olha, ele é meio aveludado, né? Isso, o toque dele é diferente. Eu nunca
07:17comi.
07:18Altamente rico em antioxidantes. É a fruta mais nobre que tem das frutas vermelhas.
07:28O produtor destaca a importância de adquirir mudas de boa procedência.
07:33Todas elas, amora, framboesa, mirtilo, vieram tudo de mudas certificadas.
07:40É fundamental você ter uma boa muda para você começar.
07:45Dica anotada, vou conversar com o Everaldo, que trabalha há cinco anos na propriedade.
07:50Nós já estamos preparados para a colheita. Everaldo, você vai me ensinar hoje como é que funciona?
07:54Olha, a colheita funciona assim, no mirtilo. A gente colhe a fruta individualmente, só as maduras, porque ela é uma
08:00fruta frágil.
08:01Se você pegar de qualquer maneira aqui, você acaba desperdiçando, estragando. Essas verdes vão sair também.
08:07Essa aqui eu posso colher?
08:07Pode. Essa está madurinha.
08:09Ah, e solta muito fácil, né?
08:11Solta. É muito sensível ela.
08:13E como que é o seu trabalho aqui?
08:15Bom, o meu trabalho é de cuidar, limpeza, colheita, poda, manutenção da irrigação, de tudo.
08:24E aqui a gente tem mirtilo, tem amora e tem framboesa, né?
08:28É.
08:28Num sítio como um todo.
08:29Sim.
08:29Esse aqui é um cultivo mais tranquilo, vamos dizer assim?
08:32Digamos que sim, por não ter espinhos, né? As outras culturas têm mais espinhos.
08:37Você me dá um aqui para experimentar?
08:38Laira, você quer que colhe do pé ou come da cestinha?
08:41Tanto faz.
08:46Está muito bom, gente. E ainda olhando para a Pedra Azul, que beleza, hein?
08:50Maravilha, né?
08:54Depois do trabalho no campo, é hora de preparar as frutas para serem comercializadas.
08:59O sítio produz cerca de 3 mil quilos de frutas vermelhas por ano.
09:04E olha que mesa linda a Gil arrumou para a gente.
09:08Ela é esposa do Geraldo e deixou a cidade para viver no sítio.
09:11O casal tem quatro filhos e alguns participam do negócio da família.
09:15Gente, olha que mesa mais linda. Gil, apresenta para a gente.
09:19Laila, aqui são as frutas desidratadas.
09:22É a laminada da fruta mesmo, por essa aqui é a manga, né?
09:27Você pode laminar.
09:29Você pode experimentar.
09:29Isso, fica à vontade.
09:31Nós temos aqui o abacaxi.
09:33Olha que cor mais linda.
09:35Ela é feita em várias caldas.
09:37Está bem natural.
09:38A calda de jabuticaba, de framboesa, de pitaia.
09:42É docinha.
09:43E aqui também é uma outra forma.
09:46É a papa de fruta desidratada.
09:49Aí a gente faz as lâminas.
09:51Leva de 18 a 15 horas desidratando isso aqui.
09:55Não tem conservante, não tem açúcar, não tem trigo, não tem nada disso.
09:59É a fruta mesmo.
10:00Totalmente natural.
10:01Totalmente.
10:02E tudo isso aqui surgiu como uma alternativa para aproveitar mesmo a produção de vocês.
10:06Sim, é para o aproveitamento das frutas mesmo, né?
10:09A gente tem muita sobra de fruta, né?
10:12Então tem a maçã, olha as cores.
10:14Essa aqui é a maçã?
10:15Na calda da pitaia.
10:17Hum, é macia.
10:19Ela é palatável, né?
10:21Não é aquela fruta dura, né?
10:25Isso é uma forma diferente de você apresentar.
10:27Essa aqui, se aprovar, é a casquinha de limão siciliano.
10:32Pode abrir.
10:33Até a casquinha também.
10:34A casquinha, você aproveita tudo.
10:36Você aproveita tudo.
10:37Ok, ó, bem com a molinha.
10:40Hum, em vez de ser aquela casquinha açucarada, não tem açúcar nenhuma.
10:45A casquinha de limão siciliana é fantástica.
10:48Acho que é uma das minhas preferidas.
10:50Gil, muito obrigada, viu?
10:51Nada, fica à vontade.
10:54Deixa eu me afastar dessa mesa porque eu não paro de comer.
11:01Então, sigo para ver as frutas congeladas.
