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  • há 34 minutos

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00:00Decolagem autorizada para o Taiti, pista 1-2.
00:04Um dos aviões mais robustos já construídos.
00:06Os pilotos o chamavam de jipe do Celso.
00:11Cai no mar próximo ao Taiti.
00:16Um avião não cai sem motivo.
00:21Os controladores aéreos não fazem ideia do que houve.
00:24Nosso aeroporto é pequeno, não temos radar.
00:30Tudo indicava que seria uma investigação bem difícil.
00:35Foi uma emergência médica?
00:37Talvez o piloto tenha tido um colapso físico.
00:41Foi uma sabotagem?
00:46Ou algo ainda mais alarmante?
00:48Uma ameaça oculta em todos os aeroportos comerciais do mundo?
01:09Esta é uma história real, baseada em relatórios oficiais e relatos de testemunhas.
01:22O comandante Michel Saint-Hohen sobrevoa abaixo as ilhas da Polinésia Francesa.
01:279 de agosto de 2007.
01:29Air Moria solicitando autorização para pouso, pista 1-2.
01:33É um dos cerca de 40 voos diários entre as ilhas de Moria e Taiti.
01:38Air Moria livre para pouso, pista 1-2.
01:42Rota que Eric Limar conhece bem.
01:45A ilha de Moria é muito próxima ao Taiti.
01:50Não são nem 200 quilômetros de distância.
01:53É só cruzar o canal.
01:58Taiti e Moria são duas das mais de 100 ilhas que formam a Polinésia Francesa,
02:03situada entre a Austrália e a América do Sul.
02:09Praias intocadas e montanhas exuberantes atraem milhares de turistas por ano.
02:15A Air Moria se especializou nos voos curtos que fazem a importante ligação entre as ilhas.
02:23A Air Moria e seus aviões já faziam parte do dia a dia dos Polinésios.
02:29Pessoas que trabalham no Taiti e moram em Moria, e também dos turistas.
02:33Era a conexão mais rápida e eficiente.
02:38Eu de novo.
02:40Michel Santurin havia entrado para a Air Moria há apenas três meses.
02:43Vou levar a lista de passageiros e de carga, se estiver pronta.
02:46Após a carreira militar, ele estava começando uma nova vida no paraíso.
02:51Ele havia arrumado tudo para a chegada da família.
02:53A esposa dele viria em breve.
02:59Cheio de novo. Como a gente gosta.
03:02Santurin fazia os voos curtos sozinhos, sem copiloto e tripulação de cabine para ajudá-lo.
03:09Certo. Hora de voar. Não se perde tempo no paraíso.
03:13De meia em meia hora, ele tinha que estar pronto para uma decolagem.
03:18O capitão verificava rapidamente o avião, se não havia nada alarmante, um pneu murcho ou algo que chamasse a atenção.
03:29O turbo-hélice Twin Otter é uma aeronave robusta de 19 passageiros construída no Canadá.
03:35Os pilotos o chamavam de jipe dos céus.
03:43Bela camisa.
03:45Era cumprimentar rapidamente os passageiros e voltar à cabine.
03:50É ali. Algo bem rápido.
03:54Tudo bem?
03:56Põe a bagagem aí na sua frente.
04:00Belo dia para voar.
04:01Após menos de 15 minutos no chão, Santurin está pronto para voar novamente.
04:09Controle solo. Autorização para taxiar.
04:15Air Moria. Decolagem autorizada. Pista 1-2.
04:19Decolagem autorizada para o Tahiti. Pista 1-2.
04:24O Twin Otter tem pouca automação.
04:27Santurin pilota o avião na mão.
04:30A maioria das aeronaves comerciais modernas são equipadas com muita ajuda aos pilotos.
04:37Eletrônica, telas.
04:38Mas esse tipo de avião, você tem o prazer de pilotar e ter o controle total.
04:49Nesse aeroporto de ilha, o oceano fica à beira da pista de 1.200 metros.
04:58Sobrevoar esse local é mágico.
05:01Lagoas azuis, ilhas magníficas, o verde, a combinação de cores.
05:07É sem dúvida o paraíso.
05:12Os turistas podem ver os constantes pousos e decolagens.
05:17É um dos voos mais curtos do mundo.
05:19São apenas 7 minutos da decolagem e aterrissagem.
05:24Caramba!
05:28Mas algo dá errado no voo 11-21.
05:35O Twin Otter perde a altitude rapidamente.
05:41E mergulha abruptamente.
05:48Menos de 2 minutos após a decolagem, o voo 11-21 cai no Pacífico.
06:10A torre é comunicada do que foi visto.
06:15Está flutuando ou afundou?
06:21Os pescadores locais correm para ajudar, mas não encontram sobreviventes.
06:27Apenas corpos.
06:30As 20 pessoas a bordo estão mortas.
06:32Todo mundo morreu.
06:36Nenhuma pessoa sobreviveu.
06:41Nunca me esquecerei.
06:43Foi horrível, porque, apesar da queda,
06:46tínhamos esperança de encontrar sobreviventes.
06:49Nem que fossem poucos.
06:59O desastre abala praticamente toda a comunidade da pequena ilha.
07:05Na Polinésia, todo mundo se conhece.
07:08Sempre são primos ou conhecem a família.
07:12As pessoas sofreram muito com este acidente.
07:18A frota da Air Moria fica parada,
07:20pois os pilotos se recusam a voar no Twin Order
07:23até que o caso seja esclarecido.
07:26Um avião não cai sem motivo.
07:29Foi erro do piloto ou problema mecânico.
07:33Antes de prosseguirmos com os voos,
07:35pedimos que toda a frota fosse avaliada.
07:44Bom dia.
07:47Como Moria é território francês,
07:50uma equipe do Escritório de Investigações e Análises da França,
07:53o BEA, foi enviado de Paris
07:54com a tarefa de descobrir o que houve de errado.
08:00Não me diga que é só isso.
