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00:05O voo 1549 da U.S. Airways acaba de decolar do aeroporto de La Guardia em Nova Iorque.
00:12Aves.
00:13Em um segundo estávamos sobre elas.
00:20Meu comando.
00:21Seu comando.
00:23Os dois motores do avião pararam de funcionar.
00:28Meidei, meidei, meidei. Aqui é Cactus 1549.
00:32O avião está caindo e há apenas alguns segundos para decidir o que fazer.
00:38Quer tentar pousar na pista 1-3 se possível?
00:40Não conseguimos.
00:42A vida de 150 pessoas depende de os pilotos tomarem a decisão certa.
00:48Cactus 1549, pode pousar na pista 1 em Peterborough.
00:51Não conseguimos.
00:52Com uma opção ruim à direita e uma ainda pior à esquerda, a tripulação decide colocar seu Airbus na pista
00:59logo à sua frente.
01:01Vamos estar no Hudson.
01:06Meidei, meidei.
01:15Meidei.
01:17Desastres aéreos.
01:19Esta é uma história real baseada em relatórios oficiais e relatos de testemunhas.
01:26Pouso no Rio Hudson.
01:2915 de Janeiro de 2009.
01:31Aeroporto de Laguardia, Nova York, meio da tarde.
01:34Por favor, ouçam com atenção.
01:36O voo 1549 da US Airways parte em um voo curto entre Nova York e Charlotte, Carolina do Norte.
01:42Pelo menos vai estar mais quente em Charlotte.
01:44Seus assentos funcionam como dispositivo de flutuação.
01:52Hoje no cockpit estão o comandante Chesley Sullenberger, de 57 anos.
01:58Clare de push.
02:00E o co-piloto Jeffries Kiles, de 49.
02:05Estávamos atrasados porque o tempo tinha estado ruim, mas naquele momento o tempo tinha melhorado.
02:10Podemos decolar e havia apenas formações de cúmulos.
02:1228, linhos liberados.
02:1528 para Garkins, 1549.
02:21150 passageiros estão a bordo do Airbus A320 de fabricação europeia.
02:29O empresário Clay Presley está a caminho de casa em Charlotte.
02:34Cheguei ao aeroporto de Laguardia e fazia muito frio.
02:38Havia nevado um pouco naquele dia e uma tempestade se aproximava, por isso queríamos fazer aquele voo e não nos
02:44atrasarmos.
02:46A tripulação voara uma hora mais cedo saindo de Charlotte com o Sullenberger no comando.
02:52Seus freios, seu comando.
02:54O co-piloto Skyles irá pilotar o avião de volta para Charlotte.
02:58Meu comando.
02:59Trata-se de uma divisão usual das funções de pilotagem.
03:02Cactus 1549, lista 4 liberada para decolagem.
03:06Cactus 1549, pronto para decolagem.
03:10Essa viagem marca o final de uma sequência de 4 dias de voos para os dois homens.
03:15Seguimos os procedimentos padrão.
03:16Foi uma decolagem normal, com os procedimentos usuais de decolagem.
03:21Não havia absolutamente nada que indicasse que aquela seria uma decolagem diferente de qualquer outra que o tivesse feito.
03:28Mas ao final do dia, eles serão a tripulação mais famosa do planeta.
03:34Recolher trem de pouso, por favor.
03:43O Patrick Hartman é um dos controladores de tráfego que está cuidando da movimentação de hoje em La Guardia.
03:48Ele tem um dos trabalhos mais estressantes do mundo.
03:52Quando me sento em frente ao radar, sou responsável por cada uma das pessoas em cada um dos aviões sob
03:58meu controle.
04:00E eu levo essa responsabilidade muito a sério.
04:05Cactus 1549, decolando de Nova York, contato de radar, subir e manter 15 mil.
04:09O voo irá partir para o nordeste de La Guardia e, em seguida, iniciará uma lenta virada em direção ao
04:15sul, rumo a Charlotte.
04:17Acho que eu estava com três ou quatro aviões na minha frequência na ocasião.
04:20E aquela foi uma decolagem normal.
04:22Apenas mais um voo com o qual eu lidava um milhão de vezes.
04:25Com a potência de dois motores General Electric, o avião avança nos céus.
04:35Cactus 1549, setecentos subindo cinco mil.
04:41Belo aviso do Hudson.
