00:00Quando a mamãe, em 1990, inaugurou o Dona Lucinha,
00:03ela havia feito 20 anos antes de festival.
00:06Ela era conhecida no Brasil, então a mamãe tinha um histórico para fazer.
00:11Ela não veio como uma aventureira.
00:12Quando ela chegou, ela chegou com uma casa,
00:15ela sabia exatamente o que ela queria fazer.
00:18Ela pôs o formato do restaurante com duas grandes cozinhas,
00:24representando a cozinha da fazenda e a cozinha do tropeiro,
00:26porque ela já tinha compreendido que a cozinha mineira
00:31não poderia ser, até aquele momento,
00:35havia um único estudo, os livros da Dona Maristela
00:39e o Feijão, Anguicou e do Eduardo Friê,
00:43praticamente não haviam publicações e estudos.
00:45E a mamãe deles desconhecia, porque ela vivia no Cerro,
00:50no Nordeste de Minas, sem estrada.
00:52Então, a mamãe, o que eu acho mais extraordinário,
00:57inclusive, é que ela tirou tudo de dentro dela mesma.
01:00Ela não teve referência nenhuma.
01:03Por isso é muito genuíno.
01:05A mamãe estava muito...
01:07Ela fez o festival e, quando abriu o restaurante,
01:10foi muito bem recebido.
01:13Eu me lembro que eu via filas subindo ali a Padre Dorico,
01:17dia de semana.
01:18Então, ela foi um acontecimento na cidade justamente porque
01:22o que ela fez?
01:24Ela colocou o restaurante fazendo o que ela fazia,
01:28o Festival de Cozinha Mineira, dentro do restaurante.
01:31As pessoas encontravam o festival todos os dias,
01:35um de dia, outro de noite.
01:36Coisa de doido, porque a mamãe doida, ela era...
01:39É, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é, é,
01:39é, é, é, é, é, é,
01:39Obrigado.