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  • há 13 horas
Kobra revê sua vida desde a infância na periferia até o sucesso mundial. Os acontecimentos se desenrolam entre a realidade e o sonho. Nessa trajetória de vida, do grafite ilegal nas ruas de São Paulo até pintar grandes murais em mais de 30 países, Kobra, um artista singular que representa tantos outros em suas batalhas, passa a entender a arte de rua como voz política e democrática.
Transcrição
00:00:19Obrigado.
00:00:57Obrigado.
00:01:28Obrigado.
00:01:31Obrigado.
00:02:08Obrigado.
00:02:46Às vezes eu vou para o quarto, mas para mim é ruim ficar no quarto,
00:02:49porque a minha esposa, o meu bebê, às vezes dormem comigo na cama,
00:02:54mas dormem em poucos minutos.
00:02:58Depois eu desço e fico na sala e assisto toda a programação possível de documentários.
00:03:12Eu não desenho de madrugada, mas às vezes eu vejo algo que me ajuda.
00:03:21Fico meio que assistindo e não assistindo ao mesmo tempo.
00:03:24Fico com as coisas que são narradas e aí eu fico ouvindo aquela voz de documentários de arte.
00:03:40Eu só fiz um autorretrato uma vez porque me pediram.
00:03:44Realmente porque me pediram.
00:03:47Mas...
00:03:48mas é um exercício difícil para mim.
00:03:51Eu não tenho muito esse...
00:03:54esse desejo de fazer...
00:03:57de fazer o meu próprio retrato em algum lugar.
00:04:02Não é algo que está nos meus planos.
00:04:04Prefiro muito mais ser visto através dos meus desenhos.
00:04:08E aí...
00:04:12E aí...
00:04:22E aí...
00:04:27E aí...
00:04:45E aí...
00:04:47E aí...
00:04:55E aí...
00:04:59E aí...
00:05:01E aí...
00:05:22Os meus primeiros contatos com cor
00:05:26ou com pintura, que eu tenho recordação,
00:05:29era colorindo esses livrinhos comuns
00:05:33que todo mundo tem na infância.
00:05:36Eu acho que eu me lembro bem
00:05:38que a minha mãe comprava esse material
00:05:40e eu gostava muito de fazer isso.
00:05:43Era uma das coisas que eu me divertia fazendo.
00:05:47E pintar os lápis de cor
00:05:49e referências de personagens de quadrinhos também,
00:05:55de super-heróis e tudo mais.
00:05:57Eu me recordo muito bem dessa conexão
00:06:00de começar a perceber as cores,
00:06:05as diferenças de anatomia e tudo mais.
00:06:10Sempre isso foi algo que me prendeu
00:06:16em relação a tentar colorir.
00:06:52O meu pai, ele era muito dedicado
00:06:56no trabalho dele, mas era muito simples também,
00:07:00era muito humilde.
00:07:01Estudou até a quinta série só,
00:07:04então ele nunca teve nenhum tipo de contato
00:07:07com esse universo de arte.
00:07:11Mas eu sei que ele era um artista,
00:07:15embora ele não sabia disso.
00:07:18porque o que ele fazia em relação à tapeçaria
00:07:21era muito exclusivo, muito específico.
00:07:25Ele trabalhava com capitonê.
00:07:28Eu me lembro dele pegar muitos sofás antigos
00:07:34e restaurava todos eles, né?
00:07:37Então eu cheguei a ajudá-lo.
00:07:39Ajudava a cortar os tecidos.
00:07:42E eu me lembro que ele tinha mostruários.
00:07:47Mostruários enormes,
00:07:48que ele levava esses mostruários
00:07:49para as pessoas escolherem o tipo de textura,
00:07:52o tipo de cor, ou stripes,
00:07:55ou muita coisa assim,
00:07:56que tinha nesses padrões, né?
00:08:00E tinha muitas formas, muitas linhas,
00:08:02que ele tinha uma preocupação estética muito grande
00:08:05em alinhar.
00:08:08Mesmo vivendo na periferia,
00:08:11eu ia com ele em alguns clientes
00:08:15nas áreas nobres.
00:08:17Os contatos que eu tinha
00:08:19com o outro lado da ponte,
00:08:22vamos dizer assim,
00:08:23foi visitando clientes.
00:08:25Ele ia visitar clientes
00:08:27e muitas vezes me levava.
00:08:28Estou a uma hora da minha quebrada,
00:08:31logo mais,
00:08:32quero ver todos em paz.
00:08:34Um, dois, três carros na calçada,
00:08:36feliz e agitada,
00:08:38toda preboçada.
00:08:39As garagens abertas,
00:08:40eles davam os carros,
00:08:41desperdiçam a água,
00:08:43eles fazem a festa.
00:08:44Vários estilos,
00:08:45vagabundas,
00:08:46outros ciganos,
00:08:47coroa reta,
00:08:48boca aberta,
00:08:49escaduja e led.
00:08:50Verde, frolescente,
00:08:51queimadas,
00:08:51oridente,
00:08:52a mesma vaca louca,
00:08:54se pulando como sempre.
00:08:56Toda a porta dos prebóis,
00:08:57eu guardo já,
00:08:58todos vão se esclarecer,
00:08:59na via não se cresce,
00:09:00só assim,
00:09:01tô lembrando.
00:09:07Fico, tipo,
00:09:08meio que viajando.