04:47Check list após decolagem completada.
04:49O voo 1549 está viajando a quase 400 quilômetros por hora e está no ar a apenas um minuto e
04:57meio.
04:58Eu vi alguma coisa com o canto do olho.
05:01Um pouco à nossa direita e à frente havia uma fileira de aves.
05:04Aves!
05:05E elas estavam bastante perto, perto demais para manobrar-nos.
05:09Uau!
05:10De repente, já estávamos sobre elas.
05:14Você conseguia sentir a potência do avião avançando.
05:17E então, de repente, houve uma explosão gigantesca.
05:20Era como se tivéssemos parado no ar e dado de cara com um muro de tijolos.
05:25E então, de repente, alguém disse, o motor esquerdo está em chamas.
05:30Antes que pudéssemos avaliar a situação...
05:33Temos um motor.
05:34Os dois motores pararam.
05:36Os dois motores entraram em potência mínima.
05:38Partida.
05:42Apenas 13 segundos depois de iniciar o problema, Sullenberger assume o controle do avião.
05:47Meu comando.
05:49Seu comando.
05:52Verifique o QRH. Peso de potência nos dois motores.
05:55O QRH, ou Manual de Referência Rápida, é um guia passo a passo para lidar com emergências.
06:01Mayday, Mayday, Mayday. Aqui é Cactus.
06:031549, atingimos pássaros, perdemos força.
06:06Duas turbinas voltando para o Laguardia.
06:08Quando um piloto diz Mayday ou declara uma emergência, você passa de um estado de atenção para um estado de
06:13hiperatenção.
06:14Você simplesmente se concentra na situação de emergência e tenta chegar a uma solução para o problema.
06:20Precisa voltar ao Laguardia.
06:22Vila esquerda na direção 220.
06:24220.
06:25De repente sentimos um cheiro vindo da cabine.
06:28Alguma coisa está queimando.
06:32Se houver combustível, diretor de motor para partida.
06:36Naquele momento, eu só pensava que teríamos de dar partida em um motor novamente.
06:42Manetes confirmando.
06:43Idle.
06:46Procedimento é reiniciar o motor e o tempo todo eu acreditei que conseguiríamos.
06:49Velocidade de referência 300 nós.
06:55Não estamos lá.
06:58Não.
06:58Cactus 1549.
07:00Cactus 1549.
07:00Se possível pousar na pista 13.
07:02Não conseguimos.
07:03As conversas com o capitão Sullenberger foram muito curtas e diretas, muito apropriadas para a situação de emergência.
07:09Há muita coisa acontecendo.
07:11Não havia muito tempo.
07:12Quando o comandante Sullenberger disse apenas não conseguimos, eu não me preocupei.
07:16Ele estava ocupado pilotando o avião e eu entendi.
07:19Meu trabalho era buscar outra opção.
07:23Muito bem, Cactus 1549.
07:25Tráfego na pista 13.
07:26Será impossível.
07:28Hartman ainda quer que o jato volte a la guardia, mas o voo 1549 está agora a apenas 1.400
07:34pés acima do solo.
07:37Cactus 1549.
07:38A pista 4 está liberada.
07:39Virar à esquerda.
07:40Pista 4.
07:40Não sei se conseguiremos chegar a uma pista.
07:43O que temos à direita?
07:44Alguma coisa em Nova Jersey?
07:45Teterboro?
07:46Sim.
07:46À direita ao aeroporto de Teterboro.
07:49Quer tentar, Teterboro?
07:50Teterboro é um pequeno aeroporto ao lado de Nova Jersey no rio Hudson, mas ele fica a vários quilômetros de
07:56distância e sem seus motores o voo 1549 está caindo rapidamente.
08:00Quer tentar, Teterboro?
08:02Sim.
08:03Quando o controlador de tráfego mencionou o Teterboro, eu olhei para lá e fiquei parado.
08:08Um tanto preocupado com o fato de que íamos tentar chegar lá.
08:11Achei que não conseguiríamos.
08:16Estávamos ali sentados em silêncio.
08:18As pessoas esperavam ansiosamente por informações e queriam ter certeza de que as coisas iam ficar bem.
08:24E então ouvimos ao microfone.
08:29Aqui é o comandante.
08:32Esperávamos que ele dissesse, está tudo sob controle, vamos ficar bem, vamos voltar e aterrissar.
