00:00Foram 30 anos de profissão. O vigilante Osail Barbosa, de 55 anos, estava prestes a se aposentar,
00:08mas a rotina dele mudou há alguns dias, quando ele começou a apresentar os sintomas do coronavírus.
00:15Meu pai deu entrada no mês de maio em um pronto-socorro particular de Cariacica,
00:22com todos os sintomas de Covid-19. Após o meu relato para a médica dos sintomas, a médica me ignorou,
00:33disse que ele não tinha cara de Covid, liberou ele e mandou para casa.
00:38A filha dele é profissional da saúde. Ela e a mãe testaram positivo para Covid-19.
00:44Por conta disso, elas previam que Osail também estava com a doença.
00:49Duas semanas após, meu pai começou com dificuldade respiratória, esforço, muito cansaço, muito esforço.
00:59Consegui uma consulta para ele de urgência com o nefrologista, onde o nefro encaminhou ele imediatamente para a internação.
01:08Meu pai deu entrada no dia 1º de junho em estado grave, no aparte. No dia 2, ele foi transferido
01:17para o Jaime.
01:17O quadro de saúde do vigilante foi gradativamente melhorando.
01:22Após 4 dias, ele voltou para o aparte, ficou na enfermaria, onde todos os dias a médica ligava e me
01:32dizia que ele estava bem,
01:34que os exames dele estavam ótimos e que em breve ele voltaria para casa para dar continuidade no tratamento.
01:41Nesse fim de semana, os médicos estavam prontos para dar alta ao Osail, que estava respondendo bem ao tratamento.
01:48Até aí, um alívio para a família.
01:50Mas, na tarde do último sábado, a filha dele atendeu uma ligação do hospital, dessas que ninguém quer receber.
01:59No dia 13, sábado, conversei com ele. Ele me disse que estava bem, conversou com a minha mãe, falou que
02:08estava bem e que disse que logo, logo viria para casa.
02:13Às 16 horas, recebi a pior notícia da vida, que um filho pode receber, que a médica me pediu os
02:21documentos e para a gente ir ao hospital.
02:23É difícil, não é fácil. Perder um pai, a coluna da casa, aquele que criou o meu filho até hoje
02:35como pai, nunca deixou faltar nada para mim, para o meu irmão, para o meu filho. É muito difícil.
02:45Uma dor que a família não esperava passar. As memórias de um homem prestativo e cuidadoso são o consolo.
02:54Uma pessoa sorridente, alegre, que sempre o que pôde, ele fez para todo mundo. Se ele pudesse carregar todo mundo,
03:04ele carregava.
03:06A morte de Osail despertou um novo sentimento na família, o de aproveitar a vida enquanto ela ainda existe.
03:14E eu digo que eu só tenho orgulho do pai que eu tive. E que você, que tem o seu
03:22pai, ame mais, diga mais que você o ama, porque a gente não sabe o dia de amanhã.