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Agro Business - Episódio 8
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NotíciasTranscrição
00:01Música
00:10Plantio de mudas de abacaxi cai mais da metade em Marataízes.
00:15Impacto deixado pela seca do ano passado.
00:20Música
00:21Os outros anos, quando chega o mês de abril, finalzinho agora de abril,
00:27eu já tenho colhido 300 mil abacaxis.
00:30Esse ano, agora que eu estou colhendo os primeiros frutos.
00:34Isso aí é consequência da falta de chuva do ano 2022.
00:38Produtores de Aracruz utilizam a poda de amarril na lavoura de café.
00:43A técnica aumenta em até 30% a produtividade.
00:49Música
00:49Com essa poda a gente não tem perca nenhuma de produção.
00:53A gente tem a expectativa que gira em torno de 80 sacos por hectare.
00:56É a quarta safra da galha.
00:58Estudo feito pela UFIS em São Mateus, mostra o uso de drones no controle de doenças do cafeiro.
01:06Música
01:07Com o drone, as gotas ficam na folha sem o escorrimento, ou seja, a aplicação é mais eficiente.
01:13Os grãos de café estão prontos para serem retirados do pé.
01:18Especialista orienta para os cuidados em cada etapa da colheita.
01:24Música
01:25Evitar o máximo de ter frutos verdes ali no meu lote de café,
01:29porque colher café verde vai perder peso de café, né?
01:33E também perder qualidade.
01:34Lavandário em pedra azul, Domingos Martins, já está florido.
01:38A temporada de visitação começou.
01:42Música
01:44Primeira vez aqui, eu estou apaixonada pela beleza de tudo e pela variedade de coisas que a gente tem para
01:51visitar.
01:54Música
01:56Vamos agora conferir as cotações do café e da pimenta do reino.
02:01O café Conilon Tipo 7 abriu a semana, sendo negociado em 645 reais.
02:09Manteve estabilidade e fechou a cesta em 645 reais a saca.
02:15O Conilon Tipo 7-8, de acordo com o levantamento da Coabriel,
02:20também manteve a estabilidade nesta semana.
02:23Abriu e encerrou em 640 reais a saca.
02:28A pimenta do reino preta B1 começou a segunda-feira, sendo negociada a 13 reais e 50 centavos.
02:36Manteve estabilidade, mas na cesta subiu para 14 reais, uma alta de 3,70% na semana.
02:46Intervalo e no próximo bloco, o Agro Business te leva até um lavandário em pedra azul.
02:51Vamos te mostrar que os campos já estão todos floridos.
02:55São mais 16 mil pés de lavanda.
03:00Tecnologia a favor do homem do campo.
03:03O uso de drones no controle de doenças do cafeiro tem maior eficiência se comparado a outros métodos tradicionais.
03:10Até já!
03:22É muito comum pra gente sempre encontrar um pé de café dessa forma.
03:27Mas hoje eu vou te mostrar um produtor que resolveu investir numa técnica diferente.
03:32A poda de amarril.
03:34E te mostra que tem resultados positivos na lavoura.
03:41Um jeito diferente de conduzir a lavoura.
03:46Há cerca de seis anos, Breno ouviu falar de uma técnica chamada de poda de amarril.
03:53Também conhecida como poda de cordas.
03:56E decidiu fazer um experimento em 5 hectares dos 50 das Serras da Família, no distrito de Jacupemba, em Aracruz.
04:07Mas o início não foi fácil.
04:11Por ser algo muito novo, Breno e o pai, seu Nivaldo, foram até chamados de loucos.
04:17Você falar em amarrar uma lavoura, né, é um exercício meio que estranho.
04:23Mas quando você vê o resultado, e o exemplo, isso tem um custo, a verdade tem um custo.
04:27Mas o benefício é muito maior do que o custo.
04:31Mas o que é essa poda de cordas tão questionada?
04:35Ela consiste em amarrar os galhos da planta, de uma carreira com a outra, abrindo o interior da planta.
04:41Para que o sol consiga entrar na base da planta e consiga proporcionar o melhor desenvolvimento do bruto.
04:46Porque ele não fica estiolado.
04:48Como se a galha estivesse em cima da planta, fazendo sombra sobre a base.
04:52É, e vamos só para o pessoal que está em casa entender.
04:55Se fosse uma lavoura sem poda, não tem essa técnica de poda,
04:59esse café que está aqui virado, né, para o meio da rua, ele estaria aqui em pé, né?