08:37Isso é o que se esperava ouvir.
08:41Preparem-se para o impacto.
08:43Preparem-se para o impacto?
08:44Então de repente me dei conta de que ele estivesse dizendo que íamos cair.
08:49Coloquem a cabeça para baixo.
08:51Eu não tinha ideia de como me preparar para o impacto.
08:54Todos olhavam para os lados.
08:56Como assim preparem-se para o impacto?
08:58Como se faz isso?
08:59Vai em frente, pede o número 1.
09:01Outra vez?
09:02Certo, outra vez.
09:03Outra vez.
09:04Enquanto a tripulação luta para pilotar o avião avariado, Patrick Hartman continua tentando encontrar um aeroporto.
09:10Tinha trabalhado no aeroporto de Teterboro por cerca de 3 anos.
09:13Estava bastante familiarizado com o local.
09:15Cactus 1549.
09:17Vou usar na Vista 1 em Teterboro.
09:19Não conseguimos.
09:23Qual pista gostariam em Teterboro?
09:25Vamos estar no Hudson.
09:27Desculpe, repita Cactus.
09:28Eu o ouvi, mas no fundo eu não queria compreender o que ele dizia.
09:32Vamos estar no Hudson.
09:33Aquela era uma sentença de morte para ele.
09:35Eu não queria aceitar o fato de que estava tudo acabado e que não havia outra alternativa.
09:40Acho que não vamos voltar à La Guardia.
09:44Eu mandei um e-mail para minha esposa e disse apenas eu te amo e mais nada, porque eu realmente
09:48não queria preocupá-la.
09:49Ok.
09:50Certo.
09:52Vamos lá.
09:55Descender flaps.
09:58E eu pensei, ótimo, o rio Hudson era a nossa melhor chance.
10:02Era realmente a única coisa vista onde poderíamos pousar o avião.
10:05Os passageiros em todo o avião veem o Hudson se aproximar e começam a se preparar.
10:12Então eu comecei a pensar que se íamos cair, eu tinha de descobrir onde eram as saídas.
10:16Se a água entrasse no avião, você precisava conseguir prender a respiração por tempo suficiente
10:22para percorrer aquelas quatro ou cinco fileiras e começar a abrir as portas, se conseguisse.
10:27Certo.
10:29250 pés.
10:31Não íamos conseguir dar partida no motor, por isso comecei a lhe dizer a velocidade e a altitude.
10:36170 nós, para dar a ele uma ideia do que estava acontecendo.
10:41Dois flaps.
10:42Você quer mais?
10:44Não.
10:44Vamos ficar com os dois.
10:53Alguma ideia?
10:55Na verdade, não.
10:58Estávamos muito focados no que estávamos fazendo e o tempo todo eu acreditei que daria certo.
11:03Abaixo de 300 pés, o radar de Patrick Harten não consegue ver o avião.
11:09O voo 1549 desaparece.
11:14Quando a aeronave desapareceu do radar, eu simplesmente imaginei que não haveria sobreviventes.
11:20Na cabine, os passageiros se preparam para o inevitável.
11:25Todos os passageiros começaram a se preparar.
11:28E enquanto caíamos, alguém gritou.
11:32Preparados nas portas!
11:33Fiquem abaixados!
11:34E as pessoas na porta diziam, estamos prontos.
11:37Eu estava apavorado.
11:40Estamos na braça.
11:41Estamos no braço!
11:52Olhe como, aqui, um avião ir direto para o fundo do rio Woodson.
11:56Tudo que vemos era água vindo sob o barabrisa.
12:01Foi como um tornado. Pedaços do avião estavam sendo arrancados. Algumas pessoas foram jogadas com violência.
12:12Em seguida, o avião parou e ficou balançando suavemente sobre as ondas.
12:31Ficamos todos ali sentados. Estávamos todos em choque, esperando o que aconteceria em seguida.
12:37O voo 1549 da US Airways ficou no ar por apenas 5 minutos e 8 segundos.
12:44Depois de um pouso notável, os passageiros e a tripulação agora enfrentam um novo perigo.
12:51Há água entrando no avião. A água gelada do rio Hudson está entrando na cabine.
13:04A tripulação do voo 1549 acaba de realizar uma façanha extremamente difícil na aviação.