11:03Cada fruta tem uma safra, então não dá o ano todo, não é isso, Geraldo?
11:07Verdade, Laila.
11:08As safras são diferenciadas.
11:10O mirtilo e a framboesa tem uma safra mais extensa.
11:14Normalmente, de setembro até junho.
11:16Já a mora, não.
11:17É novembro, dezembro e janeiro.
11:19E acaba a safra.
11:19Então, nós temos que aproveitar o máximo dessas frutas, congelando-as.
11:23E a gente tem aqui as frutas congeladas e vocês comercializam dessa maneira.
11:28Como que funciona?
11:29Sim.
11:29Nós temos os pacotes de meio quilo das frutas.
11:33Tem esses pequenininhos aqui que é para suco, não é isso?
11:35Exatamente.
11:36Isso aqui são produção de suco, dá perfeitamente um copo de 300 ml e que a gente comercializa
11:41em pacotes de um quilo.
11:44Antes de me despedir, o Geraldo conta que tem uma outra visão de um ditado popular.
11:49Todo mundo fala que sítios são duas alegrias.
11:52Uma quando você compra e outra quando você vende.
11:56Mas aqui com as frutas vermelhas, nós podemos garantir que temos mais alegrias.
12:02Basta a gente cuidar com carinho, com amor, que nós temos saúde, dedicação, preservação
12:09da natureza e muitas amizades que a gente faz.
12:13E um alimento saboroso.
12:16Chegou a hora de conferir as cotações do café e da pimenta do reino.
12:21O Conilon Tipo 7 abriu a semana em R$ 615 a saca.
12:26Na sexta-feira, estava em R$ 595, queda de 3,25%.
12:33Conilon 7,8 começou a segunda-feira em R$ 610 a saca e fechou a semana em R$
12:40590, queda de 3,27%.
12:43A pimenta do reino B1 não teve variação e fechou a semana em R$ 13,20.
12:49Por conta do feriado, não teve cotação na quinta-feira.
13:00O peixe tem um cheiro, digamos assim, marcante.
13:04Agora você imagine toneladas de resíduos de peixe sendo acumuladas à beira de um rio.
13:09Pois é, essa era a situação aqui de Piuma.
13:12Mas essa realidade mudou a partir de uma iniciativa que a gente vai conhecer agora.
13:18Por mais de 40 anos, as margens do rio Iconha e Piuma ficavam cheias de resíduos de peixes e urubus.
13:24Um sofrimento para os moradores da região.
13:27Mas no fim do ano passado, essa situação começou a mudar e o Aldinei participou dessa transformação.
13:34Trabalha com peixe há muito tempo, Aldinei?
13:35Sim, a gente trabalha com peixe há 46 anos e sempre a gente via essa sujeirada toda ir para o
13:42rio.
13:43A gente ficava pensando, gente, como que a gente vai acabar com isso?
13:47Aí teve um dia que eu parei para pensar que o pessoal estava destruindo o rio.
13:52E eu também estava ajudando.
13:54Destruiu um negócio que a gente tomava banho, a gente bebia essa água aí do rio.
13:59Aí, com a parceria com a prefeitura, graças a Deus, a gente conseguiu o caminhão.
14:04O Aldinei foi a pessoa que se incomodou com essa situação e decidiu tomar uma iniciativa.
14:09Procurei o prefeito e assim a gente conseguiu preparar o lugar para guardar essas tripas adequadas aí.
14:14Já deu muita diferença?
14:15Com certeza. Acabou o mau cheiro, acabou o urugu.
14:18Os vizinhos aqui do lado falavam e vendeu o patrimônio que eles tinham.
14:23Hoje não, está todo mundo querendo.
14:25Juntando tudo aqui e as 3, 4, 5 toneladas de sujeirada todinha nessa daqui, para dentro do rio.
14:32Pensa bem, isso tudo para dentro do rio.
14:34Mas uma parceria entre a prefeitura e uma empresa de Anchieta deu um novo destino para os resíduos.
14:40Agora eles são recolhidos e viram matéria-prima para a ração de animais.
14:45Uma peça fundamental nesse processo é o trabalho do Johnson.
14:49Ele passa nas peixarias recolhendo os resíduos.
14:51Como é a sua rotina aqui?
14:53A rotina é recolher os resíduos de peixe nas peixarias de piúma, todas as peixarias, às 11 horas da manhã.