05:03Isso, essa galha estaria no centro da planta, fazendo, nessa posição, fazendo sombra sobre o bruto.
05:09Com isso, o bruto não recebendo luz, ele cholaria, subiria, os internodes dele ficariam compridos.
05:18E a planta ficaria fraca, não teria estrutura para suportar a safra do próximo ano.
05:22Ela vai florar agora em 2000, esse bruto vai florar agora em 2023, para produzir em 2024.
05:28Em 2024, se ela não tivesse essa estrutura que ela tem aqui, desenvolvimento,
05:31ela tombaria e a gente já perderia o bruto na primeira safra.
05:37Com a técnica, se tem um ganho de 33% de produtividade.
05:42E o galho, que seria cortado, agora passa a ser produtivo.
05:47E garante um aumento da vida útil de produção do cafeeiro.
05:52Com essa poda, a gente não tem perca nenhuma de produção.
05:55A gente tem a expectativa que gira em torno de 80 sacos por hectare.
05:59É a quarta safra da galha.
06:01E é para o próximo ano também ficar nos 80 sacos por hectare, com a produção somente do bruto.
06:08A poda de corda ajuda a reduzir a incidência de pragas e doenças do cafezal.
06:14Breno também explica que essa técnica ajuda a reduzir a altura e partes laterais das plantas,
06:22para facilitar os tratos culturais e a colheita nos próximos anos.
06:28A colheita fica muito barata, tá certo?
06:31Enquanto uma colheita normal gira em torno de 60, 70 centavos por pé,
06:35aqui a gente paga 10, 15.
06:37E menos mão de obra também.
06:38Menos mão de obra.
06:39O custo fica muito barato e é um benefício de toda a poda programada.
06:43Não somente dessa por amarril.
06:44Qualquer poda programada no último ano da galha é feita dessa forma.
06:49Corta a galha e larga somente o bruto.
06:53Mas antes de adotar a técnica, é preciso conhecimento.
06:59Ela só deve ser utilizada em períodos onde o café está com ciclo produtivo favorável e um bom mercado.
07:07A gente não utiliza ela em todos os anos e nem em todas as lavouras, em todos os talhões.
07:11A gente utiliza ela quando o mercado do café está favorável,
07:16nem nesse cenário de preço atual de 650, flutuando até os 700 reais.
07:21É um preço que dá para trabalhar.
07:23E principalmente quando a lavoura tem capacidade produtiva legal.
07:27Não adianta a gente fazer essa técnica em lavouras com capacidade produtiva de 30, 40, 50 sacas
07:33de último ano da galha, que é comum também chegar a esses níveis de produtividade.
07:37Então quando a produção é estimada para a pasta dos 60 sacos por hectare,
07:41que compensa fazer essa técnica de amarril.
07:47É preciso que a técnica também seja acessível ao bolso do produtor.
07:53E nisso, Lara fica de olho.
07:56No âmbito dos custos dessa técnica, a gente tem dois principais formadores,
08:01que são a mão de obra, que também é o de maior representatividade dessa técnica.
08:06E também temos o custo com o material, com a corda,
08:09que na verdade é uma espécie de fitilho plástico.
08:12E hoje a gente tem uns custos em torno de 1.200 reais por hectare.
08:17Com o emprego dessa técnica ao longo dos anos, a gente conseguiu levantar também alguns números.
08:23E hoje a gente vê que tem uma média de mais ou menos 400 pés por pessoa dia
08:30para a formação, para o emprego dessa técnica na lavoura.
08:35Por aqui, a prática é adotada no período de agosto a outubro.
08:41E tem como principais objetivos a renovação por indução de ramos produtivos.
08:47Como não está na época de fazer essa prática, pedimos ao Breno uma demonstração.
08:53A gente amarra uma galha, pega um fitilho, amarra...
08:57O fitilho deve ter entre um metro e meio a dois, tá certo?
09:01Então a gente amarrou uma galha, vem na carreira vizinha e amarra em outra galha.
09:05Posso ela abrir e amarra em outra galha.
09:17Pronto.
09:18Então ela fica assim durante um período de três meses,
09:21que é quando o fitilho começa a apodrecer e haja naturalmente a soltura das galhas novamente.
09:26E a gente vê que não está no máximo, porque produtores a gente pode querer puxar mais para baixo.
09:32É.
09:32Essa é uma galha que já tende a ficar muito no centro.
09:34Se você puxar muito, você acaba quebrando.
09:36A ideia é que a lavoura fique como um túnel, tá certo?