13:11Mas eles ainda têm mais trabalho a fazer.
13:15Sulemberger vai para a cabine, enquanto o copiloto Skyles desliga o avião.
13:21Fiquei para trás e fiz o checklist de evacuação.
13:24E deve ter levado uns 45 segundos até entrar na cabine de passageiros depois de pousarmos.
13:32Em poucos minutos, o avião de 75 milhões de dólares se torna um barco improvável boiando no rio Hudson.
13:39E agora ele está se enchendo de água gelada.
13:44A água estava fria. Estava muito fria e por isso nossos pés estavam congelando.
13:50As pessoas se conscientizaram da situação e gritavam, abram as portas, as portas.
13:54No controle de tráfego aéreo, Patrick Harten não tem ideia de que o avião conseguiu descer em segurança.
14:00Eu achava que ninguém conseguiria sobreviver a um pouso como aquele.
14:03Aquilo mexeu comigo e eu, obviamente, estava sem condições de continuar trabalhando.
14:08Harten vai até seu sindicato.
14:10Apesar de seu sofrimento, o protocolo exige que ele relate sua versão dos acontecimentos.
14:15Eu realmente não queria conversar com ninguém. Tudo que eu queria era me enfiar em um buraco.
14:21Eu precisava falar com a minha esposa sobre o que tinha acontecido, mas eu sabia que não conseguiria falar
14:25porque eu estava em um estado de muita fragilidade e eu não queria perder meu controle.
14:29Por isso enviei uma mensagem de texto.
14:31Disse a ela que tinha havido um acidente e que eu não estava bem e que não conseguiria falar no
14:35momento.
14:36Os passageiros próximos às saídas abrem as portas rapidamente,
14:41enquanto o Sullenberger e a tripulação começam a ajudar na evacuação.
14:46Eu levantei rapidamente, comecei a ir em direção à porta de emergência e saí por cima da asa.
14:51E então comecei a perceber que as pessoas ao meu redor estavam com os dispositivos de flutuação.
14:56Eles tinham levado seus assentos ou estavam com um colete salva-vidas que haviam pegado.
15:01Eu não tinha nada.
15:06Skyles volta para ajudar a tripulação na cabine a evacuar os passageiros do avião que começa a afundar.
15:13Ele sabe que não há muito tempo e uma das comissárias está ferida.
15:17Voltei até o meio da cabine.
15:19Sully e eu e dois jovens começamos a pegar almofadas de assento e os coletes salva-vidas que ficam debaixo
15:23dos assentos.
15:24E os fomos passando para os demais.
15:25Eu olhava ao redor tentando avaliar a situação. Será que o avião vai explodir? O que vai acontecer agora?
15:33Umas seis ou oito pessoas que tinham sido jogadas na água estavam tremendo de frio.
15:36E começamos a puxá-las de volta para cima da asa.
15:41Na parte de trás do avião a água continua a entrar.
15:45Os passageiros são orientados a ir para frente para saírem.
15:48O sinal dos assentos se for preciso.
15:50Esse barco difícil de manejar não vai flutuar por muito mais tempo.
15:55Estávamos com água praticamente até os joelhos e estava simplesmente de congelar.
16:00Cada parte do seu corpo que estava na água doía até os ossos.
16:04Vão para a frente!
16:06Há alguém aqui!
16:08Estávamos confiantes em que não havia mais ninguém dentro do avião, mas não sabíamos o que estava acontecendo sobre as
16:14asas.
16:15Skyos e Stellenberger são os últimos a sair do avião.
16:23Eu só ouvi aquele barulhão quando o avião atingiu a água.
16:27Um pequeno avião comercial caiu na água.
16:30Estão na água há mais de dez minutos.
16:31O aeroporto de La Guardia envia um alerta aos serviços de emergência de Nova York.
16:37No meio do rio Hudson, 155 pessoas congelando esperam que a ajuda chegue a tempo.
16:46Eu vi a primeira balsa e pude ver a casa do Leme.
16:49Eu pensei, certo, vamos ficar bem.
16:52Houve um suspiro de alívio.
16:56Os primeiros a chegar ao local são balsas de passageiros.
17:00A Ellen se juntam o departamento da guarda costeira e o corpo de bombeiros.
17:07A atmosfera na balsa ainda era de preocupação, pois naquele momento não sabíamos se todos os passageiros tinham saído do
17:13avião.