15:01E às 16h30 da tarde, também do outro passado, recolhendo os resíduos todinho.
15:06E armazenando na cama frigorífico, né?
15:09Para congelar e na partida de manhã cedo o caminhão vem todos os dias buscar para levar para a fábrica
15:15para fazer a ração.
15:17É, gente, tá? É frio aqui. Qual a temperatura, Johnson?
15:21Aqui é 2 graus negativos.
15:25Hoje quem ganha é toda a população, né?
15:28O nosso rio que está limpo hoje, que ninguém mais joga tripa lá.
15:31E a população em torno aqui do mercado de peixe.
15:34Secretário, em relação a números, o que o senhor pode falar para a gente dessa quantidade,
15:38para a gente ter uma ideia do tanto de resíduo que tinha ali?
15:41Em média, por dia, é uma faixa de 500 quilos a uma tonelada de tripa que ia para o rio,
15:47né?
15:47E hoje não vai mais.
15:48Esse ano, nós deixamos de jogar no rio coisa de 5 toneladas de peixe, de tripa de peixe, em 3
15:54dias.
15:55O Nério, que é cliente da peixaria, conta como era a região até o ano passado.
16:00Antes era muito mal cheiroso, aquele cheiro ruim, muita coisa.
16:05Toda hora tinha gente jogando resto de peixe e hoje não tem mais.
16:09Dá prazer de pescar agora?
16:10Dá prazer de pescar, é bem melhor.
16:13Já à beira do rio está a Maria Benedita, que veio de Cachoeiro para visitar a filha e aproveitou para
16:19pescar.
16:20Dona Maria Benedita está preparada para a pescaria, mas o que a senhora ouviu dizer desse lugar?
16:25Ah, que era sujo, que não podia comer os peixes aqui.
16:32E, ultimamente, já se pode comer, né?
16:34A senhora já pescou algum peixe aqui?
16:35Ah, pesquei bagre e outros que estavam no dia pescaram de lápia, tainha.
16:43Eu amo pescar.
16:46E aqui, em Piúma, é um privilégio, né?
16:51Prefeito, e essa iniciativa veio da própria população daqui, né?
16:55Olha, o problema estava posto e a gente, em diálogo com a comunidade pesqueira,
17:01nos apontaram para onde a gente deveria caminhar.
17:05O que a prefeitura fez foi operacionalizar uma solução que a própria comunidade entregou a gente.
17:11Com certeza, o volume de resíduos ultrapassa aí as 10 toneladas mês, que agora tem uma destinação correta.
17:21Prefeito, o senhor estava conversando comigo que essa área, a ideia do senhor é que ela seja revitalizada, não é
17:25isso?
17:26Qual o projeto?
17:27Olha, iniciativas importantes.
17:29Criar uma estrutura física que permita que o pescador descarregue a sua mercadoria e revitalizar o espaço.
17:40Com isso, a gente, além de apoiar o pescador, a gente consegue criar um ambiente de negócio para atrair para
17:48cá novos negócios.
17:51Como, por exemplo, um restaurante, um bar, aquilo que dá suporte a esse volume de pessoas que passam por aqui.
17:57O projeto executivo já está pronto, a gente está na dependência da Marinha do Brasil autorizar a construção dessa estrutura
18:06para a gente poder licitar e colocar serviço da população.
18:10De Piuma, vamos seguir para a Anchieta, na empresa onde a transformação dos resíduos acontece.
18:15Em 2022, a FAPESA recolheu 3.400 toneladas de resíduo de peixe.
18:20Para este ano, a expectativa é de 4.500 toneladas.
18:24Como é a parceria de vocês com o município de Piuma?
18:27É uma parceria muito interessante.
18:29Eles procuraram e a gente fez um acordo seguinte, eles destinavam uma câmara para a gente,
18:36a gente colocou um funcionário nosso lá, onde a gente recolhe todas as peixarias,
18:40leva para essa câmara, armazena ela lá, refrigerada, e o caminhão vai lá e retira esses resíduos.
18:47Chegou o momento de acompanhar o passo a passo do resíduo de peixe, até virar farinha e óleo.
18:54Aqui é a recepção de resíduos.
18:56Juscimar, é onde tudo começa?
18:58Sim, aqui é o início do processo.
19:00Aqui os caminhões chegam, aqui descarrega os resíduos e aqui que inicia todo o processo por aqui.