09:40As duas galhas das duas carreiras fiquem no centro da carreira e o meio do pé fique livre,
09:46formando um túnel e o centro da carreira fique bem povoado pelas galhas.
09:51Uma técnica que veio para ajudar o produtor.
09:55E mesmo que muitos ainda sejam resistentes à mudança, vale a pena o investimento.
10:02A gente percebe que é uma técnica que vale sim muito a pena a gente fazer.
10:06O produtor tem que estar sempre aberto a essas novas técnicas e tentar introduzir de forma racional,
10:13não fazendo tudo, mas sempre experimentando, que o resultado está aí.
10:16A gente já vem praticando isso aí, acho que desde 2016, se não estou enganado, 2017,
10:20e o resultado é fantástico.
10:30Estudo pioneiro feito no Espírito Santo mostra que o uso de drones no controle de doenças do cafeiro
10:36tem maior eficiência se comparado com métodos tradicionais.
10:40Nossa equipe foi até a Fazenda Experimental da UFIS em São Mateus
10:44para saber mais sobre essa pesquisa.
10:51A tecnologia com a criada do produtor.
10:55A pesquisa da UFIS realizada em Marechal Floriano com café arábica durou um ano.
11:00O trabalho foi concluído em outubro de 2022 e publicado em janeiro deste ano.
11:05Nós chegamos à conclusão que a aplicação com o trator que aplica 400 litros de cauda por hectare
11:11e com um drone que aplica 10 a 15 litros de cauda por hectare,
11:15a eficácia do controle da doença foi a mesma.
11:18Ou seja, eu posso substituir sim o tratorizado, que é ineficiente,
11:24escorrimento para o solo de produto, deriva, que é o vento levando,
11:27posso substituir pela aplicação mais eficiente do drone, em qualquer situação.
11:35O resultado mais importante da pesquisa foi em relação à eficiência do drone.
11:40Então, Laila, isso é um ponto mais importante que me deixa muito feliz como pesquisador,
11:44porque a universidade tem um papel muito importante no ensino, pesquisa e extensão.
11:48A extensão é levar resultados de pesquisa que nós fazemos, que fica para a academia, para a prática.
11:53Então, o que acontece?
11:54Nós chegamos à conclusão que o drone é eficiente.
11:58O que é a eficiência do drone?
11:59Ele consegue dar uma boa eficácia do produto, aplicando uma quantidade menor.
12:05Ou seja, não tem o escorrimento na folha, que é muito natural quando eu aplico,
12:09por exemplo, com um costal ou trator, aplico o produto e ele pinga.
12:12Eu não quero que isso aconteça.
12:13Com o drone, as gotas ficam na folha sem o escorrimento.
12:17Ou seja, a aplicação é mais eficiente.
12:20Para se ter uma noção da capacidade, um drone como esse consegue fazer um manejo de 1 hectare em apenas
12:2612 minutos.
12:27Já uma pessoa com pulverizador nas costas levaria até 3 horas para realizar o mesmo trabalho.
12:35Para contratar o serviço, o produtor precisa ter alguns cuidados.
12:39O produtor hoje tem que ter muito cuidado na hora de contratar a empresa, para que ela seja certificada,
12:44porque isso aí você vai ter a garantia de que esteja obedecendo todas as diretrizes do MAPA,
12:49do Ministério da Agricultura, né?
12:51e que tenha uma boa aplicação, a eficiência da aplicação vai ser garantida com isso.
12:56Os drones usados na pulverização podem variar de tamanho.
13:00Uma cauda é utilizada no processo.
13:02Esse drone tem uma capacidade de 16 litros de cauda.
13:05Fernando, o que é a cauda?
13:06A cauda é o conjunto de produtos ou produto misturado com a água,
13:12que é o agente onde vai ser diluído o produto, para poder aplicar na cultura.
13:16E ela fica aqui nesse recipiente?
13:18Sim, ela fica nesse recipiente aqui, que é esse tanque, certo?
13:23E hoje a gente está demonstrando com água, não com produto químico.
13:27Isso, isso. A gente está demonstrando com água, porque se fosse utilizar produto químico,
13:30teria que estar devidamente equipado com todos os EPIs.
13:33E essas aqui são as pontas de pulverização, certo?
13:37Nesse drone, ele tem quatro pontas de pulverização.
13:40O outro drone que a gente possui tem 16, certo?
13:43Esse aqui é de 16 litros de cauda, mas tem drones muito maiores,
13:46porque vão atingir uma lavoura maior.