08:03Alain Bouillard comanda a investigação.
08:08O Twin Order é uma aeronave extremamente robusta,
08:13usada em locais difíceis,
08:14onde outros aviões não decolam e pousam.
08:17Por isso, nos perguntamos
08:19o que pode ter acontecido
08:22para essa aeronave cair na água.
08:26Os investigadores geralmente contam com pistas nos destroços.
08:30Isso não nos diz nada.
08:32Mas a maior parte do avião está no fundo do oceano.
08:35Bouillard só terá material
08:37se conseguir recuperar peças vitais.
08:42Vamos precisar de mais destroços que isso.
08:48Há outra razão para se encontrar o avião.
08:51Diferente de grandes aeronaves,
08:53os Twin Order não são obrigados
08:54a portar gravador de voz na cabine.
08:56Mas a Air Maria instalou mesmo assim.
08:59O equipamento pode conter as respostas.
09:03Esperávamos encontrar,
09:05além da gravação de voz da cabine,
09:07a gravação de qualquer alarme que tivesse suado.
09:12Mas encontrar o gravador de voz
09:14nas águas profundas da costa de Moria
09:16será um grande desafio.
09:19Fundo demais para mandar mergulhadores.
09:22A profundidade na região era de 700 metros.
09:25Obviamente, mergulhadores não podem ir.
09:28Tem que ser um submarino comandado por controle remoto.
09:37Os investigadores conseguiram um navio equipado
09:40com um veículo remoto submersível
09:42para ajudar na busca, o Ile-de-Ré.
09:46Só há um problema.
09:48O navio está a mais de 4 mil quilômetros
09:50da ilha de Nova Caledônia.
09:54Pode levar semanas para chegar a Moria.
09:58O gravador de voz do voo 11-21
10:01possui um localizador conhecido como Pinger,
10:04mas a bateria só durará 30 dias.
10:09Tentamos trazer o navio de resgate
10:11o mais rápido possível,
10:12dentro dos 30 dias de duração
10:14da bateria do Pinger.
10:19Tudo indicava que seria uma investigação
10:22bem difícil se não fosse recuperado
10:25o gravador de voz da cabine.
10:32Enquanto isso, os investigadores
10:34conversam com o controlador do aeroporto.
10:37Os registros do radar poderiam dar pistas
10:39do que causou a queda do avião.
10:42As primeiras evidências que buscamos
10:44logo que se inicia a investigação
10:46é uma noção da trajetória,
10:48o último ponto de partida
10:50e o ponto de impacto.
10:52Fomos atrás desse tipo de informação.
10:56Mas não encontram o que buscam.
10:59Nosso aeroporto é pequeno.
11:01Não temos radar.
11:03Mais um contratempo.
11:05Quando descobrimos que não havia dados de radar,
11:08desanimamos um pouco,
11:10pois seria mais complicado
11:11recriar a trajetória da aeronave.
11:18Eu vi o avião subindo
11:20e, de repente, mergulhou no mar.
11:23Até o Will de Rê chegar,
11:25os investigadores só podem contar
11:26com as únicas evidências disponíveis.
11:28O relato das testemunhas do desastre.
11:34Achamos importante coletar
11:36os relatos das testemunhas
11:37que poderiam nos ajudar
11:39a entender o que houve.
11:42A maioria das testemunhas
11:44estava na praia,
11:45em Moria,
11:46ou em barcos pescando.
11:49Todos afirmavam ter visto
11:51a aeronave subir normalmente.
11:56Todos os dias,
11:57mais de 500 Twin Orders
11:59voam pelas rotas
12:00mais desafiadoras da Terra,
12:01do Outback australiano
12:03à tundra congelada
12:04do extremo norte.
12:07Se há uma falha fatal
12:08no reconhecidamente resistente
12:10Twin Order,
12:11a aviação mundial
12:12precisa saber o quanto antes.
12:16Esse fato aumenta
12:18a pressão sobre os investigadores
12:19para saber o que derrubou
12:21o voo 1121.
12:23Ele subia normalmente
12:25e, ao que tudo indica,
12:27perdeu o controle do avião.
12:32Talvez tenha sido o peso.
12:34Quando há um desbalanceamento
12:36devido ao peso,
12:37geralmente os problemas
12:38aparecem logo após a decolagem.
12:42Calcular com precisão
12:43o peso da carga
12:44dos passageiros
12:45e do combustível
12:45é crucial
12:46em pequenos aviões
12:47de passageiros.
12:48Um erro pode ser fatal,
12:50o que foi demonstrado
12:52em um desastre aéreo
12:53nos Estados Unidos
12:53em 2003.
12:56O voo 5481
12:58da US Airways Express
12:59parte de Charlotte,
13:00Carolina do Norte.
13:03Apenas 30 segundos
13:05após a decolagem,
13:06os pilotos
13:06perdem o controle
13:07do Beechcraft 1900.
13:10O avião de passageiros
13:11mergulha ao solo
13:12atingindo um hangar
13:13do aeroporto
13:14e matando
13:15as 21 pessoas a bordo.
13:19Os investigadores
13:21descobriram
13:21que a aeronave
13:22estava com um perigoso
13:23excesso de carga,
13:25mais de 250 quilos
13:26acima do limite
13:27permitido para a decolagem.
13:29Os funcionários
13:30estimaram incorretamente
13:31o peso de passageiros
13:32e bagagens.
13:34É muito importante
13:35saber o peso
13:36de sua aeronave
13:37antes de decolar.
13:38Por isso,
13:38logo investigamos
13:39essa questão
13:40no início dos trabalhos.
13:4319 passageiros,
13:44mais combustível
13:45e carga.
13:46A equipe do BEA
13:47verifica a documentação
13:48de carga e balanceamento
13:49do voo da Air Moria
13:50e não encontra problemas.
13:52Estava tudo dentro
13:53dos limites
13:54do fabricante.
13:55Era para dar
13:56tudo certo.