19:08Além de Piuma, restos de peixe, janchieta, itapemirim, marechal, viana, serra e até cidades do Rio de Janeiro e de
19:16Minas Gerais,
19:17são levados para a empresa.
19:19Ela foi criada em 2009 e faz parte de um grupo que tem fábrica de ração para animais.
19:24Agora a gente já está na parte interna da indústria para acompanhar o caminho do resíduo.
19:29Juscimar, qual é o próximo passo?
19:31Vamos na hora de ver os digestores.
19:34Aqui os resíduos, que estão depositados nos digestores,
19:38eles sofrem hidrólise térmica, transformando eles em pequenas partículas
19:42e também retiramos a água em forma de vapor.
19:45E por onde que essa água passa?
19:47Essa água, ela é destinada, depois esses dutos, é vapor e o vapor é condensado e resfriado
19:55e depois faz uma fértil irrigação dessa água.
19:57Tudo se aproveita?
19:58Tudo, aqui entrou 100% aproveitável.
20:00Aqui está essa matéria que você está vendo aqui, essa matéria é prensada,
20:04nós tiramos todo o óleo, depois é triturada e transformando de farinha.
20:10E aí esse óleo e essa farinha são transformadas em ração?
20:13Essa é matéria-prima, nobre, usada nas nossas formulações de ração.
20:18Continuamos o caminho para entender como os restos de peixes vão se transformar em ração.
20:23A gente acabou de sair dos digestores e logo aqui do lado está a prensa?
20:27Sim, aqui é a prensa onde é retirado o óleo e em seguida,
20:33a gente pode verificar aqui, a matéria seca saindo aqui,
20:37essa é a matéria seca que vai se transformar em farinha.
20:41Deixa eu até colocar a mão para sentir como é que ia estar quentinha.
20:44E já estamos chegando na última etapa.
20:47Aqui nesse silo a farinha está sendo resfriada e já está ficando prontinha, que a gente vai ver aqui.
20:55Exatamente, né?
20:56Aqui, podemos ver aqui uma farinha finalizada, foi triturada, pronta para ser consumida.
21:04E antes a farinha estava quente e agora, vou colocar a mão nela aqui,
21:09ela já está realmente fria, que já está pronta para ser finalizada.
21:13Agora ela vai terminar de ser embalada para depois ser armazenada.
21:16E aí essa farinha vai para que lugar, Jocimar?
21:19Essa farinha daqui, ela vai para a Viana, onde ela é usada nas nossas formulações diversas de rações,
21:27que pode ser inserida em todas as formulações, menos para animais ruminantes.
21:32Por quê?
21:33Porque em função da vaca louca foi proibido o uso de matéria-prima de origem animal.
21:40Do lado de fora, acompanhamos de onde vem a energia utilizada na fábrica.
21:44A água que saiu da indústria irrigou o eucalipto, que agora volta para a fábrica em forma de energia.
21:51E a natureza com isso agradece, porque ela é altamente sustentável
21:56e a grande nossa, do grupo, é uma preocupação exatamente com o meio ambiente.
22:00E, Jocimar, é importante a gente falar também que essa água, esse resíduo de peixe,
22:05ele estava poluindo rios, né?
22:08Então agora tem uma nova destinação.
22:10Exatamente.
22:11Antes era todo destinado ou para os aterros sanitários,
22:15ou para os mares, rios, lagos, poluindo nossas belas praias e nossos rios.
22:22E todo esse trabalho tem um significado especial para o Jocimar.
22:27Olha, eu tenho muita gratidão em saber que a gente colabora com a natureza.
22:31O grande preocupação hoje é a sustentabilidade e a natureza.
22:42Veja as notícias do mundo agro que foram destaque no Folha Business dessa semana.
22:47Cooperativa Capixaba expande vendas de tilápias para outros estados do sudeste.
22:56Cachaça de Linhares é premiada com medalha de ouro em concurso na Itália.
23:03Espírito Santo alcança o melhor resultado mensal nas exportações de café com nilon desde 2021.
23:13Cooperativa Capixaba de Café com Nilon investe 2 milhões em usinas fotovoltaicas.
23:22Empresas do agro com negócios no Espírito Santo estão entre as mil maiores do país, segundo a Exame.
23:31Para saber mais, confira a coluna Agro Business no folhavitória.com.br
23:37e no nosso canal no YouTube e Instagram, arroba Folha Business.
23:51No meio da natureza, uma construção chama a atenção.
