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  • há 2 dias
No programa de hoje, vamos explorar novos horizontes na culinária. A chef Regina Maris nos levará a uma jornada saborosa, ensinando a preparar almôndegas de brócolis, uma opção deliciosa e inovadora. Para os amantes da boa comida, esta é uma experiência que não pode ser perdida. Acompanhe conosco e descubra os segredos dessa iguaria!

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Transcrição
00:00A gente está chegando aí no final das férias e para muitos pais, a volta às aulas é ainda mais
00:07desafiadora.
00:08São famílias com crianças com TDAH.
00:12Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, este é um dos transtornos mais comuns entre crianças e adolescentes,
00:20com aproximadamente 50 milhões de brasileiros com idades entre 5 e 19 anos diagnosticados.
00:27E o diagnóstico, minha gente, geralmente acontece ali por volta dos 7 anos, quando muitas crianças estão na fase da
00:35alfabetização.
00:36E aí você pensa, se ela está na fase da alfabetização, por outro lado ela não consegue o quê?
00:41Se concentrar, ter atenção, são impulsivas, agitadas e precisam de ajuda e estímulos.
00:49E isso não é só um papel da escola.
00:51Inclusive, esse vai ser o nosso assunto de agora aqui no Fale Espírito Santo.
00:55Ela que participa com a gente aqui no nosso estúdio, eu recebo a Natália Gurgel, ela que é psiquiatra.
01:00Obrigada, doutora, pela sua participação. Uma boa tarde, viu?
01:03Boa tarde, eu que agradeço.
01:05Elza Leite, você de casa a conhece como psicóloga, mas hoje ela está aqui trazendo um outro relato,
01:12porque ela teve o diagnóstico tardinho, né Elza?
01:15Tardinho. Depois da faculdade eu comecei a perceber que eu me enquadrava naqueles sintomas, né?
01:20Na minha infância não se falava disso, os meus pais não tinham informação sobre isso.
01:25E aí eu resolvi fazer a busca por um tratamento especializado, fiz todos os testes que você imaginar,
01:33porque eu não queria me autodiagnosticar sendo psicóloga.
01:35Eu fiz com um colega psicólogo a avaliação psicológica para o TDAH, procurei um neurologista, né?
01:42Levei o meu laudo e aí comecei o meu acompanhamento.
01:45E mais do que isso, eu consegui me acolher e compreender tudo que tinha acontecido,
01:51muitas coisas que eu me julgava, eu me culpava por conta do transtorno,
01:55eu consegui fazer esse conserto, né? Esse auto perdão comigo mesma.
01:59E a gente vai falar também sobre esse diagnóstico tardio.
02:04Mas voltando um pouquinho ao nosso foco, que é a volta às aulas das crianças que têm esse diagnóstico,
02:11a gente recebe aqui hoje a Marcelene, maravilhosa mãe da Vivi, né Vivi? Tem sete anos.
02:16Vivi fez sete anos agora, ela mandou um abraço, beijinho filha.
02:19Feliz aniversário, viu Vivi? Parabéns pra você.
02:22E ela tem esse diagnóstico, né? E tá exatamente nessa faixa etária da alfabetização.
02:28Como é que é a volta às aulas na sua casa? É sempre complicado?
02:32É mais pra mim do que pra ela, né?
02:34É.
02:37Porque ela é bem agitada, porque a Vitória, na verdade, ela é imperativa mesmo, né?
02:43É tanto que a professora dela fala assim, que a mesinha dela fica do lado da mesa da professora,
02:49mas pra conseguir manter a Vitória sentada é quase que impossível.
02:54Ela desfila a sala todinha, todinha, todinha, todinha.
02:58Então, assim, é...
03:01Ela fica ansiosa agora, por exemplo, ela quer voltar pra escola, voltar às aulas ou não?
03:06Ela não quer saber de voltar porque é um ambiente novo, é uma professora nova, amigos novos
03:11e você tem que começar já ir trabalhando a cabecinha dela.
03:14Não, ela quer até porque ela pintou o cabelo de azul.
03:17Ah, ela quer mostrar pra todo mundo, né?
03:18Ela quer mostrar pros amiguinhos que ela tá com o cabelo azul agora e diz ela que tá com saudade
03:23dos amiguinhos,
03:24mas ainda não entrou na mente dela que é outros professores, outros amiguinhos.
03:30Ela ainda não...
03:30Você acha que quando isso cai...
03:32Quando cair essa ficha nela, qual vai ser a reação?
03:36Olha, vai ser meio desafiadora, mas a Vitória, eu creio que ela gosta de uns desafios.
03:42Ela tem aquela ansiedade e eu já notei quando ela tá começando a crise de ansiedade, né?