13:49Isso, tem drones de até 40 litros de cauda hoje em dia.
13:53O uso do drone também é benéfico para a saúde do trabalhador.
13:57Como é que o drone pode ajudar nisso aí?
13:59Você tira o operador com o pulverador costal, o contrator, do meio da lavoura.
14:04O drone vai passar, sobrevoando, fazer a aplicação com o piloto a uma distância segura.
14:09Então, não vai ter contato nenhum do produto químico na aplicação com o drone.
14:14Um diferencial desse estudo foi a participação de pesquisadores chineses.
14:18A parceria começou em uma rede social.
14:21No total, a pesquisa contou com 10 participantes.
14:24Existe na China um centro nacional específico para desenvolvimento de tecnologia na aviação,
14:28tanto o avião quanto o drone.
14:30Eles têm mais de 200 pesquisadores diretamente ligados o tempo todo pesquisando a respeito.
14:36Então, as metodologias que eles utilizam são muito consistentes.
14:39Muitas publicações de chineses.
14:41E eles foram fundamentais para aferir, atestar a metodologia que nós utilizamos nessa pesquisa.
14:46Inclusive, eles são coautores da pesquisa.
14:48Foi publicada recentemente em uma revista de alto fator de impacto acadêmico no mundo.
14:55Outros estudos sobre a utilização de drones em parceria com os chineses foram iniciados.
15:01Um exemplo é a pulverização na cultura do mamão.
15:04A pesquisa de campo começou em dezembro de 2022 em uma área experimental de uma propriedade particular de Soretama.
15:10E outra em área experimental será implementada nos próximos meses na fazenda da UFIS em São Mateus.
15:16Os resultados iniciais publicados são promissores.
15:19Agora, o professor está preparando as malas para ir à China.
15:22Ele deve embarcar em junho para o país asiático.
15:25Por aqui, a gente fica na torcida pela ciência no Espírito Santo.
15:29Espero que dê tudo certo.
15:30E a gente vai fazer uma visita pessoalmente para eles lá e conversar um pouco.
15:34E quem sabe trazer em uma outra reportagem esse contato que nós tivemos com eles lá.
15:48Chegou a hora do quadro Especialista Responde.
15:51E hoje eu estou aqui com o Henrique, agrônomo da Coabriel.
15:55Henrique, a gente já está no período de colheita.
15:57Muitos produtores já começaram.
15:59Mas conta para a gente o que o produtor não pode errar nesse momento.
16:03Pois é, Stefano.
16:04O que a gente não pode errar nesse momento é ter pressa para colher o café.
16:07Devemos colher nossos frutos maduros.
16:10Evitar o máximo de ter frutos verdes ali no meu lote de café.
16:14Porque colher café verde é perder peso de café.
16:17E também perder qualidade.
16:19Aqui na minha mão a gente tem um exemplo.
16:21Um café bem madurinho e um café verde.
16:24Vamos só dar em números aí para o pessoal que está em casa.
16:27Quantos por cento eu perco quando eu colho o café verde em vez de colher maduro?
16:32O café verde é em torno de 20% mais leve do que o café maduro.
16:37Então, ou seja, só do produtor colher o café maduro, ele já está tendo maior rentabilidade, maior produtividade na propriedade.
16:47Após a retirada desses frutos da planta também, não devemos deixar esses frutos muito tempo amontoados ou ensacados.
16:53Porque a partir de 8 horas, um dia, o café inicia um processo de fermentação.
16:57Gerando os frutos pretos e ardidos.
17:00Então, o nosso café, além de perder peso também, perde qualidade.
17:03Ali no secador também, secar o café é o mais lento.
17:06Para que ele possa secar devagar e não perder qualidade.
17:10Que ali é um momento tão importante que você pode até gerar problemas no fruto, no final.
17:16Perdendo qualidade de bebida.
17:17Porque o café, eu falo que é um processo, né?
17:20Não adianta querer fazer certo uma etapa só.
17:23Exato.
17:24O café de qualidade é construído durante todo um ciclo, né?
17:27Então, desde uma adubação bem feita, um manejo de irrigação, manejo de fitossanitário, até a colheita.
17:32Muitas vezes a gente pensa que a qualidade do café está ligada ali só ao processo de pós-colheita.
17:35Mas para construir um café de qualidade, a gente vem ali desde o início e depois da sal.
17:39Então, ó, fica essa dica para vocês e a gente deseja aí uma excelente colheita a todos os cafeicultores do
17:46estado.