23:56E não é apenas pela beleza, mas especialmente pelos materiais utilizados na obra.
24:05A busca por soluções de menor impacto ambiental tem se tornado cada vez mais comum.
24:12Uma consequência da preocupação do que o homem vem causando em todo mundo.
24:18E foi justamente isso que atraiu a engenheira civil e tatuadora Rafaela para a pousada.
24:24A primeira hospedagem foi em maio, mas ela fez questão de voltar.
24:29O que mais me chamou a atenção foi esse contato, quase uma imersão na natureza,
24:38no ambiente totalmente natural e coisa que a gente não tem na cidade, quase.
24:47Rafaela faz parte de uma turma de voluntários que vieram até a propriedade
24:53que fica em patrimônio na Penha, no Caparaó Capixaba, para aprender sobre bioconstrução.
24:59Você utilizar os elementos da natureza, tentando fazer a menor quantidade de intervenções possíveis.
25:07Usar da forma mais natural possível.
25:10As peças, às vezes, são mais curvas.
25:12E aí a gente tenta adaptar.
25:15E eu acho que isso, você manter essa originalidade natural, né, que a mãe natureza nos dá, é muito incrível.
25:23E é claro que eu tinha que pedir para o Márcio para também colocar a mão na massa junto com
25:29os voluntários.
25:30Márcio, quais são as etapas que o Balmú vai passar até chegar naquele bangalô lindo?
25:34A gente faz um pequeno laço, onde a gente vai puxar essa ponta.
25:40A partir desse laço, a gente começa a passar a corda sobre o bambu e fazendo essa amarração sempre com
25:50firmeza.
25:51Esse é o primeiro momento.
25:52Quer continuar?
25:53Por favor.
25:55E aí tem que manter firme, né?
25:56Manter firme e sempre certinho.
25:59Isso, agora quando você chega aqui nesse momento, você passa essa última parte pela alça do laço que você já
26:09criou.
26:11E puxa.
26:12Dá essa finalizada, né?
26:13Vai ser passada uma cola, né, para manter firme e depois o verniz.
26:17Pode ser verniz ou pode ser stain, mas sempre passar um impermeabilizante porque esse bambu fica exposto no tempo.
26:24Então é bom que evita a umidade.
26:27O instrutor do curso e proprietário do sítio é o Marcius.
26:32Há 14 anos, ele trocou a cidade pelo campo e há 5 anos deu início à pousada.
26:39Para ele, era necessário achar formas de agregar valor à construção.
26:43A bioconstrução, na verdade, né, é uma forma alternativa de se construir hoje.
26:49É, tendo uma preocupação muito grande com a nossa permanência no local e com o próprio ambiente.
26:58A permacultura, na verdade, é a cultura da permanência.
27:01De que forma a gente pode ficar num espaço, ocupar aquele espaço e ser sustentável naquele espaço.
27:08Esse bambu que virava cerca para o meu vizinho pode virar casa também.
27:12E a gente mostrar um pouco disso faz movimentar também a economia local.
27:19É um pouco do nosso objetivo.
27:20Vamos então entrar para poder conhecer?
27:22Por favor.
27:24E o elemento principal aqui é o bambu.
27:28Lembra daquela matéria-prima que a gente viu lá?
27:30Agora ele está transformada, né, Márcio?
27:33Justamente.
27:34Hoje a gente, aqui na Aldeia Alegria, usa o bambu como elemento protagonista, matéria-prima protagonista de todas as nossas
27:43obras.
27:44A gente teve um encontro com essa matéria-prima que é o bambu e ficamos fascinados com toda a sua
27:51potencialidade, né?
27:53O bambu hoje é um elemento muito utilizado nas construções modernas, inclusive nas construções tradicionais.
28:02Muita gente querendo dar esse toque orgânico, dar mais rusticidade às obras.
28:07E o elemento bambu está, assim, bastante utilizado no mundo.
28:12E aí a gente consegue ver, né, que então a parte estrutural, aqui eu falo agora como engenheira,
28:17a gente vê a presença muito forte desse bambu, então, construindo e dando ali a firmeza necessária para uma casa
28:24como essa.
28:24E isso daqui é só o começo, né? Dá para fazer muito mais?
28:27Justamente. Essas estruturas de telhado, que a gente chama de treliça, é muito utilizada dentro da engenharia, mas feitas em
28:35aço.
28:36E aqui a gente faz elas todas em bambu. O forro dessa casa é feito em bambu.