03:48Que ela também tem a crise de ansiedade.
03:50Ela faz assim, calma, mamãe, peraí.
03:54Aí ela começa a trabalhar a respiração nela.
03:57Quem fica mais ajudado sou eu.
03:59Natália Gurgel, doutora, obrigada pela sua presença mais uma vez.
04:03Como que a família pode ajudar nesse processo de readaptação da criança na volta às aulas?
04:09Em especial, crianças que têm TDAH, que a gente tá vendo aí um número crescente de diagnósticos
04:15e às vezes tem essa rejeição quando pensa que vai trocar de sala, vai trocar de professora, vão ter novos
04:22amigos.
04:24Em primeiro lugar, é a família aceitar o diagnóstico, né?
04:27E buscar o diagnóstico.
04:28Então, assim, como a colega aqui falou, existem ferramentas, né?
04:32Existem profissionais que são qualificados pra dar esse diagnóstico.
04:35E o que a gente nota no dia a dia é que muitos pais e familiares têm uma resistência inicialmente
04:40em aceitar.
04:41Porque a partir do diagnóstico, às vezes, é necessário o uso de medicação,
04:44tem todo um tratamento multidisciplinar.
04:47E, às vezes, é um impacto, né?
04:48Pra aquele pai ali aceitar.
04:50À medida que ele aceita e o paciente inicia o tratamento,
04:53ele vai ter uma melhora significativa na qualidade de vida, né?
04:57Porque, normalmente, essa criança que é muito hiperativa, agitada,
05:00ela acaba, às vezes, sofrendo hostilidade.
05:02Outros pais acabam não querendo que aquela criança conviva,
05:05porque é uma criança que traz, às vezes, uma desorganização, né?
05:08Não é só na escola, é no aniversário, em outros locais que eles estão juntos.
05:12Às vezes, é uma criança mais agitada.
05:14Às vezes, machuca o coleguinha.
05:15Não é de propósito.
05:16É porque ela realmente tem esse processo de hiperatividade e desorganização, impulsividade.
05:22Então, o tratamento é imprescindível.
05:24E a família precisa ajudar, né?
05:26Tem que ajudar, porque a criança não vai ter consciência ali,
05:28não tem como buscar ajuda sozinha.
05:30E a melhor forma, inicialmente, é aceitando o diagnóstico e buscando ajuda,
05:34porque é extremamente necessário o tratamento.
05:36E na hora do vamos ver, a criança travou em casa.
05:39Não quer.
05:40A gente deve insistir, deve...
05:43Alguns pais acabam até forçando um pouco mais, isso é certo,
05:47para tentar estabelecer uma rotina ou não, nem pensar?
05:51Depende de cada caso, né?
05:53Por exemplo, eu já tive paciente que teve uma dificuldade muito grande,
05:56porque ele ia para a escola, passava mal, a gente fez uma tentativa,
06:00foi para o psicólogo, fez todo um trabalho de psicoeducação,
06:03e esse paciente não conseguiu voltar, né?
06:05E aí, fez todo aquele trabalho de homeschooling.
06:08Mas, na maioria dos casos, é importante se intentar.
06:10O ambiente escolar para a criança é um ambiente de socialização,
06:14um ambiente onde é extremamente necessário que ele esteja presente ali, né?
06:18E pensando na questão do TDAH, tem várias coisas que a escola também pode ajudar.
06:23É muito importante que a escola faça esse papel, né?
06:26Com a equipe pedagógica, junto com os pais,
06:28porque essa criança vai ter algumas necessidades e a escola precisa acolher, entender,
06:33para poder ajudar nesse processo de adaptação e desenvolvimento também escolar e acadêmico ali
06:39da criança, do adolescente, do adulto que está numa faculdade.
06:43Elza, vamos voltar um pouquinho ao tempo.
06:44Vamos pensar você ali com seus seis, sete, oito anos,
06:48quando você não tinha o diagnóstico, né?
06:51Nem se imaginava talvez isso, né?
06:54Antigamente.
06:54Antigamente, mas como é que era?
06:56Você tem alguma memória da sua volta às aulas?
06:59Você tinha medo ou você ia e tinha esse comportamento agitado,
07:05igual a Marcela que está aqui falando da filha dela?
07:07Como é que você se comportava?
07:09Tinha uma questão de uma ansiedade de separação, né?
07:12Porque em casa eu fui rodeado de muitos bichos, muitos animais.
07:16Então, me separar dos animais e voltar à socialização era mais complexo.
07:21Mas eu gostava de estudar.
07:22Então, assim, minha mãe também sempre conversava.