00:09:11Às vezes eu lembro,
00:09:12às vezes nem lembro
00:09:13o que eu tô vendo também.
00:09:17vejo coisas estranhas,
00:09:19tipo de...
00:09:24arqueologia,
00:09:25vejo um monte de coisa de arqueologia,
00:09:27de Egito,
00:09:31biografia,
00:09:31de um monte de gente.
00:09:36meu pai nunca nem me incentivou,
00:09:39nem me ajudou a comprar
00:09:40uma lata de tinta sequer.
00:09:42Como eu era adolescente e tudo mais,
00:09:44eu comecei também a pintar
00:09:45todas as paredes da minha casa.
00:09:48Então, a casa inteira,
00:09:49o corredor era pintado,
00:09:50era tudo pintado.
00:09:52A parte de cima era tudo.
00:09:54Tudo era cheio de latas de tinta
00:09:56e tudo era o meu estúdio,
00:09:57era uma experiência total
00:09:58dentro de casa
00:09:59e isso gerava um conflito
00:10:02enorme com os meus pais
00:10:04ao mesmo tempo.
00:10:05Então, eu queria fazer isso,
00:10:06é o lugar que eu tinha
00:10:07pra fazê-la dentro de casa,
00:10:09e eles odiavam.
00:10:20O que eu aprendi
00:10:22na relação de trabalho
00:10:24foi com ele.
00:10:25Ele sentava na mesa da sala
00:10:27e fazia a conta de água,
00:10:29dá pra pagar a X,
00:10:30a de conta de luz,
00:10:32e Y e Z.
00:10:33Tudo muito restrito,
00:10:35mas tudo muito honesto também.
00:10:37Meu pai era uma pessoa
00:10:38que não entrava em dívida,
00:10:40sabe?
00:10:41Nunca vi meu pai
00:10:42com nenhum tipo de agressão
00:10:45nem comigo,
00:10:46nem com a minha família,
00:10:47nem com a minha mãe,
00:10:48nem nada.
00:10:48Porém, era uma pessoa fria.
00:10:51Era uma pessoa muito fria.
00:10:53Tanto que,
00:10:56eu não tenho
00:10:57uma recordação
00:10:58de um dia
00:10:58que meu pai
00:10:58tenha me dado
00:10:59um abraço
00:11:00ou um beijo
00:11:00ou algo assim.
00:11:24Os meus cadernos
00:11:26eram todos cheios de desenhos.
00:11:29eles não tinham
00:11:30muitas anotações.
00:11:31Eu nunca fui um bom aluno.
00:11:35O meu interesse mesmo
00:11:37estava da janela
00:11:38para a rua.
00:12:05Eu nunca estou
00:12:25Eu já tinha um apelido nessa época, que era o apelido que eu tenho até hoje, que era Cobra.
00:12:30É porque os meninos da escola me colocaram esse apelido porque achavam meus desenhos bons e eles falavam
00:12:37como você cobra no desenho.
00:12:42Mesmo eu estando na quinta série, eu já conhecia os da oitava, os mais velhos que iam na escola
00:12:49na hora da saída e já eram pichadores que pichavam a cidade toda, então quando eu vi
00:12:56isso, aí mexeu totalmente comigo, aí realmente eu achei aquilo que eu queria fazer, eu queria
00:13:04me expressar através disso.
00:13:36A CIDADE NO BRASIL
00:14:06A CIDADE NO BRASIL
00:14:08Então muitas vezes a gente pegava um ônibus ali, pegava com esses caras, eu era um menino
00:14:15ali no meio deles, a gente desia em algum bairro com as mochilas cheias de lata de spray e voltava
00:14:22por horas e horas e horas até o Campo Lipe pichando todas as paredes possíveis.
00:14:41Eu era uma pessoa muito reclusa, nunca fui muito cheio de amigos e eu vi nisso uma oportunidade,
00:14:48uma possibilidade de explorar a cidade, de sair daquele lugar, de ter adrenalina envolvida.
00:14:58Então eu comecei a espalhar meu nome por toda a escola.
00:15:09Muitas brigas inclusive, até mesmo por conta de pichação. Pichou ali, pichou aqui, então
00:15:17já não podia mais sair pelo portão X da escola porque tinha grupos esperando para bater.
00:15:22E uma vez eu briguei com um menino dentro da escola e ele era envolvido com vários criminosos
00:15:28e também foi um dos motivos que eu tive que sair da escola.
00:15:34Já havia sido suspenso, advertido várias vezes. Meus pais foram levados lá para a escola e eu saí como que
00:15:44fugindo.
00:16:12Na escola eu fazia algo que era inaceitável. Na minha família também é inaceitável e nas ruas também é inaceitável.
00:16:20Então isso fez com que eu me envolvesse completamente com esses grupos de pichadores onde eu era aceito.
00:16:31Eu percebi a questão do nome, a questão de criar uma forma, a questão de criar como se fosse uma
00:16:37logomarca e espalhar isso pela cidade.
00:16:40E aí eu comecei no meu próprio bairro, que era um cobra em 1987.
00:16:46Tipo, pichava isso. Depois cobra em 1988.
00:16:50Mas tinha muito risco, tinha muita violência, tinha muita droga, tinha muito crime envolvido em todo esse circuito.
00:16:57Muitos roubavam as tintas para poder pintar.
00:17:02E quando meus pais descobriram que eu estava envolvido com tudo isso,
00:17:08aí ficaram ainda mais desesperançosos com a minha...