28:42Aqui nesse espaço, o bambu, ele é predominante.
28:48Os edifícios são responsáveis por 36% do consumo global de energia e 39% das emissões de gases de
28:56efeito estufa,
28:58de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
29:02E a bioconstrução é uma alternativa para buscar o equilíbrio entre as necessidades humanas e a preservação ambiental.
29:12Como vimos, com tantas vantagens e benefícios, a bioconstrução moderna tem um enorme potencial de crescimento
29:20e é uma tendência que deve continuar a crescer à medida que a demanda por soluções sustentáveis de construção
29:27permeiam as pautas habitacionais.
29:31E quando a gente entra nesse espaço, a gente começa a ver a bioconstrução na prática.
29:38Márcio, o que a gente consegue observar nesse espaço aqui?
29:42Bom, aqui é uma bioconstrução que utiliza dois tipos de materiais.
29:47Um são os materiais ressignificados e são os materiais alternativos.
29:54Aqui a gente utiliza o bambu gigante, é uma espécie de bambu do Oriente
29:59e é a maior espécie de bambu que a gente tem no mundo, chama Dendrocalamus asper.
30:04E eu também utilizo o barro, o barro com aquela técnica da casa da vovó,
30:09aquela casa antiga da roça, onde todo mundo tem um pouco de memória,
30:13que é o pau-a-pique, que a gente trabalha esse pau-a-pique já numa roupagem mais moderna,
30:19para estar alinhado com uma estética que a gente quis dar a esse espaço.
30:24Eu também utilizo a ressignificação de materiais.
30:27O que é? São materiais que têm uma utilidade,
30:30mas a gente consegue dar outra utilidade nele aqui dentro dessa obra.
30:34Por exemplo, é uma lâmpada, é um cinzeiro que viram vitrais dentro dessa parede.
30:41Para não ser apenas um estilo rústico,
30:44ele queria que a construção fosse sustentável de outras formas.
30:49É um espaço que foi pensado desde o começo dele,
30:53de como a gente conseguiria inserir uma obra,
30:59tendo uma harmonia com a natureza e com a paisagem,
31:03que a paisagem é o que a gente tem de mais importante aqui na Serra do Caparaó.
31:07E foi assim que ele chegou no conceito da bioconstrução e da permacultura.
31:14E não tem como a gente finalizar essa matéria direto do Caparaó
31:18sem falar de elementos que são primordiais aqui.
31:21Água e floresta.
31:23Márcio, a gente não pode falar de bioconstrução
31:25sem entender a importância desse equilíbrio, né?
31:28Na verdade, a bioconstrução, ela se soma
31:31a um projeto de ocupação sustentável do espaço.
31:34O Parque Nacional do Caparaó hoje é uma das maiores áreas de mata atlântica contínua
31:41que a gente tem no estado do Espírito Santo.
31:43Hoje a nossa água vem diretamente da montanha, do alto da Serra do Caparaó.
31:49Esse espaço aqui, por exemplo, ele tem filtros biológicos,
31:52onde sai já uma água filtrada novamente para a natureza.
31:56E os outros espaços a gente trabalha com tanques de evapotranspiração.
32:00A água contaminada da descarga do vaso sanitário,
32:05ela vai para uma caixa que vai voltar para a natureza,
32:09ou transpirada ou evaporada.
32:11E eu acho, né, Márcio, que se todo mundo pensar um pouquinho sobre isso,
32:14a gente vai ter aí um Caparaó vivo, um Caparaó forte,
32:18e principalmente a gente vai poder fazer com que mais pessoas conheçam o Caparaó,
32:23conheçam essa beleza, que para mim é um dos meus pontos preferidos aí,
32:28de turismo do Brasil inteiro.
32:31E eu espero muito que as pessoas consigam ter visto aí um pouquinho
32:34do que a gente fala do Caparaó brasileiro e do Espírito Santo.
32:42Viu aí? O Agrobusiness te leva de norte a sul para conhecer o Espírito Santo.
32:48E você, tem alguma história bacana para a gente contar aqui no programa?
32:52Manda sua sugestão para o meu e-mail stefany.com.br
32:58ou para o meu Instagram pessoal, arroba stefany.agro.
33:01Aguarda sua sugestão.
33:03E, ó, semana que vem eu estou de volta com mais histórias do Espírito Santo.
33:07E, ó, semana que vem eu estou de volta com mais histórias do Espírito Santo.