07:24A avó, está chegando as aulas, você vai trocar de escola, é outra tia, outros colegas.
07:28Ela fazia um trabalho psicológico em mim sem saber o que estava fazendo.
07:32Então, a preparação é importante.
07:34Me estruturando para o que iria chegar.
07:37Então, para mim, a volta às aulas nunca foi um problema.
07:40O grande desafio era dentro de sala de aula.
07:42Por quê?
07:43Eu era muito agitada, né?
07:45Na questão...
07:45Eu era muito conversadeira.
07:48Excelente aluna, só tirava nota boa, respeitava os professores, não tinha problema para lidar com a autoridade.
07:55Agora, conversava igual uma matraca, não parava, não calava a boca.
08:00E o comichão, né?
08:01Ela levantava para lá e para cá.
08:03Nunca via ir tanto no banheiro fazer xixi.
08:04Então, isso dava problema.
08:06Minha mãe tinha que ser chamada na escola, porque, ó, Elza é uma excelente aluna, é boa aluna, é boazinha,
08:11mas não para de falar.
08:14Marcilene, você...
08:15Já tive momentos que eu já te liguei, convidei para vir ao programa e você falou assim,
08:18Beta, hoje a Vivi não quis ir para a aula.
08:21Então, eu estou com ela em casa, não posso participar hoje no programa.
08:24Tem a ver com esse comportamento de, tipo, tem dias que ela não está afim de ir, tem dias que
08:29você tem mais dificuldade de levá-la?
08:31Sim, sim. A Vitória, ela tem outro diagnóstico, né?
08:35Ela tem o TAG, que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada.
08:39Ela tem o TOD, Transtorno Opositor Desafiador.
08:42Ela tem o TDAH.
08:45E agora, tem uns quatro meses, eu descobri que ela tem o TEA também.
08:50Então, o TDAH, o TOD, ele maquiou o TEA durante um bom tempo, né?
08:55Depois de mais de três anos, eu descobri que a Vitória também tem o aspecto autista, né?
09:02E quando ela fala não, não adianta forçar, porque ela vai passar mal.
09:07Ela passa mal de passar mal mesmo, de dar crise, de ter, como se diz, vestígio, né?
09:14Vestígio.
09:15Vestígio.
09:16Ela é como se ela fosse desmaiar.
09:18Então, ela começa a suar fria, ela começa os batimentos cardíacos, acelerado.
09:23Então, quando ela fala não, não adianta eu atropelar, sabe?
09:29Aí eu tenho que respeitar.
09:30E olha só, a gente já estava até comentando aqui o caso da Elza, né?
09:34Tem muitos adultos também que têm recebido o diagnóstico do TDAH, inclusive famosos.
09:39Cláudia Leite é um exemplo aí, ó.
09:41No final do ano passado, a Claudinha abriu para o público que teve o diagnóstico aos 40 anos.
09:46Apesar do diagnóstico tardio, a artista conta que sempre percebeu que tinha algo diferente.
09:53Em uma entrevista, ela disse, todo mundo consegue fazer um raciocínio, às vezes, muito óbvio e lógico e ir direto
10:00ao ponto.
10:01O TDAH não me deixa filtrar esses pensamentos.
10:03Eu consigo desmembrar uma pergunta em mil, numa fração de segundos, fecha aspas.
10:08Outros famosos aí também que já falaram publicamente sobre esse transtorno.
10:12Olha só a lista que a gente fez para você.
10:14Sabrina Sato, ela declarou em 2021 que convive com o TDAH.
10:19A apresentadora disse que sempre desconfiou, mas o diagnóstico só veio depois de adulta.
10:24Outro exemplo aí, ó, Tata Werneck.
10:26Ela já contou em entrevistas que, por causa do transtorno, tem dificuldade de concentração.
10:31O que exige ainda mais, né, da artista quando ela está em cena.
10:35Também entra aí na lista de famosos com o TDAH.
10:38O cantor Zé Felipe, filho do Leonardo.
10:39Ele faz um tratamento com medicação para controlar a hiperatividade, a dificuldade de concentração.
10:46E aí, Elza, o que mudou na sua vida depois que você teve esse diagnóstico?
10:51Primeiro, eu encontro com você mesmo.
10:54Você começa a compreender muitos comportamentos que você teve durante a infância, adolescência.
11:01E você se julgava, as pessoas te julgavam.
11:03E percebe que aquilo está associado ao diagnóstico.
11:06Por exemplo, eu costumo dizer que o TDAH não anda sozinho.
11:09Ele sempre vem acompanhado de outras tantas comorbidades.
11:13Então, eu tive ansiedade, eu tive compulsão alimentar.