00:17:13com a minha, sei lá, com algo que eu quisesse fazer.
00:17:31Nós arrombávamos as portas do ônibus, não tinha aquela...
00:17:35vinha dois, abria ou depois passava por debaixo da roleta ou coisa assim.
00:17:40E aí comprava as tintas mais básicas.
00:17:43Por exemplo, cal.
00:17:44Comprava pigmento e rolinho, que era barato e não tinha como impedir.
00:17:55Quando eu fazia pichações em prédios, por exemplo, aí era algo que levava ao ápice de tudo, né?
00:18:04Porque existia uma questão de entrar no prédio de uma forma ilegal e deixar o nome lá em cima.
00:18:13E o risco era intenso, né?
00:18:16Mas que era o que dava o maior... maior crédito, assim, o maior mérito no meio, né?
00:18:22Maior era o ibope, vamos dizer assim.
00:18:30Teve uma vez que a polícia pegou dois dos que estavam comigo e eu consegui correr.
00:18:42Nós estávamos fazendo pichações no muro do Jockey Club, aqui em São Paulo.
00:18:47A viatura da polícia chegou, cada um correu numa direção.
00:18:51O que estava fazendo a pichação já foi pego ali, o outro também foi pego que estava na mesma direção.
00:18:57Eu corri, me escondi no meio de umas travestis que estavam ali, né?
00:19:02Então esse foi um dia que também me marcou bastante.
00:19:05Porque elas me protegeram ali, naquele momento, é...
00:19:10Falaram assim, a gente vai te proteger, mas depois a gente quer que você faça uma pichação pra gente, né?
00:19:36Quando eu tive acesso aos primeiros livros sobre grafite de uma pessoa chamada Martha Cooper,
00:19:45uma fotógrafa que registrou esse movimento da década de 70 e até antes, em Nova York.
00:19:51Um outro chamado Subway, que mostrava os trens.
00:19:55Aí eu percebi um outro universo.
00:19:57Eu comecei a juntar pichação, que era uma coisa na rua, utilizando os mesmos materiais.
00:20:04Tinta cal, tinta latex, spray, tal, etc.
00:20:07Eu poderia pegar esses desenhos que eu fazia no papel e fazer no muro, porque lá fora já estavam fazendo
00:20:11isso, né?
00:20:11Mas acontecia que eu não tinha condições de fazer os desenhos da forma que eu gostaria.
00:20:21Então, muitas vezes, eu copiava ou me inspirava em outros artistas pra conseguir fazer.
00:20:35Eu imaginava que o grafite só poderia existir dentro da cultura hip-hop e pra mim era isso, né?
00:20:42Então, foi um prato cheio, porque tinha tudo a ver com o que eu vivia, o que eu fazia, o
00:20:46que eu falava, as músicas de rap que eu ouvia.
00:20:54Tudo isso tinha uma influência muito grande na vida de todos os meninos ali na periferia, né?
00:21:00Em pelo menos três ocasiões, eu tive amigo morto do meu lado, a tiros.
00:21:07Eu vi vários amigos da região de onde eu morava, envolvidos com crime, que apareciam com carros roubados, andavam armados,
00:21:15com droga, com tudo isso.
00:21:16Aí eu já tinha um foco de fazer os desenhos falando sobre racismo, sobre violência.
00:21:51Eu me sinto angustiante.
00:21:55Eu me sinto sozinho também ali.
00:22:02Se eu não tomar remédio nenhum pra dormir, eu viro duas, três noites direto, sem nenhum cochilo.
00:22:29Pra sociedade, de uma forma geral, não era aceitável.
00:22:33Então, independente do que eu pintasse, sempre alguém ia me chamar de vagabundo.
00:22:40E aí, com o passar do tempo, quando eu cheguei já há 17 anos, minha mãe e meu pai já
00:22:46me convidaram a sair de casa e a viver sozinho.
00:22:50Então, quando eu fiquei sabendo, minha mãe falou, ó, eu vi uma casa pra você ali em cima e você
00:22:55vai pra lá.
00:22:56Só que eu que tive que arcar com todas as contas, sem ter condições nenhuma.
00:23:00Dois anos depois, eu já estava muito doente, pesando 60 quilos.
00:23:04E eu entrei numa depressão profunda porque eu não queria estar naquela situação.
00:23:09Isso é a verdade. Não era algo que eu esperava.
00:23:13Eu queria estar com meus pais. Eu queria continuar morando na casa dos meus pais.
00:23:17Eu queria ser compreendido dentro daquilo que eu estava fazendo.
00:23:20Mas foi contrário.
00:23:36Eu não sei exatamente se isso pode ou não ter uma influência sobre algumas coisas que ocorreram na minha vida
00:23:47na sequência.
00:23:53Em algum momento da minha vida recente, eu passei por problemas sérios de depressão, tomando 12 comprimidas de tarja preta
00:24:02todos os dias.
00:24:04Então, eu tive que encontrar maneiras de ser autossuficiente.
00:24:16Todo medo que eu passei por não ter sido acolhido em momentos difíceis, isso é algo que também foi recorrente
00:24:26durante toda a minha vida.
00:24:33Ali, realmente, eu me senti completamente sozinho.