13:59Não foi o peso
14:00que derrubou o avião.
14:08Até que chegue ajuda
14:09para a busca
14:09do gravador de voz
14:10da cabine submerso,
14:12não há mais evidências.
14:15Boyard decide fazer uso
14:16de uma tática incomum
14:17para tentar descobrir
14:18o que deu errado.
14:20Isso, preciso de um avião
14:22pequeno e um bom piloto.
14:23Obrigado.
14:24Obrigado.
14:26Obrigado.
14:32Sobre a ilha de Moria,
14:34Alan Boyard faz um voo
14:36incomum
14:36em um pequeno avião
14:37de passageiros.
14:39Ele espera reavivar
14:41a memória das testemunhas
14:42que viram o desastre
14:43do voo 1121.
14:48Tudo bem.
14:49Vamos sobrevoar a lagoa.
14:54Os pilotos têm tarefas
14:55específicas a cumprir
14:56em cada etapa do voo.
14:59Se as testemunhas
15:01conseguirem identificar
15:02a que altura
15:02Saint-Johen subiu,
15:04isso pode ajudar
15:05os investigadores
15:06a entender
15:06o que ele estava
15:07tentando fazer
15:08quando perdeu
15:08o controle da aeronave.
15:11Eles pediram
15:12que observassem
15:13o avião de Boyard
15:14decolando do aeroporto.
15:17Se você pergunta
15:18a eles a altitude máxima,
15:19talvez não saibam dizer
15:20se era 500 pés,
15:221.000 pés
15:22ou 2.000 pés.
15:24Mas se você mostrar
15:25a aeronave no ar
15:26e perguntar
15:27se isso são 500 pés
15:28com o disco
15:29a altitude do avião,
15:30fica mais fácil
15:31para eles dizerem
15:32se sim ou se não.
15:36Não, está alto demais.
15:43Vamos passar mais uma vez,
15:45só que mais baixo.
15:48Perguntamos
15:49às testemunhas
15:50qual dos voos
15:51recriados
15:52condizia mais
15:53com o que lembravam
15:55do dia do acidente.
16:00Foi exatamente aí
16:01que vi o avião.
16:05É essa a altura.
16:08Excelente.
16:09Estamos a cerca
16:10de 400 pés de altura.
16:14Muito bem.
16:16Vamos voltar.
16:21O voo teste
16:22deu a Boyard
16:23uma ideia
16:23da altitude
16:24que Michel Saint-Johen
16:25conseguiu atingir.
16:29Os voos
16:30nos permitiram
16:31estimar a altitude
16:32em que o voo
16:33mudou sua trajetória.
16:37seja qual for
16:38o problema
16:39ocorreu
16:39enquanto ele ainda
16:40subia.
16:41Mas ele ainda
16:42não sabe
16:43o que causou
16:43o mergulho
16:44súbito do avião.
16:46Nem por que
16:47o piloto
16:48não conseguiu
16:48revertê-lo.
16:50Quando um avião
16:51mergulha
16:51após a decolagem
16:52podemos considerar
16:53obviamente
16:54falha no motor.
16:58Falha nos dois motores.
17:01um Twin Odder
17:02pode voar
17:03com segurança
17:03com apenas
17:04um motor.
17:05Mas a falha
17:06de ambos
17:06poderia causar
17:07o mergulho
17:08abrupto
17:08testemunhado
17:09na praia.
17:12Era uma possibilidade.
17:15Fazia sentido
17:16em termos
17:17de trajetória.
17:18Mas os dois motores
17:20falharem
17:20exatamente
17:21na mesma hora
17:22é uma eventualidade
17:23extremamente rara.
17:25A falha
17:26dos dois motores
17:27pode ser causada
17:28por falta de combustível
17:29o que é pouco provável
17:31após a decolagem.
17:33E não podemos
17:34desconsiderar
17:35a ingestão
17:36de pássaros
17:37nos dois motores.
17:38Muito improvável
17:39também.
17:42A maioria
17:43das testemunhas
17:43relata ter ouvido
17:44o barulho dos motores
17:45quando o avião passava.
17:47A falha
17:48nos dois motores
17:49se torna
17:49ainda mais improvável.
17:58os sons registrados
17:59pelo gravador
18:00da cabine
18:00podem confirmar
18:01se os motores
18:02estavam funcionando.
18:04Mas até que ele
18:05seja resgatado
18:06Bujar só tem
18:07o curso em comum
18:08do voo
18:08para trabalhar.
18:12Essa informação
18:14era importante
18:15mas não explicava
18:16o que ocorreu.
18:17Talvez o piloto
18:18tenha tido
18:19um colapso físico.
18:22algum tipo
18:23de incapacitação
18:25que levou
18:26o avião
18:26a cair.
18:34Esse tipo
18:35de avião
18:36é conduzido
18:37por apenas
18:37um piloto.
18:39Se o piloto
18:40está incapacitado
18:41fisicamente
18:41não há ninguém
18:42para assumir
18:43o controle.
18:46Se o piloto
18:48ficou incapacitado
18:49e debruçou
18:50sobre os controles
18:52do painel
18:52a trajetória
18:54da aeronave
18:54fazia sentido.
19:01O corpo
19:02do comandante
19:02foi encontrado
19:03e enviado
19:04para a necrópsia.
19:05O médico legista
19:07buscou sinais
19:07de algum quadro médico
19:08que pudesse interferir
19:10na habilidade
19:10do comandante
19:11de pilotar.
19:15Mas quando
19:16Bujar leu laudo
19:17não morreu
19:18de ataque cardíaco.
19:19volta
19:20e estaca
19:20zero.
19:24Não havia
19:25nenhuma indicação
19:26de problema
19:27de saúde.
19:27Fazemos
19:28check-ups
19:28regulares
19:29e ele
19:30passava
19:31em todos.
19:35Descartamos
19:35a hipótese
19:36de incapacitação
19:38do piloto
19:38como causa
19:39do acidente.