17:46Henrique, muito obrigada, viu, por essa dica e quero voltar a gravar com você.
17:51Perfeito.
17:52Se você tiver alguma dúvida, manda para a gente.
17:54Meu e-mail é stephanie.com.br
18:01Produtores de abacaxi de marataises tentam se recuperar da seca de 2022.
18:06Cerca de 80% da produção foi comprometida.
18:11Nesse ano, a chuva veio, mas ainda existem consequências da estiagem.
18:23Marataises é o maior produtor de abacaxi do Espírito Santo.
18:26É responsável por aproximadamente 70% de toda a produção estadual.
18:31Mas o município sofreu com a falta de chuva em 2022.
18:34Foram cerca de oito meses de seca.
18:37Prejuízo que ainda traz consequências para os produtores, como o Lúcio.
18:41Ano passado, ele plantou 750 mil pés de abacaxi e vendeu 1 milhão e 200 mil mudas.
18:47Mas neste ano, foi difícil plantar 200 mil mudas.
18:50Ano passado, eu tinha mudas sobrando.
18:53Esse ano, eu não tenho nem para fazer o meu plantio.
18:56Então, eu estou pegando aquelas que caíram na colheita e estou juntando para poder terminar o meu plantio.
19:03Porque eu não tenho muda na região de Marataises.
19:05Nem na minha roça, nem para eu comprar.
19:07Se fosse no ano passado, você estaria vendendo e essas aqui, você nem ia ligar para elas.
19:11Se fosse no ano passado, eu já tinha acabado o meu plantio.
19:15Isso aqui ia ser descartado.
19:21Um ponto chave para entender a crise na produção é justamente a falta de mudas.
19:26As mudas vêm posterior à colheita do fruto.
19:28Então, o produtor precisa de um fruto de qualidade, uma planta que tenha sustentação para produzir esse fruto de qualidade,
19:33para depois produzir mudas de qualidade.
19:35Devido à questão da seca, a planta, no ano passado, no máximo, conseguiu sobreviver.
19:39Então, quem dirá fazer um fruto, uma muda de qualidade.
19:42É basicamente como você não dar comida para alguém e esperar que ela tenha bons filhos.
19:47Então, infelizmente, não foi possível ter mudas para esse ano.
19:50E a alternativa para o produtor foi buscar mudas, às vezes, em outras regiões produtoras fora do Espírito Santo.
19:56E aí, torna um valor muito alto para esses produtores investirem na produção.
20:03Uma parceria entre o Incaper e outras instituições vai oferecer mudas para os produtores do município.
20:09A gente tem um programa de fortalecimento da agricultura, em que a gente vai fazer uma produção de mudas para
20:15alguns produtores.
20:15Eles vão receber um quantitativo.
20:17E dentro do programa, eles vão devolver a mesma quantidade de mudas que eles vão receber,
20:22para que isso se torne um ciclo dentro de mudas de qualidade.
20:31Produtor de abacaxi há mais de 30 anos, Lucinho perdeu quase 40% da produção de 2022.
20:37Eu ainda consegui colher em torno de 70%, 60%.
20:41Mas eu tive colegas meus que perderam tudo.
20:43Da planta, quando choveu, já estava morta.
20:47Já não tinha mais como recuperar nada.
20:49Terrível, né?
20:50Você vê a nossa lavoura morrendo.
20:52Você ter que adaptar bombonas em cima do nosso caminhão, para poder jogar um pouco de água na roça, para
20:59poder salvar.
21:00Porque eu já estava no final, eu já estava vendo que as plantas já não tinham mais como sobreviver.
21:04Oito meses de seca, foi terrível.
21:08Para evitar mais prejuízos, ele levou água até a plantação.
21:12O coordenador do Incapé, no município, explica que Marataízes tem lagoas, mas não possui um rio, para abastecer uma produção
21:19tão grande.
21:20A gente está falando de mais ou menos 2.800 hectares de produção de abacaxi.
21:24E seria necessário, para que a gente tivesse irrigação de maneira satisfatória, cursos de água, rios ou lagoas maiores que
21:30a gente tem aqui.
21:31As lagoas são muito mal distribuídas, elas são muito concentradas.
21:34E você tem comunidades que nem tem uma lagoa para poder fazer uma certa irrigação.
21:37O abacaxi Marataízes é quase 100%, mais de 90% produzido sem irrigação, como a gente fala, em sequeiro.