00:24:38E aí
00:24:48E aí
00:24:49E aí
00:24:52E aí
00:25:00E aí
00:25:03E aí
00:25:05E aí
00:25:07E aí
00:25:17E aí
00:25:21E aí
00:25:29E aí
00:25:31E aí
00:25:39E aí
00:25:46E aí
00:25:55E aí
00:25:59E aí
00:26:01E aí
00:26:04E aí
00:26:15E aí
00:26:17E aí
00:26:20E aí
00:26:25E aí
00:26:27E aí
00:26:28E aí
00:26:44e ele conseguiu ser aprovado lá através dos meus desenhos.
00:26:47Então, já em 93, eu entrei e fiz as minhas primeiras pinturas lá dentro do parque.
00:26:53E essa foi a minha primeira experiência
00:26:57em conseguir pagar as minhas contas com o meu trabalho.
00:27:08Foi um alívio.
00:27:09Eu não tinha a mínima percepção de notar o meu trabalho como arte, por exemplo.
00:27:19Não tinha nem a mínima ambição nesse aspecto.
00:27:25Eu só queria pintar e desenhar.
00:27:30E quando eu realmente estava dentro do Play Center,
00:27:33eu dormi lá três ou quatro dias, direto.
00:27:37Eu não fui embora para casa.
00:27:39Eu levei um colchãozinho lá e eu fiquei dormindo lá dentro do parque
00:27:43porque eu queria fazer o melhor trabalho possível.
00:27:46Eu não queria desperdiçar essa oportunidade.
00:27:48Então, a única coisa que eu vi nisso era uma maneira honesta
00:27:54e a primeira vez que alguém queria contratar,
00:27:58queria me dar uma oportunidade sobre aquilo.
00:28:01Alguém queria me pagar para fazer o que eu gostava.
00:28:04Só que eu fiz uma loucura, muito grande, assim.
00:28:07Fiz uma loucura, uma coisa de menino.
00:28:09Ali eu fiz mesmo.
00:28:12Porque tinham outras empresas que faziam trabalhos para o parque
00:28:15e eu acabei uma vez fazendo trabalho para uma outra empresa internacional
00:28:19e peguei uma quantidade grande de dinheiro.
00:28:23E aí eu fiz uma loucura que foi comprar um carro importado,
00:28:26que era um Mustang.
00:28:27Então, já em 97, alguma coisa assim,
00:28:32eu tinha um Fusquinha caindo aos pedaços, com o solo estourado,
00:28:35e tinha um Mustang praticamente zero quilômetro, branco,
00:28:39com um banco de couro, uma coisa incrível.
00:28:41Eu tinha os dois, assim, morando numa casa de aluguel,
00:28:48a casa totalmente abandonada.
00:28:50E eu tinha isso, assim, que era tipo uma questão meio de menino mesmo.
00:28:55Ninguém entendeu por que eu havia feito isso.
00:28:59E meu pai também, nesse momento, ficou enlouquecido.
00:29:29E meu pai também, nesse momento, ficou enlouquecido.
00:29:32E meu pai também, nesse momento, ficou enlouquecido.
00:30:02Mas eu encontrei essa maneira de falar sobre várias coisas que eu penso,
00:30:10me comunico através dos meus desenhos e da minha pintura.
00:30:15Então, tudo é um desafio.
00:30:18Tem coisas que eu faço porque o meu trabalho me levou a essa condição.
00:30:24Se fosse para eu escolher fazer, provavelmente eu não estaria aqui fazendo.
00:30:30Estar aqui falando é uma dificuldade para mim.
00:30:57Nesse momento em que eu usava o compressor,
00:31:02e fazia trabalhos comerciais nesses estabelecimentos por uma questão de sobrevivência,
00:31:08eu encontrei uma classe artística que já estava mais estabelecida.
00:31:13Já existiam outros grafiteiros.
00:31:14Em algum momento eu descobri que essas pessoas existiam.
00:31:17Eles me descobriram, mas já me criticando.
00:31:19Então, desde o meu primeiro contato, eu já fui criticado também.
00:31:24Tinha uma esperança.
00:31:25Pedi oportunidade para vários artistas.
00:31:28Quis participar de coletivos.
00:31:30Mas sempre negaram.
00:31:32E até hoje continuo negando.
00:31:34Sempre fui questionado pela técnica.
00:31:37Por que isso? Por que aquilo?
00:31:38Por que você fez isso?
00:31:39Por que isso não pode?
00:31:40Isso pode?
00:31:40Isso não pode?
00:31:41Então, o lugar onde eu queria fazer,
00:31:44que era o que tinha, entre aspas, maior liberdade,
00:31:48foi onde eu encontrei um número de regras
00:31:50que eu não imaginava que pudesse existir.
00:31:54Então, as pessoas começavam a falar a artistas
00:31:57que já tinham outro tipo de história
00:32:00sem ter o mínimo de consciência
00:32:02sobre o porquê cada um é o que é, né?
00:32:05Por que cada um faz o que faz.
00:32:11Eu quero que você pinte o meu quarto.
00:32:14Eu quero que você reproduza essa obra de tal artista.
00:32:19Você pode reproduzir nessa parede?
00:32:21Você pode reproduzir nessa porta de aço?
00:32:22Eu tenho uma oficina mecânica.
00:32:24Você pode pintar a minha oficina mecânica?
00:32:26Eu tenho uma escolinha.
00:32:28Você pode ir lá e fazer a turma da Mônica
00:32:30na fachada da minha escolinha?