19:42Bujar
19:42deve considerar
19:43todas as possibilidades
19:44de causa
19:45do desastre.
19:46Ele levanta
19:47uma hipótese
19:47assustadora.
19:48E se foi
19:49um ato
19:50deliberado
19:50de sabotagem?
19:55Alguém
19:56embarcou
19:56no voo
19:57com a intenção
19:58de assassinato?
20:01A invasão
20:04da cabine
20:05era algo
20:06plausível.
20:10Bujar
20:11sabe que
20:12isso já aconteceu.
20:147 de dezembro
20:16de 1987.
20:18Um funcionário
20:19descontente
20:19da companhia aérea
20:20consegue embarcar
20:21armado
20:22no voo
20:221771
20:23da Pacific Southwest
20:24Airlines.
20:25Durante o voo
20:26atira
20:27no ex-chefe.
20:29Corre
20:30para a cabine
20:30onde atire
20:32em uma comissária
20:32e nos dois pilotos.
20:35Em seguida
20:36força o avião
20:37a mergulhar
20:38abruptamente.
20:40Não há esperanças
20:41para as 42 pessoas
20:43a bordo.
20:44O pequeno jato
20:45se choca
20:46com o morro
20:46da Califórnia
20:47e se desintegra.
20:51Sinto muito,
20:51mas o senhor
20:52não pode entrar.
20:53O que está fazendo?
20:54Se alguém
20:54invadiu a cabine
20:55do voo
20:551121 da Air Maria
20:57e agrediu o piloto,
20:58o som da briga
20:59estaria registrado
21:00no gravador
21:00da cabine?
21:05Nesse ponto
21:06da investigação
21:07estava claro
21:08que precisávamos
21:09encontrar o gravador
21:10de voz da cabine.
21:17Em 26 de agosto,
21:1917 dias após o acidente,
21:21a embarcação
21:21de pesquisa francesa
21:22Ile-de-Ré
21:23finalmente chega.
21:25A equipe sabe
21:26a localização
21:27aproximada
21:28dos destroços,
21:29mas as correntes
21:30oceânicas
21:30podem ter mudado
21:31os fragmentos
21:32submersos de lugar.
21:34Havíamos restringido
21:35a área de pesquisa
21:36a um diâmetro
21:37de 260 metros.
21:40Estávamos confiantes
21:42de que estava
21:42nessa área,
21:43mas não sabíamos
21:44se estaria isolado
21:45no fundo do mar
21:46ou ainda preso
21:47à fuselagem
21:48da aeronave.
21:54Eles partem
21:55atrás do sinal
21:56do localizador
21:57do gravador.
21:58É o som
21:59que estamos procurando.
22:02Os técnicos
22:03do Ile-de-Ré
22:04lançam
22:05um veículo
22:05submersível
22:06de operação
22:06remota
22:07ou ROV
22:08na direção
22:09do som.
22:14Rapidamente
22:15localizamos
22:16a área
22:16do solo
22:17oceânico
22:17onde os destroços
22:19estavam dispersos.
22:21Aí está
22:22nosso
22:22Twin Horror.
22:24os vestígios
22:25do voo
22:251121
22:26da Air
22:26Maria
22:27estão mais
22:28de 650 metros
22:29abaixo
22:30das ondas.
22:34Vimos as asas
22:35separadas
22:36do avião.
22:37Vimos os motores,
22:39vimos parte
22:39da cabine.
22:42Veja se encontra
22:43a cauda.
22:46Rapidamente
22:47decidimos
22:48nos concentrar
22:49na cauda
22:49onde o gravador
22:50de voz
22:51da cabine
22:51poderia ser
22:52encontrado.
22:55Tá bom,
22:57vamos cortar
22:57e tirar
22:57o gravador
22:58de lá.
23:00Decidimos
23:01cortar
23:01a fuselagem
23:02para chegar
23:03ao gravador.
23:08É uma operação
23:09delicada.
23:10Um movimento
23:11em falso
23:12e o submarino
23:13poderia danificar
23:13ou destruir
23:14o gravador
23:15tão essencial.
23:20Tínhamos esperança
23:21de encontrá-lo
23:22sem dano
23:23ou pouco danificado
23:24e dessa forma
23:25aumentar a chance
23:26de sucesso
23:27no processo
23:28de leitura.
23:31A operação
23:32de recuperação
23:33exige
23:33muita paciência.
23:36Esse trabalho
23:37de cortar
23:38e abrir
23:38com um ROV
23:40um buraco
23:41no avião
23:41levou umas
23:42cinco,
23:43seis horas
23:43até conseguirmos
23:44chegar ao gravador
23:45de voz.
23:53Finalmente,
23:54a equipe
23:55desobstrui
23:56o gravador.
23:57Pegamos.
24:01Excelente trabalho.
24:04Foi um grande
24:05alivio
24:05de solangement.
24:08Foi muito gratificante,
24:11mas também
24:11preocupante,
24:13porque é muito bom
24:14ter o gravador,
24:15mas o que importa
24:16são os dados
24:17registrados.
24:18Então,
24:18o próximo passo
24:19era levar o gravador
24:21até o laboratório
24:22do B&A
24:23para a leitura
24:24o mais breve possível.
24:35além do gravador
24:37de voz,
24:37a força de recuperação
24:38resgatou
24:39outros destroços
24:40importantes.
24:43Decidimos
24:44resgatar
24:44algumas peças
24:45que nos pareceram
24:46necessárias,
24:48além da informação
24:49do gravador.
24:50da cabine.
24:53Eles queriam
24:55os motores.
24:56Nós queríamos
24:57o máximo possível
24:59do painel
24:59da cabine.
25:02Os dados
25:03do gravador
25:04foram rapidamente
25:05baixados.
25:07Dificilmente
25:08um piloto
25:09fala sozinho.
25:10Os investigadores
25:11tinham que buscar
25:12outros sons
25:12que pudessem
25:13dar alguma pista.