21:43Por mais que seja uma planta muito resistente, que a gente esteja próximo ao mar aqui, que traz um pouco
21:47mais de umidade,
21:48se não chover, o produtor não consegue produzir.
21:54O Marcelo é um exemplo de produtor que não conseguiu plantar em 2023.
21:58Ele trabalha como meeiro no cultivo de abacaxi há seis anos.
22:02Há seis anos ficou meio ruim, porque não tinha muda, né? A seca matou tudo.
22:05Mas ano passado você chegou a plantar alguma coisa?
22:08Até um pouquinho só.
22:10Mas aí agora você está sem plantação?
22:12Sem plantação, porque era seca.
22:16O município não passava por uma seca tão severa há mais de três décadas.
22:20A gente teve uma perda próxima a 80% aqui na região.
22:24Não só pela quantidade de frutos, mas às vezes a gente tinha frutos que recebiam preços menores no mercado.
22:30A gente teve um ano muito atípico na questão de chuvas.
22:33Incidência de chuva quase 70% menor do que o habitual.
22:37Nos anos normais de produção aqui na região, a gente tem em torno de 32, um pouco mais, um pouco
22:41menos, milhões de frutos.
22:43E o ano passado a gente teve uma produção menor do que 8 milhões de frutos.
22:47Lucinho mostra como na prática a fruta é afetada pela falta de chuva.
22:51Esse abacaxi aqui eu plantei em 2022, janeiro de 2022.
22:57Fiz a indução floral em dezembro.
23:00Quando foi final de janeiro desse 2023, começou a faltar um pouco de chuva.
23:05Ele estava desenvolvendo com pouco, veio a falta de chuva e ele travou.
23:10Quando foi em março e voltou a chover, aí soltou mais três malhas.
23:13Você pode ver que ele ficou um pouco meio defomado, né?
23:17É a falta de chuva.
23:18Quando não falta chuva, aí fica tudo bonito por inteiro.
23:20E aí esse fruto você tem que descartar porque não vende?
23:24É, quando está assim, na hora que a gente vai vender, ele vai para fora.
23:27Joga fora, não tem como aproveitar, não sei a polpa de fruta.
23:31Mas paga muito barato, não compensa.
23:34Em todo o estado, segundo o Incapera, a área cultivada do fruto é de 4.640 hectares,
23:40com produção anual de 41.261 toneladas.
23:44O período de safra do abacaxi é no segundo semestre,
23:47com concentração maior nos meses de outubro e novembro.
23:50Alguns produtores antecipam a colheita para vender com um preço maior.
23:54Nos outros anos, quando chega o mês de abril, finalzinho agora de abril,
24:00eu já tenho colhido 300 mil abacaxis.
24:03Esse ano, agora que eu estou colhendo os primeiros frutos,
24:07porque tem pessoas que optam a plantar o abacaxi para colher só em setembro,
24:11outubro, novembro, dezembro.
24:12O som é o período da safra.
24:14Eu já adianto o processo para poder ter um lucro melhor e poder colher de janeiro, fevereiro, março e abril.
24:23Isso é o inverso dos outros.
24:24É onde vem um preço melhor do abacaxi.
24:30O abacaxi de Marataízes é comercializado principalmente no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.
24:38Para o abacaxi ficar bonito desse jeito, o Lúcio tem uma alternativa.
24:43Ele usa folhas de jornal para proteger o fruto.
24:46Assim, ele fica protegido do sol e da seca.
24:50Quando você não cobre a fruta com o jornal, o sol bate e queima.
24:55Queimou um pouquinho, é descartado.
24:57Então, por isso que nós fazemos questão de cobrir ele por inteiro.
25:01Que aí o sol vai bater, não vai queimar e vai ficar aquela fruta brilhosa.
25:06Parece que está até vernizada, bonita.
25:10A história do Lucinho tem forte ligação com a cultura do abacaxi.
25:14O gosto pela plantação é de família.
25:17Mesmo com as perdas e o trabalho sob sol forte o dia todo, ele não se vê em outra profissão.
25:23Nós, produtores de abacaxi, somos assim.
25:25Você passa um momento seco, aquele momento triste e tal,
25:28mas quando vem aquela chuva, aquele cheirinho de terra molhado,
25:33renova todas as energias, a gente volta a trabalhar, esquece de tudo que passou.
25:37Aí já começa a programar outras coisas, outro plantio e vai embora.
25:41Essa é a fase gostosa da vida.
25:44O ano de 2022 foi duro para os produtores, mas há esperança para um 2023 melhor.