00:32:32Você pode fazer isso?
00:32:33Você pode fazer aquilo?
00:32:34Tinha uma exigência das pessoas
00:32:37que me chamavam para pintar isso.
00:32:38Ou seja, elas me davam aquela referência.
00:32:41Eu tinha que copiar aquela referência na parede delas.
00:32:44Eu ganhava algum dinheiro para fazer isso.
00:32:47E elas cobravam qualidade naquilo, né?
00:32:50Uma das maneiras que eu aprendi a evoluir,
00:32:55melhorar a minha pintura, a minha técnica
00:32:57foi com a cobrança dessas pessoas.
00:32:59Porque elas reclamavam muito.
00:33:01Está muito feio, está torto,
00:33:02esse olho não tem brilho,
00:33:03isso aqui não funciona assim,
00:33:05está tudo torto, está isso, está aquilo.
00:33:07Então eu fui aprimorando o meu trabalho
00:33:10e a minha técnica diante disso.
00:33:38E a minha técnica diante disso.
00:33:44E a minha técnica deante disso.
00:34:19Quando eu vejo as ruas,
00:34:20para mim é o meu ateliê.
00:34:22Tipo assim, eu entendo dessa forma.
00:34:25Pô, aquele prédio ali,
00:34:26eu posso pintar tal coisa.
00:34:29Aquela outra parede comporta isso.
00:34:31Então eu vejo a cidade
00:34:32como uma oportunidade infinita
00:34:34de explorar.
00:35:02O movimento é cada vez mais
00:35:05de pintar prédios,
00:35:06de fazer instalações,
00:35:08esculturas, intervenções,
00:35:09todo tipo de instalação nas ruas,
00:35:10porque isso está o acesso de todo mundo.
00:35:13Quando você está dentro de uma galeria,
00:35:15é mais restrito.
00:35:18Na rua é ilimitado.
00:35:20Esse acesso é ilimitado.
00:35:23Mas eu não aprendi de outra maneira.
00:35:26Então, quando eu sou convidado para alguma galeria,
00:35:28a dificuldade maior é fazer em menor proporção.
00:35:32Isso tem uma certa dificuldade.
00:35:38Como que eu vou pensar uma tela de um metro?
00:35:40Sendo que eu pinto uma coisa de 600 metros,
00:35:44de mil metros,
00:35:45acho mais fácil, na verdade.
00:35:47Eu acabo levando ou o mesmo tempo,
00:35:50ou mais tempo para pintar uma tela
00:35:52do que pintar um prédio.
00:35:54É mais detalhe, é menor,
00:35:56exige mais paciência.
00:35:57Eu não tenho muita paciência, entendeu?
00:36:02Por isso que eu gosto da rua mesmo.
00:36:04Então, eu subo lá, desço,
00:36:06a hora que eu quero sair, eu saio.
00:36:07Eu uso um equipamento mais rápido também.
00:36:10É mais gestual você pintar com spray,
00:36:13ou usar compressor ou pistola.
00:36:40Quando você está fazendo um trabalho em grande escala,
00:36:43você, em cima de um prédio,
00:36:46você não consegue ver o que você está fazendo, na verdade.
00:36:49Então, você vai pintar um olho
00:36:50de um determinado personagem.
00:36:53Então, sei lá, vai pintar o olho do Mário Quintana,
00:36:55por exemplo, o olho do Oscar Niemeyer.
00:36:56Lá ele tem dois metros por um metro de altura.
00:37:00Então, a bolinha do olho ali,
00:37:02o brilho do olho, o reflexo é desse tamanho.
00:37:12Você fica pequenininho com aquele muro gigante.
00:37:15Então, tem um trabalho também, um esforço.
00:37:18Você é uma formiguinha ali e tem que...
00:37:20E sobe um dano, me desce um dano
00:37:22e vai, volta, vai, volta, vai, volta, vai, volta.
00:37:28E aí
00:37:57Assim, tem um desafio também, né?
00:37:59Tem uma circunstância de estar pintando na rua, né?
00:38:02Então, às vezes eu pego um time-lapse para ver.
00:38:07Pô, enquanto você está lá no Andame,
00:38:08quantas milhares de carros não passaram ali, né?
00:38:10Quantas milhares de pessoas não passaram ali?
00:38:12Eu estava vendo um time-lapse essa semana.
00:38:14Tem milhares de pessoas passaram.
00:38:15Eu não vi essas pessoas.
00:38:16É interessante.
00:38:17Eu não vi ninguém.
00:38:18Eu nem barulho, não ouço, não escuto nada.
00:38:21Então, eu estou lá concentrado no muro
00:38:24e o meu mundo fica ali.
00:38:29E aí tem o envolvimento que as pessoas estão passando.
00:38:32Tem gente que gosta, tem gente que não gosta.
00:38:34Quando está começando, tem gente que fala
00:38:36pô, mas está estragando o prédio histórico,
00:38:39está acontecendo sei lá o quê.
00:38:41Então, tem milhões de opiniões, né?
00:38:42E a gente fica o tempo inteiro também.
00:38:45Pô, vem aqui um minuto.
00:38:46Vai, tem uma história.
00:38:48Tem toda uma relação com as pessoas na cidade, né?
00:39:20Tem toda uma relação com as pessoas na cidade.
00:39:23Eu não subo num prédio de 90 metros de altura
00:39:27sem sentir medo.