25:14no gravador
25:16de voz
25:16da cabine
25:17pudemos ouvir
25:18uma decolagem
25:19normal
25:19e o que parecia
25:20ser uma subida
25:21normal.
25:25Eles ouvem
25:26o som
25:26do avião
25:27decolando
25:27e Sancho Ren
25:28ajustando
25:28os controles.
25:34A invasão
25:35da cabine
25:36ainda era
25:37uma possibilidade.
25:38Estávamos esperando
25:39a gravação
25:40para descartar
25:41essa hipótese.
25:45não há som
25:46de um invasor
25:47na cabine.
25:48A primeira impressão
25:50que tivemos
25:51ao ouvir
25:52a gravação
25:52era de que
25:54não houve invasão
25:54e que não havia
25:56mais ninguém
25:56na cabine.
26:02Aí eles escutam
26:03a exclamação
26:04de surpresa
26:05do piloto.
26:06Caramba!
26:09Estava tudo
26:10perfeitamente normal
26:11até o momento
26:12em que o piloto
26:13se exaltou.
26:17o som
26:18gravado
26:18na cabine
26:19permite que
26:19os investigadores
26:20também excluam
26:21outra teoria.
26:24O som
26:25dos motores
26:25é normal.
26:26A gravação
26:27mostrou
26:28que estavam
26:28na potência
26:29máxima
26:30de decolagem
26:31até o momento
26:31do impacto.
26:33Parece que ele
26:34está abaixando
26:35os flaps.
26:37O grito
26:38de surpresa
26:39do piloto
26:39vem logo após
26:40ele ajustar
26:41os flaps
26:41do Twin Order.
26:42repita por favor.
26:44Dava para ouvir
26:45na gravação
26:45o flap
26:46sendo recolhido.
26:49Também se ouvia
26:50a respiração
26:51mais pesada
26:51do piloto
26:52como se estivesse
26:53acionando
26:53o controle
26:54do flap
26:54naquele momento
26:55e imediatamente
26:56após ouvimos
26:57sua reação
26:58de surpresa.
26:59Caramba!
27:01Baixo demais!
27:03Momentos depois
27:04o avião
27:05se choca
27:06com o mar.
27:11Mesmo com a experiência
27:13é sempre
27:13muito difícil
27:14ouvir a gravação
27:15da cabine
27:16especialmente
27:16quando se sabe
27:17que o final
27:17é trágico.
27:20Tem a ver
27:21com os flaps.
27:23Só não sei como.
27:25entendendo como.
27:33Os investigadores
27:34sabem que
27:35em voos
27:35para o Tahiti
27:36os pilotos
27:37de Twin Order
27:37recolhem os flaps
27:38a aproximadamente
27:39400 pés
27:40a altitude
27:41em que o voo
27:421121
27:42começou a mergulhar.
27:45Eles se perguntam
27:46se os flaps
27:47não funcionaram.
27:49Antes da decolagem
27:51os pilotos
27:51rotineiramente
27:52estendem os flaps
27:53das asas
27:54para aumentar
27:54a sustentação
27:55durante a subida.
27:58Quando o avião
27:59se aproxima
28:00da altitude
28:00de cruzeiro
28:01os flaps
28:02estendidos
28:03aumentam
28:03o arrasto
28:04então os pilotos
28:05tem que recolhê-los
28:05ao atingir
28:06essa altitude.
28:11Os investigadores
28:12estudam
28:13o mecanismo
28:14que opera
28:14os flaps.
28:16Recuperamos
28:17o acionador
28:18dos flaps
28:18e pudemos
28:19analisá-lo.
28:22O acionador
28:23está na posição
28:24correta
28:24e não há sinais
28:25de mau funcionamento.
28:29Os flaps
28:30estão corretos.
28:31Os resultados
28:31mostraram
28:32que os flaps
28:32estavam recolhidos
28:33no momento
28:34do impacto.
28:39Após semanas
28:40de trabalho
28:41Boyard
28:41ainda não sabe
28:42explicar
28:42por que o voo
28:431121
28:44despencou do céu.
28:48Vamos dar
28:49uma boa
28:49olhada
28:49nesses cabos.
28:52Ele se concentra
28:53nos cabos
28:54que operam
28:54superfícies
28:55de controle
28:56cruciais
28:56na cauda
28:57do avião.
29:00Restou
29:00a possibilidade
29:01de pane
29:02ou falha
29:03mecânica.
29:07As superfícies
29:09de controle
29:09na cauda
29:10de um Twin Otter
29:10são ativadas
29:11por apenas
29:12quatro cabos.
29:13Dois
29:14movem
29:14o leme
29:15do avião
29:15para a esquerda
29:16e para a direita
29:16e dois
29:17movem
29:17o profundor
29:18para cima
29:19e para baixo.
29:20Os quatro
29:21foram danificados
29:22no desastre.
29:25Boyard
29:25procura
29:26qualquer evidência
29:26de quando
29:27e como
29:28se romperam.
29:31Cabos de avião
29:32são constituídos
29:32de vários
29:33fios finos
29:34torcidos
29:34e depois
29:35trançados
29:35para maior resistência.
29:39Três cabos
29:41se desenrolaram,
29:42indicação clara
29:42de que foram
29:43cortados
29:43abruptamente
29:44no impacto.
29:45É dano
29:47do impacto.
29:48Mas um cabo
29:50estava diferente.
29:51Mas este aqui
29:52é interessante.
29:56Ele não se rompeu
29:57com o impacto.
29:59Um dos cabos
30:01estava rompido
30:02de forma diferente
30:03do que os outros três.
30:05Isso era algo
30:07que tínhamos
30:07que investigar.
30:11dois cabos
30:12comandam
30:12o profundor
30:13na cauda.
30:14Um o empurra
30:15para baixo
30:15e baixa o nariz
30:17e o outro
30:18puxa para cima
30:19e eleva o nariz.