25:51E se a gente vem até Marataízes, não dá para ir embora sem experimentar o abacaxi,
25:57que é doce como o meu.
25:59Realmente, a fruta é uma delícia.
26:09Chegou a hora de conferir o Giro de Notícias da Semana.
26:19Dez pessoas que trabalhavam na colheita de café foram resgatadas em condições análogas à escravidão
26:27na zona rural do município de Vila Bavão, região noroeste do estado.
26:31Segundo o Ministério do Trabalho, um grupo de 28 profissionais
26:36foi levado pelo empregador para a região com promessa de trabalho.
26:41Ao chegarem no local, os lavradores se depararam com uma situação completamente precária,
26:47além do baixo salário.
26:49Eles tinham que pagar pela comida e até pelos instrumentos de trabalho.
26:53Esse foi o terceiro resgate realizado no estado esse ano.
26:57Há duas semanas, três pessoas foram resgatadas numa propriedade rural de Linhares.
27:04Franco Fiorotti assume nesta semana a presidência do Incaper.
27:09A mudança foi anunciada pelo governador Renato Casagrande nas redes sociais.
27:13Fiorotti é graduado em Comunicação Social com MBA em Gestão de Agronegócio e Comunicação Integrada.
27:21Por quase sete anos, esteve à frente da Secretaria de Agricultura de Linhares.
27:26Ele deixa o cargo para assumir a presidência do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural.
27:36250 produtores e artesãos de diversas regiões do Espírito Santo
27:41expõem seus produtos na feira Sabores da Terra, que acontece na Praça do Papa em Vitória.
27:47Nos estandes tem de tudo um pouco.
27:49Cafés, pimentas, linguiças, geleias, doces.
27:53O evento é uma janela para os pequenos negócios.
27:57A agricultura familiar representa 75% de todas as propriedades rurais do estado.
28:03São cerca de 200 mil pessoas.
28:06A entrada é gratuita.
28:08O INCAPER lançou o livro Cadeia Produtiva do Maracujá no Espírito Santo.
28:15No estudo que originou o livro, foram entrevistados 43 produtores da fruta e 21 agroindústrias.
28:23De acordo com a Secretaria de Agricultura, conhecer os dados da cadeia produtiva em cada município do Espírito Santo
28:30é necessário para o planejamento de políticas públicas para o desenvolvimento da atividade.
28:36O livro faz parte da coleção Fruticultura Capixaba e está disponível na Biblioteca Rui Tendinha do Instituto.
28:48O inverno começa oficialmente no dia 21 de junho.
28:53Mas agora no outono, capixabas e turistas de vários locais do Brasil já procuram as montanhas capixabas para passear.
29:01E um dos destinos mais procurados é Pedra Azul.
29:11São mais de 16 mil pés de lavanda a mil metros de altitude.
29:23Quem chega se encanta.
29:26Primeira vez aqui, eu estou apaixonada pela beleza de tudo e pela variedade de coisas que a gente tem para
29:33visitar.
29:33Maria Eduardo, o que mais chamou a sua atenção aqui hoje?
29:36Foi as cores e o cheiro.
29:39É cheiroso mesmo essa tal de lavanda?
29:43Uhum.
29:46Não é necessário agendar para visitar o lavandário.
29:50A entrada custa 20 reais por pessoa a partir de 11 anos.
29:55E você pode ficar o tempo que desejar nos campos de lavanda.
30:00A visitação vai de sexta a domingo.
30:04As pessoas buscam principalmente assim, a tranquilidade, curtir um dia com a natureza.
30:10E principalmente conhecer a cultura da lavanda.
30:14Que é uma planta que não é originária das Américas, mas que essa variedade se adaptou muito bem ao clima
30:20brasileiro.
30:21Então eles vêm para matar essa curiosidade.
30:24Ver como é que é a planta, como é que é a floração.
30:30E um dos pontos que mais me chamou a atenção aqui, gente, foi o cheiro que tem esse lavandário.
30:36Se vocês estivessem aqui, iam ficar impressionados.
30:45O lavandário fica em São Paulinho do Aracê, região de Pedra Azul.
30:51Só no ano passado, segundo o Convention Bureau, passaram cerca de 15 mil turistas por final de semana em Pedra
30:59Azul.
31:00Visitantes atraídos pelas muitas opções de hospedagem, gastronomia, agroturismo e lazer.
31:07Pedra Azul, a gente tem aqui vários tipos de turismo.