11:17E isso estava tudo relacionado.
11:18Era secundário ao TDAH.
11:20Essa coisa do pensamento acelerado.
11:23A gente interrompe a fala.
11:25A gente é imediatíssima.
11:27Pouco paciente.
11:28Você fica angustiado quando a pessoa é mais lenta, quando a pessoa é mais, a gente chama de sonso.
11:35Aquilo dá uma agonia na gente.
11:36Aí você acaba sendo, às vezes, grosseiro, muito objetivo com as pessoas.
11:41Então, entender que eu tinha TDAH me fez compreender muitos dos comportamentos que eu tive na minha adolescência,
11:47que me trouxeram problemas, inclusive, de socialização.
11:49Essa coisa do tomar lá da cá, de ser muito impulsiva, de responder na ponta da língua,
11:54me trouxe muitos problemas.
11:55Problemas sociais, inclusive.
11:58E aí, depois que você entende, você consegue manejar melhor, você consegue trabalhar, ter mais autocontrole.
12:04A primeira vez que eu tomei a Ritalina, a sensação que eu tive era que o meu cérebro tinha silenciado
12:12o mundo.
12:12E eu estava, pela primeira vez, eu me emociono de lembrar.
12:16Eu estava me escutando, quietinha ali dentro de mim.
12:20Que minha mente era tão barulhenta, na velocidade da luz, assim.
12:25Que eu tomei e falei, gente, isso aqui é bom mesmo.
12:28E depois disso, a ansiedade está muito mais ajustada.
12:31A questão do domínio, né?
12:33A terapia ajuda muito a gente.
12:34O fato de eu ser psicóloga não me isenta de ter questões, transtornos.
12:38Eu sou um ser humano como qualquer outro.
12:40Sujeito a todas as coisas.
12:41Mas você receber essa ajuda especializada e entender que você não é o seu diagnóstico.
12:48Você tem um diagnóstico, mas ele não define você.
12:51Faz toda a diferença de dentro para fora.
12:53Me emocionei com você, Elza.
12:55Agora, você falou que a sua mãe já vinha fazendo uma programação com você.
13:00Doutora Natália, para a gente finalizar.
13:02Ainda dá tempo das mães fazerem essa programação com os filhos?
13:06Eles irem preparando para a volta às aulas?
13:10Sim, é super importante.
13:12À medida que elas estão identificando alguma situação ou já tem o diagnóstico do TDAH,
13:16irem preparando, fazerem rotina.
13:18Rotina é super importante, né?
13:19A criança precisa ter uma rotina.
13:22E é bem bacana isso.
13:23Eu acho que essa questão que ela está trazendo, o diagnóstico do TDAH,
13:27a criança tem que ter ali até 12 anos.
13:30Os sintomas têm que se iniciar ali.
13:31Então, as crianças que não são tratadas, elas vão carregar o TDAH até a vida adulta.
13:36Cerca de 60% elas carregam.
13:38Então, esse adulto vai sofrendo durante tantos anos sem o diagnóstico e sem o tratamento.
13:43Então, é sim importante a rotina, é importante que a família esteja atenta,
13:46que ajude, que auxilie, porque isso vai tornar a qualidade de vida muito melhor
13:50e impedir muitas vezes que essa criança, esse adolescente e adulto,
13:55desenvolva os outros transtornos que são comorbidades, né?
13:58Que vêm depois do TDAH, principalmente quando ele não é tratado.
14:01Tá certo.
14:02Muito obrigada, doutora Natália, pela sua participação.
14:04Obrigada, Elza.
14:05Eu que agradeço.
14:06Ela até desabafou, gente.
14:07E não tem que ter vergonha, gente.
14:09A gente não tem que ter vergonha de falar que tem ansiedade, TDAH, autismo.
14:14Nós somos humanos, a gente está sujeito a qualquer coisa.
14:17Então, se você está percebendo aí que tem alguma coisa diferente que você busca ajuda,
14:21a gente tem que tentar se ajudar de alguma forma.
14:23E recurso para isso existe.
14:25Verdade.
14:25Obrigada, Marci Leme, sua linda.
14:27Dá um beijo na Vivi.
14:28Dou sim, eu que agradeço.
14:29Se eu ouvindo a falar da Elza...
14:30Gente, eu me vi nela.
14:32Eu falei, pronto.
14:33Eu vou buscar o diagnóstico também.
14:35Tá certo.
14:36Deixa eu aproveitar o tempo aqui, ó.
14:37Que tem gente me esperando ali no Espaço Gomeu.
14:39A gente tem uma comida deliciosa.
14:41Um beijo, tá?
14:43Tchau, tchau, tchau, tchau.

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