30:22Foi esse
30:22que se rompeu
30:23antes do impacto.
30:25Se ocorreu
30:26durante o voo,
30:27o avião teria
30:28sofrido
30:28um mergulho súbito.
30:30Caramba!
30:33A falha
30:34no cabo
30:34de elevação
30:35do nariz
30:35era compatível
30:36com a trajetória
30:37descrita
30:38pelas testemunhas.
30:42Finalmente,
30:43os investigadores
30:43entenderam
30:44por que
30:44Michel Santorin
30:45perdeu o controle
30:46do seu Twin Order.
30:47Foi uma falha
30:48mecânica rara
30:49e totalmente
30:50imprevista.
30:52Baixo demais!
30:54Revelação
30:55que leva
30:55a uma questão
30:56ainda mais urgente.
30:58Vamos enviar
30:59isso a Estelle
31:00em Paris
31:01e ver
31:01o que ela nos diz.
31:03Eles têm
31:04que descobrir
31:04por que
31:05o cabo
31:05se rompeu
31:06antes que
31:07isso volte
31:07a acontecer.
31:16Quando o cabo
31:17de elevação
31:17chega em Paris,
31:18a especialista
31:19Estelle Bancharrel
31:20o examina
31:21com cuidado.
31:23Ela nota
31:24algo estranho.
31:27O cabo mostra
31:29claramente
31:29que diferentes
31:30fios se quebraram
31:31em momentos
31:31diferentes
31:32e por razões
31:33diferentes.
31:37Os fios externos
31:38estavam desgastados
31:40e os internos
31:40não.
31:42Eles se romperam.
31:46O dano
31:47distinto
31:48dos fios externos
31:49sugere que algo
31:50estava em atrito
31:51com o cabo.
31:52Parece 50%
31:54desgastado
31:55com o tempo.
31:58quando observamos
31:59o cabo
32:00no microscópio
32:00pudemos ver
32:01que todos
32:02os fios externos
32:03apresentavam
32:04sinais de desgaste
32:05o que agravou
32:06substancialmente
32:07o dano.
32:12O cabo
32:13de elevação
32:14do nariz
32:14vai do manche
32:15na cabine
32:16ao profundor
32:16passando por
32:17várias guias
32:18plásticas.
32:20Toda vez
32:21que o piloto
32:21sobe o nariz
32:22o cabo
32:22fricciona
32:23nas guias
32:24de plástico.
32:25O maior
32:26desgaste
32:27pelo uso
32:27se dá
32:27durante pousos
32:28e decolagens.
32:30É importante
32:31que os mecânicos
32:32monitorem
32:32o número
32:32de voos
32:33a fim
32:33de avaliarem
32:34o desgaste.
32:3648.
32:37Os registros
32:37da companhia
32:38forneceram
32:39uma pista
32:39perturbadora.
32:40Mais de 50
32:41voos aqui.
32:46Air Moria
32:47autorização
32:47para pouso.
32:48Os aviões
32:49da Air Moria
32:49fazem voos
32:50curtos e frequentes
32:51e muito mais
32:52pousos e decolagens
32:53que a maioria
32:54das grandes
32:54companhias aéreas.
32:56Em média
32:57eram de 50
32:58a 70
32:58decolagens
32:59e pousos
33:00por dia
33:00com o mesmo
33:01avião.
33:06Os investigadores
33:07precisam descobrir
33:08o quanto
33:08todo esse movimento
33:09de vai e vem
33:10pode ter afetado
33:11o cabo de elevação.
33:14Eles projetam
33:15um teste
33:15que reproduz
33:16o atrito
33:16no cabo.
33:18mas outro
33:19fator
33:20deve ser
33:20levado
33:20em consideração.
33:22É o único
33:23avião
33:24na frota
33:24da Air Moria
33:25com cabos
33:26de aço
33:26inoxidável.
33:29Descobrimos
33:29que o tipo
33:30de cabo
33:30de controle
33:31dessa aeronave
33:32era diferente.
33:36O avião
33:37do acidente
33:37é novo
33:38na frota
33:38da Air Moria.
33:40Os cabos
33:41de controle
33:41das outras
33:42aeronaves
33:42são feitos
33:43de aço
33:44carbono,
33:45mas os cabos
33:46do voo
33:461121
33:47são feitos
33:48de aço
33:48inoxidável.
33:50O aço
33:51inoxidável
33:52resiste
33:53mais à corrosão
33:53do sal
33:54que o aço
33:54carbono.
33:55Fazia sentido
33:56usar cabos
33:57de aço
33:58inoxidável
33:58para que não
33:59sofram tanta
34:00corrosão
34:01no ambiente
34:01altamente salino,
34:03onde os cabos
34:05poderiam ser
34:05mais suscetíveis
34:06à corrosão
34:07do que em
34:07regiões terrestres.
34:12Mas os cabos
34:13de aço
34:13inoxidável
34:14também têm
34:14uma desvantagem.
34:16Eles se
34:16desgastam
34:17mais rápido
34:18com um
34:18atrito.
34:19Questão
34:20que a Air Moria
34:20deixou de
34:21observar
34:21na elaboração
34:22do cronograma
34:23de manutenção
34:24do Twin Order
34:24que caiu.
34:27O cabo
34:28de aço
34:28inoxidável
34:29contém
34:29cromo,
34:31o que torna
34:32mais resistente
34:33à corrosão,
34:33mas também
34:34contém
34:35níquel,
34:35o que pode
34:36torná-lo
34:37mais suscetível
34:38ao desgaste.
34:40Os resultados
34:41de laboratório
34:42confirmam
34:43que os voos
34:43frequentes
34:44ajudaram a
34:45desgastar
34:45o exterior
34:46do cabo
34:46de aço
34:46inoxidável.
34:47O aço
34:48inoxidável
34:49se desgastou
34:49como no Air Moria.