00:39:28Eu tenho medo quando eu estou lá em cima.
00:39:37Não criar um trabalho simplesmente por uma questão estética.
00:39:41Isso tudo é importante.
00:39:43É difícil de entender o que significa.
00:39:47Aí, sonho é uma coisa complexa.
00:39:51Fico até de manhã lá com os meus cachorros,
00:39:53muitas vezes.
00:39:54Tenho três cachorros, fico com eles lá até de manhã.
00:40:22Música
00:40:25Muitas vezes eu estou vendo um documentário lá de alguma coisa
00:40:27e aí eu vejo uma história lá, eu já anoto no meu bloco de notas
00:40:30e depois eu vejo uma outra coisa.
00:40:32Começo a ver documentários sobre os animais que são maltratados,
00:40:37vejo documentários de um monte de coisa, vou anotando essas histórias,
00:40:40depois vou pesquisando.
00:41:22A CIDADE NO BRASIL
00:41:53A CIDADE NO BRASIL
00:41:53Eu não consigo produzir da forma que eu sei que eu sou capaz,
00:42:00porque a minha saúde me limita.
00:42:05Durante o período em que eu tomava os antidepressivos,
00:42:09eu bebia muito,
00:42:11porque o álcool era uma forma de equilibrar o sintoma do...
00:42:16é uma coisa louca, talvez nem todo mundo entenda,
00:42:18mas o sintoma era tão ruim do antidepressivo que o álcool me dava um equilíbrio,
00:42:24e eu bebia junto e me sentia melhor.
00:42:31A tinta também dissolve com gasolina,
00:42:35então, com gasolina, com tinner, com spray, com tudo tóxico, né?
00:42:39E eu fiz muito isso em ambientes fechados durante toda a minha juventude,
00:42:44e aí, rapidamente, eu declinei e fiquei doente.
00:42:51Isso causou uma revolta durante toda a minha vida,
00:42:54porque, primeiro, pelos erros médicos,
00:42:57fui submetido a um monte de coisas desnecessárias
00:43:01e que só pioraram o meu estado.
00:43:08Se fosse para seguir os conselhos médicos,
00:43:11eu já teria deixado de pintar há muito tempo,
00:43:15porque, na realidade, já foi uma condição médica
00:43:17que eu não pintasse mais.
00:43:18Eu continuo pintando por teimosia.
00:44:02A CIDADE NO BRASIL
00:44:32A CIDADE NO BRASIL
00:44:59A CIDADE NO BRASIL
00:45:03Significa morrer, morte.
00:45:05Não sou feliz fazendo outra coisa.
00:45:21É uma experiência diferente, inusitada.
00:45:26Não me acho no mérito de ser retratado por alguém
00:45:33e também não me sinto confortável em fazer autorretrato.
00:45:38Não é algo que eu pensei.
00:45:49Eu já estou falando sobre a minha personalidade
00:45:54quando eu estou colocando essas questões
00:45:59que eu acabo falando nos meus murais.
00:46:02Isso já é o meu autorretrato.
00:46:03De qualquer forma, eu busco encontrar as inspirações.
00:46:08Essas figuras que eu pinto
00:46:10são pessoas que realmente fizeram algo do meu interesse.
00:46:22Os índios de Almeida e também de Ximbucu
00:46:24ocupam o prédio que sempre ocupa
00:46:26pelo nosso corpo, pela nossa criança, pela nossa mulher.
00:46:45Tem uma passagem bíblica que fala
00:46:48que os pacificadores herdarão o reino de Deus.
00:46:51Então, eu penso dessa maneira.
00:46:54O que sempre me chamou a atenção
00:46:56é o convívio, a relação das pessoas com o meio ambiente
00:47:03ou com os animais, por exemplo.
00:47:06Mesmo antes de eu pintar qualquer coisa relacionada a isso,
00:47:10eu já não entendia o porquê algumas coisas eram mantidas.
00:47:17como as touradas, por exemplo.
00:47:20Eu nunca entendi por que seria necessário
00:47:23manter uma agressão, algo tão violento,
00:47:27e por que as pessoas se divertiam com isso.
00:47:55Não é possível que, no fundo, no fundo,
00:47:58alguém ache correto maltratar um animal.
00:48:02Eu não consigo entender,
00:48:03embora tenha pessoas que defendam.
00:48:10Ah!
00:48:16Não é possível que, no fundo, não é possível que, no fundo,
00:48:47eu vi o racismo.
00:48:49Eu vivenciei a questão do preconceito, essa separação de você muitas vezes não ter acesso às coisas básicas também
00:49:02e toda a ganância e todo esse outro lado que eu pude conhecer através do meu trabalho.
00:49:08Que se não fosse também pela minha arte, pelo meu trabalho, eu também não teria tido acesso.
00:49:15Então eu conheço os dois lados e eu percebi que nenhum tipo de violência existe justificativa,
00:49:25nenhum tipo de guerra existe justificativa, que através do ódio também você não consegue trazer a paz.
00:49:32Através de violência, despertar isso nas pessoas, eu acho que é ruim e eu vejo isso em todos os níveis
00:49:40sociais.
00:49:41As pessoas são intolerantes, racistas, violentas, pregam o ódio, não toleram as decisões do próximo.
00:49:48De que adianta tantas religiões falar tanto em Deus e tantas coisas, mas ao mesmo tempo se matarem entre si?
00:49:58Eu achei que eu pudesse trazer esse propósito.