31:12A gente, ano passado, fizemos uma pesquisa para conhecer quais são as personas do turismo de Domingos Martins.
31:18E descobrimos que aqui a gente tem de tudo.
31:20Não só em Pedra Azul, mas no município inteiro.
31:22Temos turismo de aventura, esportivo, agroturismo.
31:28Temos para todos os tipos e todos os gostos.
31:30Temos aproximadamente 4 mil leitos no município para receber fora a Airbnb.
31:35Temos também diversos restaurantes, locais para passeios, parques e vários locais que podem receber o turista
31:46que estão totalmente equipados e estruturados para receber bem o turista.
31:55Longe da correria da cidade, conectada à natureza, Domingos Martins fica a 100 quilômetros da capital Vitória.
32:03O acesso é pela BR-262.
32:06No trajeto, belas paisagens, como a Pedra do Lagarto.
32:11Rodrigo e Débora vieram em busca de tranquilidade.
32:15Aqui tudo é lindo, né? O visual é lindo, o clima é maravilhoso.
32:19Vale a pena demais. A gente está acostumado com a região praiana, mas aqui em cima é maravilhoso.
32:25Muito, muito bom. Todos os aspectos.
32:28Culinária, lazer, enfim, tem muito o que se explorar aqui em cima, né? Que é muito bonito.
32:34Nós vivemos numa região que está muito próxima, a praia, a região das montanhas.
32:38Quarenta minutos, uma hora de carro, você está nas duas regiões.
32:42Então vale a pena visitar e sentir esse clima mais ameno, né?
32:46Você está acostumado com aquele calor lá de baixo, de Vitória.
32:49Sentir esse clima mais frio, mais aconchegante, também bom pra namorar.
32:54E um ponto positivo de fazer o agroturismo nessa região é que tem pra todas as idades.
33:01Aqui, crianças podem ter a experiência de ver lavanda, podem fazer agroturismo nas propriedades rurais
33:09e podem provar de uma culinária cheia de história.
33:15No lavandário, o bistrô oferece pratos inusitados e com base, é claro, à lavanda.
33:23Um cardápio diferente, que desperta o paladar dos visitantes.
33:28O que a gente tem então aqui que o pessoal de casa pode ver?
33:31Além do sorvete maravilhoso, que é super procurado, carro-chefe aqui do nosso lavandário,
33:38a gente tem o Frappé Pedra Azul, que é uma bebida gelada,
33:44à base de sorvete de lavanda, frutas vermelhas e xarope de lavanda.
33:50A lavanda limonade, que é uma soda com xarope de lavanda.
33:55O Verrini, que é uma sobremesa em camadas com bolo de lavanda, chocolate e a geleia de frutas vermelhas.
34:02Uma bebida quente, que é o chá de lavanda com camomila, que é uma delícia.
34:06Eu fiquei com bastante curiosidade desse.
34:08É, esse aqui é muito gostoso, é uma bebida suave, bem gostosa.
34:12Esse aqui é maravilhoso, é o Caputino Lavander, que a base dele é o leite vaporizado,
34:20o café expresso e o xarope de lavanda.
34:23E essa casinha linda, que é o bolo de lavanda, que as pessoas amam.
34:35Delícias gastronômicas, aromas, natureza.
34:39Um destino tão pertinho, que muitos capixabas ainda não conhecem.
34:45Não, não imaginava.
34:46Estou vendo assim, pessoalmente, só conhecia por foto e super amei.
34:51Estou gostando demais.
34:52E é muito importante, porque a gente explora o nosso estado como um todo.
34:56E eu acho muito interessante, porque é uma coisa que muita gente não conhece, mas vale super a pena.
35:01Dá pra você sair à noite, dá pra você passear, curtir a natureza durante o dia.
35:05Então, mesmo a pessoa que gosta de um rock, gosta de uma coisa mais badalada,
35:10consegue aproveitar e durante o dia vê a natureza.
35:24O agrobusiness de hoje fica por aqui.
35:27E eu queria te agradecer a companhia em mais um domingo com a gente.
35:31Como eu sempre falo, nosso objetivo é te mostrar o Espírito Santo de norte a sul.
35:36Tenha um excelente dia e eu te espero semana que vem.
35:39Para saber mais sobre o mundo agro, confira a coluna agrobusiness no folhavitoria.com.br
35:46E no nosso canal no YouTube, Instagram, arroba folhabusiness.
35:51E também no meu Instagram pessoal.
35:53Eu espero vocês nas redes sociais.
35:55E aí
35:56E aí