34:52O desgaste
34:53ocorreu devido
34:54ao atrito
34:54com partes
34:55do avião.
34:59Pode ser
35:00uma descoberta
35:01crucial,
35:01finalmente
35:02uma explicação
35:03para o rompimento
35:04de um cabo
35:04essencial
35:05durante o voo.
35:08os investigadores
35:09suspeitam
35:10que o atrito
35:10afinou
35:11tanto o cabo
35:11que este
35:12se rompeu
35:13quando Saint-Johen
35:13estava elevando
35:14o profundor
35:15para subir.
35:15Baixo demais.
35:18A princípio
35:19pensamos
35:20que o cabo
35:20havia se rompido
35:21devido ao desgaste.
35:23Foi a primeira impressão
35:24porque o desgaste
35:25era significativo.
35:31Bancharel
35:32testa a teoria.
35:34Ela recria
35:35a força
35:36utilizada
35:36por Saint-Johen
35:37ao puxar
35:38o nariz
35:38do avião
35:38para cima.
35:40Se ela estiver
35:40certa,
35:41o cabo desgastado
35:42tem que se romper.
35:44Mas isso
35:45não acontece.
35:48Quando realizamos
35:49o teste
35:50observamos
35:50que
35:51com 50%
35:52de desgaste
35:53era preciso
35:54uma força.
35:54Uma força
35:5510 vezes
35:56maior
35:56que a utilizada
35:57durante o voo
35:58nesta fase
35:59de retração
36:00dos flaps.
36:03Graças
36:04aos testes
36:04concluímos
36:05que um cabo
36:0650%
36:07desgastado
36:08suportaria
36:09a tensão
36:09de todo o voo.
36:12O cabo
36:13permaneceu
36:13intacto.
36:16Tínhamos
36:17que descobrir
36:17o que pode
36:18ter causado
36:19o enfraquecimento
36:20do cabo.
36:21Outro fator
36:22ajudou a romper
36:23aquele cabo.
36:24Mas o que?
36:26Os investigadores
36:28sabem que
36:28aviões
36:29muitas vezes
36:29apresentam
36:30danos
36:30de difícil
36:31detecção
36:31causados
36:32por pequenos
36:33impactos
36:33com veículos
36:34terrestres.
36:35Se o veículo
36:36do aeroporto
36:37acidentalmente
36:38colidiu
36:38com o
36:39profundor
36:39do avião
36:39o impacto
36:40pode ter
36:41partido
36:41mais fios
36:42do cabo
36:42já desgastado.
36:54Boyard
36:55verifica
36:55os registros
36:56de ambos
36:56os aeroportos
36:57da rota
36:58do Twin Order
36:58o de Moria
36:59e o do aeroporto
37:00maior do
37:01Tahiti
37:01onde o avião
37:02passa a noite.
37:03Obrigado.
37:05Ele precisa
37:06saber se o avião
37:07se envolveu
37:07em algum acidente.
37:09Nada.
37:10Nenhum impacto
37:11registrado.
37:15Não encontramos
37:17nenhuma evidência
37:18de impacto
37:19nas superfícies
37:20de controle
37:20o que eliminou
37:21a possibilidade
37:22de contato
37:23com outro veículo
37:24durante o estacionamento
37:25noturno.
37:27Mais um beco
37:29sem saída.
37:30Não parece haver
37:31explicação
37:31para o rompimento
37:32de um cabo
37:33durante o voo.
37:35Até que Boyard
37:36nota algo
37:37na pista
37:37de taxiamento
37:38do movimentado
37:39aeroporto
37:39do Tahiti.
37:42Me diga
37:43qual a proximidade
37:45entre esses jatos
37:46e os aviões
37:46da Air Moria?
37:49Nós nos concentramos
37:51no fenômeno
37:52do empuxo
37:53dos motores
37:53a jato
37:54fenômeno
37:55denominado
37:55Jet Blast.
37:57Jet Blast
37:58é o poderoso
37:59fluxo de ar
38:00que sai
38:00dos motores
38:01dos jatos.
38:02Os ventos
38:02com força
38:03de furacão
38:04podem chegar
38:05a 160 km por hora.
38:09um avião
38:10em sua potência
38:11máxima
38:11como um Airbus
38:12ou um Boeing
38:13pode mover
38:14um avião
38:14pequeno
38:15que esteja
38:15a poucos metros.
38:17É uma força
38:18fenomenal.
38:28Os investigadores
38:30estudam a disposição
38:31do aeroporto
38:32do Tahiti.
38:33Eles precisam
38:34descobrir
38:34se os aviões
38:35da Air Moria
38:36podem ter sido
38:37danificados
38:38por Jet Blast.
38:39Muito bem.
38:40Os Twin Odders
38:40da Air Moria
38:41ficam estacionados
38:43aqui.
38:44Eles descobrem
38:45que a Air Moria
38:46estaciona seus aviões
38:47muito próximo
38:48a uma pista
38:48de taxiamento
38:49utilizada
38:50por jatos poderosos.
38:51Os aeroportos
38:52geralmente montam
38:53barreiras
38:54para proteger
38:54os aviões
38:55dessa força
38:55perigosa.
38:57deveria haver
38:58barreiras
38:59para proteger
38:59os Twin Odders
39:00no aeroporto
39:01do Tahiti
39:01mas elas foram
39:03removidas.
39:03Olha isso.
39:05É uma descoberta
39:06importante.
39:06Os jatos
39:07taxiam aqui.
39:10As barreiras
39:12foram removidas
39:13para facilitar
39:14a movimentação
39:15de um estacionamento
39:16ao outro.
39:17Não havia
39:17mais barreiras físicas
39:19para proteger
39:20os Twin Odders.
39:24Os jatos Airbus
39:26e Boeing
39:26ficavam
39:27a aproximadamente
39:2750 metros
39:28de distância
39:29do estacionamento
39:30da Air Moria
39:30muito próximo.