00:50:08Eu cheguei a uma consciência do privilégio de poder ocupar as ruas com o meu trabalho
00:50:14e perceber que algumas pessoas hoje entendem que por trás do que eu estou pintando
00:50:19tem algo que eu quero dizer, tem alguma mensagem, tem histórias, tem uma questão que também é uma busca interior
00:50:30minha.
00:50:31Então assim, é primeiro em mim, porque eu tive que passar por esses processos, eu tive que conhecer tudo isso
00:50:37e através dessa percepção, tentar trazer isso para as cidades, para as ruas, para despertar,
00:50:46porque os povos, as etnias, tudo isso é tão bonito, os costumes, os usos, as religiões, isso é muito bonito.
00:50:58Eu fiz murais, por exemplo, nos Estados Unidos contra a utilização de arma.
00:51:02Eu não tenho uma justificativa real, porque a arma é para matá-la.
00:51:11E você vê, não é uma preocupação específica com a religião X ou Y, ou com ser branco ou negro.
00:51:22A gente percebe que em todos os lugares do mundo tem pessoas que se dispuseram a colocar as suas vidas
00:51:30para fazer o bem,
00:51:31embora foram mortas, tomaram tiro.
00:51:50Primeiro a parede é pintada de branco, depois a parede é quadriculada,
00:51:53depois é feito o esboço do desenho inteiro.
00:51:57Então eu trabalho com o método de quadriculado, como uma batalha naval, né?
00:52:01A gente sabe mais ou menos que o A45 pega a bolinha do olho, que não sei o quê, não
00:52:07sei o quê.
00:52:07Música
00:52:19E aí
00:52:30E aí
00:52:33E aí
00:52:45Tchau, tchau.
00:53:30Tchau, tchau.
00:53:52Tchau, tchau.
00:54:31Tchau, tchau.
00:54:50São Paulo e Nova York tem total conexão.
00:54:52São Paulo porque eu comecei a pintar aqui e Nova York porque eu tinha influência dos artistas de lá.
00:54:56Então eu sempre tive essa ideia de pintar algo lá.
00:54:58Tchau, tchau.
00:55:28Tchau, tchau.
00:55:58Tchau, tchau.
00:56:36Tchau, tchau.
00:57:07Tchau, tchau.
00:57:35Tchau.
00:58:05Tchau, tchau.
00:58:52Tchau, tchau.
00:59:15Tchau, tchau.
00:59:35Tchau, tchau.
01:00:10Tchau, tchau.
01:00:33Tchau, tchau.
01:00:36Tchau, tchau.
01:01:19Tchau, tchau, tchau.
01:01:26Tchau, tchau, tchau.
01:01:51Tchau, tchau, tchau.
01:02:03Tchau, tchau, tchau.
01:02:09Tchau, tchau.
01:03:01Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.
01:03:15Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.
01:03:28E aí, liberou.
01:03:30Pega a chameleza.
01:03:50Vamos lá pegar o spray?
01:03:58Não, não, põe no final, medir a parede.
01:04:02Quer ver a altura lá?
01:04:04Não, não precisa não.
01:04:05Não precisa não.
01:04:11E aí, tranquilo?
01:04:12É, eu fiz um desenho ontem pra você.
01:04:15Ah, é?
01:04:16Legal, onde tiver?
01:04:17Show.
01:04:19Só a barba que tá mais branca agora.
01:04:24Foi da hora, valeu.
01:04:25Obrigado.
01:04:26Valeu.
01:04:28E aí, tudo bem?
01:04:29E aí, beleza?
01:04:30Ó, esse aqui é o Marcos, que trabalha comigo.
01:04:32Tudo bem?
01:04:33Marcos.
01:04:34O Anderson.
01:04:35E aí?
01:04:36Ó, parabéns, hein?
01:04:37E aí?
01:04:38Tudo bem?
01:04:39E aí, tudo bem?
01:04:40Sessão de que série?
01:04:41Quinto.
01:04:42Quinto.
01:04:43Quinto.
01:04:43Show.
01:04:44É, eu estudei aqui na quinta, na sexta, na sétima, na quarta.
01:04:48Ó, pega.
01:04:49Coloca o desenho aqui, ó.
01:04:50Show.
01:04:51Coloca aqui, ó.
01:04:51Coloca aqui, ó.
01:04:52Não, aqui, ó.
01:04:53Aqui, ó.
01:04:54Dejelei pra mim.
01:04:55Aqui?
01:04:56É.
01:05:14A insônia nunca saiu de mim.
01:05:16Isso é uma questão que perdura até hoje.
01:05:19O que apareceu mais no meu trabalho foi a questão das formas e das cores.
01:05:24tudo bem, ok.
01:05:25Mas eu tenho uma busca muito mais intensa do que isso.
01:05:33A gente não fica paralisado simplesmente pela questão estética.
01:05:38A gente fica paralisado pela mensagem, pelo significado.
01:05:42E o que eu busco é o significado das obras.
01:05:44Acho que isso faz o meu trabalho movimentar.
01:05:46Se eu fizer dez murais e dois flores coloridos,
01:05:50eu sei que esses, as pessoas prestam mais atenção.
01:05:54Mas existem outros oito que, muitas vezes, também foram feitos.
01:06:02O que eu não gosto de fazer, na realidade,
01:06:06é fazer um trabalho cor pela cor.