39:33Os aviões
39:34da Air Moria
39:35são estacionados
39:36bem na rota
39:37do Jet Blast.
39:41Este avião
39:42era estacionado
39:43numa área
39:43propensa
39:44a receber
39:44os fluxos
39:45de ar
39:45dos grandes
39:46cargueiros
39:47durante suas partidas.
39:50chegamos então
39:51a essa hipótese
39:52de que havia
39:53grande probabilidade
39:54do cabo
39:55ter sido
39:56enfraquecido
39:56pelo Jet Blast.
40:05Alain Bouillard
40:07descobre que os aviões
40:08da Air Moria
40:08são particularmente
40:09vulneráveis
40:10ao Jet Blast
40:11devido a uma
40:12política de prevenção
40:13de acidentes
40:13da companhia.
40:14Os Twin Odders
40:16são estacionados
40:16com os profundores
40:17travados para baixo.
40:20É impossível
40:22decolar
40:22com os profundores
40:23travados.
40:26Era travado
40:28por um dispositivo
40:29que impedia
40:29a movimentação
40:30dos cabos
40:30e a movimentação
40:31do profundor.
40:33Mas em posição
40:35abaixada
40:35os efeitos nocivos
40:36do Jet Blast
40:37provavelmente aumentaram.
40:39Os investigadores
40:40suspeitam que
40:41como uma vela
40:42ao vento
40:42os profundores
40:43inclinados
40:44absorviam
40:44toda a força
40:45do fluxo de ar
40:46forçando ainda mais
40:47o cabo
40:47de elevação
40:48travado.
40:49Se os controles
40:51estão travados
40:52a energia
40:52é diretamente
40:53transferida
40:54para o cabo.
40:58Eles agora
40:59se perguntam
40:59se o Jet Blast
41:00é suficiente
41:01para romper
41:02um cabo
41:02já desgastado.
41:05Outro teste
41:06com o cabo
41:06dá a resposta.
41:09Tínhamos
41:10um cabo
41:11desgastado
41:12em 50%
41:13que ainda
41:14era capaz
41:15de resistir
41:16a uma grande
41:16tensão.
41:19Mas o fenômeno
41:21do Jet Blast
41:22tornou esse cabo
41:24tão frágil
41:24que restaram
41:25apenas
41:26um ou dois
41:27fios intactos.
41:30Em vez
41:31de partir
41:31o cabo
41:32ao meio
41:32o Jet Blast
41:33deixou alguns
41:34poucos fios
41:35suficientes
41:36para o voo
41:361121
41:37decolar
41:37mas não
41:38para resistir
41:39a rigorosos
41:40sete minutos
41:40de voo.
41:44estavam por
41:44um fio.
41:46Se o Jet Blast
41:47tivesse danificado
41:48totalmente o cabo
41:49o comandante
41:50Saint-Johen
41:50não teria conseguido
41:51tirar o avião
41:52do chão.
41:56Mas
41:57já no ar
41:57o comandante
41:58Saint-Johen
41:59e seus 19
41:59passageiros
42:00estão a um
42:01estreito fio
42:02de um desastre.
42:06Os investigadores
42:08reproduzem
42:08as forças criadas
42:09à medida que
42:10o piloto
42:10ajusta os controles.
42:13O comandante
42:14Saint-Johen
42:14atinge 400 pés
42:15e recolhe os flaps
42:16baixando um pouco
42:17o nariz
42:18do Twin Otter.
42:19Ele ajusta
42:20o profundor
42:21para nivelar
42:21o suficiente
42:28para romper
42:29o último fio
42:30do cabo
42:30desgastado
42:31e danificado.
42:35Ele não teve chance.
42:39concluímos
42:40que a força
42:41necessária
42:42para corrigir
42:43o nível
42:43do avião
42:44foi suficiente
42:45para romper
42:46o último fio.
42:49Não havia
42:50nada que o piloto
42:51pudesse fazer
42:52para salvar
42:52o avião
42:53e seus 19
42:54passageiros.
42:55Dá para imaginar
42:56a reação dele.
42:57O que está
42:58havendo?
42:59O cabo se rompeu,
43:01o manche
43:01voltou
43:02e enquanto analisa
43:03a situação
43:04o avião
43:05cai muito rápido
43:06e em poucos segundos
43:07atinge o mar.
43:19O acidente
43:20da Air Moria
43:21matou 20 pessoas
43:24e mudou
43:25para sempre
43:26a vida
43:26das famílias
43:27das vítimas.
43:31Boyard
43:32e sua equipe
43:33deixaram
43:33uma Polinésia
43:34francesa
43:34determinados
43:35a tornar
43:35o voo
43:36em Twin Otters
43:36mais seguro.
43:39A primeira recomendação
43:42foi a verificação
43:43urgente
43:44de todas
43:44as aeronaves
43:45equipadas
43:46com cabos
43:47de aço
43:47inoxidável.
43:52Atualmente
43:52em todo o mundo
43:53os padrões
43:54de manutenção
43:54e vistoria
43:55de cabos
43:55de aço
43:56inoxidável
43:57são mais rígidos.
43:59A grande lição
44:01dessa investigação
44:02é que os jet blasts
44:03nos aeroportos
44:04oferecem risco.
44:06O desastre
44:08da Air Moria
44:08conscientizou
44:09todo o mercado
44:10do papel essencial
44:11que as barreiras
44:12de jet blast
44:13exercem na segurança,
44:14especialmente
44:15em aeroportos
44:16que comportam
44:16jatos grandes
44:17e pequenos aviões
44:18de passageiros.
44:21Eric Limar
44:22espera que seja
44:23o suficiente
44:23para impedir
44:24novos acidentes
44:26como esse.
44:29É a minha esperança.
44:30Do contrário,
44:31de que serviu
44:32esse acidente?
44:34Dezenove passageiros
44:35mortos
44:36e não aprendemos
44:37nada com isso?
44:39Seria uma vergonha.
44:40Seria uma vergonha.

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