01:06:11Ou a imagem pela imagem.
01:06:12Eu também busco uma conexão entre isso.
01:06:42Não porque eu não estarei um trabalho com uma chamada da cor.
01:06:49Mas tem um trabalho que você vai fazer hoje.
01:07:03Ou a imagem pela imagem pela imagem.
01:07:06Ou a imagem pela imagem pela imagem pela imagem.
01:07:19Amém.
01:08:05O que você está pintando?
01:08:07Não entendi.
01:08:07O que você vai estar pintando?
01:08:09Estou fazendo um esboço de um desenho que vocês vão pintar junto com mim, daqui a pouco.
01:08:21Perto da boia, a cor escura é melhor.
01:08:23É verdade.
01:08:24Por exemplo, preto aqui perto da boia.
01:08:26Aqui destaca mais, né?
01:08:28Claro, é. O brancão da boia, cara.
01:08:32Deixa ele por último, aí depois destituir ele para uma cor mais escura.
01:08:37Repete.
01:08:37Vamos lá.
01:08:39Tchau, tchau.
01:09:18Tchau.
01:09:53Tchau.
01:11:10Tchau.
01:11:45Tchau.
01:12:10Tchau.
01:12:47Tchau.
01:13:09Tchau.
01:13:46Tchau.
01:13:54Tchau.
01:13:56Tchau.
01:14:09Tchau.
01:14:20Tchau.
01:14:26Tchau.
01:14:34Tchau.
01:14:36Tchau.
01:14:43Tchau.
01:14:53Tchau.
01:14:58Tchau.
01:15:01Tchau.
01:15:03Tchau.
01:15:06Tchau.
01:15:09Tchau.
01:15:16Tchau.
01:15:26Tchau.
01:15:29Tchau.
01:15:29Tchau.
01:15:31Tchau.
01:15:43Tchau.
01:15:44Tchau.
01:15:46Tchau.
01:15:51Tchau.
01:16:02Tchau.
01:16:04Tchau.
01:16:09Tchau.
01:16:10Tchau.
01:16:10Tchau.
01:16:16Tchau.
01:16:20Tchau.
01:16:33Tchau.
01:16:35Tchau.
01:16:36Tchau.
01:16:37Tchau.
01:16:43Tchau.
01:16:45Tchau.
01:16:47Tchau.
01:16:49com o Pedro, eu percebi realmente
01:16:50que Deus tinha aberto as portas
01:16:53para o meu trabalho no mundo todo.
01:16:54Eu tinha viajado por
01:16:5630 diferentes países,
01:16:59tinha pintado 50 murais nos Estados Unidos.
01:17:01E aí eu vi realmente
01:17:06que, de alguma
01:17:07forma, eu cheguei nesse momento
01:17:09e eu estava com o Pedro no meu colo.
01:17:11Então, as portas se abriram e deu certo.
01:17:18Qual de vocês quer pintar com a gente?
01:17:21É, todo mundo.
01:17:23Todo mundo.
01:17:24Um, dois, três, quatro, cinco, seis.
01:17:30Aqui, olha.
01:17:31No começo, aliás.
01:17:32Aqui, olha.
01:17:36Agora...
01:17:37Já pintou os freios?
01:17:40O que vocês estão vendo aí?
01:17:43É que aqui dói um pouquinho
01:17:44se eu apertar o seu dedo,
01:17:46mas eu só estou pintando para você.
01:17:47Empurra o cobra,
01:17:48que ele está atrapalhando.
01:17:50Você derruba ele da escada
01:17:51e vem nessa faixa aqui, olha.
01:17:53Já pintou de espéu de vocês.
01:17:54O que você quer mais?
01:17:55Tem um quadrado, certo?
01:17:58Tem que pintar com o mesmo vejo
01:17:59que você pintou.
01:18:00Aí tem mais,
01:18:01da época da fichação.
01:18:02Ele fichava cobra
01:18:03quando ele era criança.
01:18:05Muito, muito, muito tempo atrás.
01:18:08Oi?
01:18:0870 anos atrás.
01:18:10Há 70 anos atrás.
01:18:12Era só pátio lá.
01:18:14Tinha nada lá.
01:18:18Não, em 2019, em 2019,
01:18:20a gente tinha no final de chegar a valerina.
01:18:26Olha lá.
01:18:27Mais rápido.
01:18:28Vamos deixar aqui no pintor, tá?
01:18:29Isso, isso.
01:18:30Delícia.
01:18:30Isso.
01:18:31Já pintaram.
01:18:31Ótimo.
01:18:34Ótimo.
01:18:36Ótimo.
01:18:37Ótimo.
01:18:38Ótimo.
01:18:38Ótimo.
01:18:39Ótimo.
01:18:50E aí, cobra, vai liberar
01:18:51pra pichar a escola ou não?
01:18:53Ó, o cobra liberou, gente.
01:18:55Pode?
01:18:56O cobra liberou pra pichar a escola.
01:19:00Como não?
01:19:00Quando você estudava aqui,
01:19:01você pichava a escola.
01:19:02Ele não pode?
01:19:03Então...
01:19:03Eu...
01:19:04...
01:19:06Amém.
01:19:37Amém.
01:20:06Amém.
01:20:36Amém.
01:21:07Amém.
01:21:37Amém.
01:22:06Amém.
01:22:36Amém.
01:23:06Amém.
01:23:36Amém.
01:24:06Amém.

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