17:15Estava sentado no escritório do sindicato me preparando para o depoimento, por onde começo.
17:20E foi então que um dos meus amigos colocou a cabeça para dentro do escritório e disse,
17:24Ei, Patty, parece que todos conseguiram.
17:27Perguntei, mesmo?
17:31Aquilo foi incrível.
17:32Eu ainda estava traumatizado com o que tinha acontecido,
17:35mas o fato de todos terem sobrevivido foi como se todo o peso do mundo tivesse sido tirado dos meus
17:40ombros.
17:43O país inteiro assiste enquanto todos os passageiros e a tripulação do voo 1549 são resgatados com segurança.
17:57Está frio! Vocês estão bem? Sim!
18:03Assim como muitas outras pessoas ao redor do mundo, os investigadores do Conselho Nacional de Segurança dos Transportes não tiravam
18:10os olhos daquelas imagens.
18:11Ei, ei, você tem de ver isso.
18:14Soubemos sobre o ocidente antes do início das investigações.
18:17Os canais de televisão mostravam o avião no rio e tudo mais.
18:26Todos concordam que o pouso foi extraordinário.
18:31Acho que foi um milagre e me sinto abençoado por ter sobrevivido.
18:35Estendi a mão para o comandante Sully e disse,
18:37Só quero que saiba que o senhor salvou a minha vida e a vida de todos aqui.
18:41Na minha cabeça, todos nós morreremos e estamos todos vivos.
18:45É um milagre.
18:50A noite, o avião está quase completamente debaixo d'água.
18:54A corrente o está empurrando para a beira do rio.
18:56A aeronave foi amarrada no cais e descemos para dar uma olhada e ver o que tínhamos pela frente.
19:02Mas claro, não se consegue fazer muita coisa durante a noite.
19:04O investigador do NTSB, Harold Hysshell, chega ao local.
19:09Certamente a água estava escura.
19:11Vimos apenas a cauda e a maior parte da fuselagem.
19:15E uma das asas estava debaixo d'água.
19:18Sabíamos que seria bastante difícil tirar o avião da água
19:21e então levá-lo para um lugar onde pudéssemos examinar seus componentes de uma forma mais controlada.
19:28Para os pesquisadores, essa é uma situação incomum.
19:31Normalmente, sua principal tarefa é descobrir a causa de um acidente.
19:34Com o voo 1549, a causa parece evidente.
19:41Aves.
19:42O pedido de socorro foi claro, hein?
19:45Mayday, Mayday, Mayday, Cactus 1549.
19:48Atingimos pássaros sem força nas turbinas voltando na guarda.
19:51Eles vão voltar.
19:52A tripulação disse que era batido em vários pássaros logo depois da decolagem.
19:58Acho que todos perceberam o choque com as aves.
20:02O que as pessoas não sabiam era que tipo de ave tinha levado o avião a cair.
20:06Se poderia ter sido uma combinação de uma colisão com aves e mais alguma coisa,
20:11ou se a tripulação tinha agido e pilotado o avião como seria de se esperar.
20:21O piloto da US Airways fez um pouso de emergência incrivelmente hábil no rio Hudson.
20:27Os investigadores querem entrevistar os dois pilotos, mas sua fama repentina torna difícil encontrá-lo.
20:34Ficou um pouco mais difícil do que o habitual localizar a tripulação e conversar com eles.
20:39De uma hora para a outra eles se tornaram heróis.
20:47Nada na vida pode prepará-lo para um frenesí da mídia em uma situação como essa.
20:53E não é só o fato de os pilotos terem se tornado celebridades na noite para o dia que é
20:57um obstáculo para investigadores como Katherine Wilson.
21:00Uma das coisas mais desafiadoras neste caso foi que ninguém queria manchar o nome de Sun.
21:05Ele era um herói e neste caso nós iríamos verificar o que ele tinha feito e descobrir se ele tinha
21:10feito a coisa certa ou não.
21:16Para provar que as aves levaram-o ao acidente, as autoridades precisam tirar o avião da água.
21:23Entretanto, uma peça essencial está faltando.
21:26Tínhamos sido informados anteriormente de que os dois motores ainda estavam presos à aeronave.
21:31Mas isso acabou se revelando falso.
21:33Por isso aquilo se tornou uma meta importante logo de início.
21:36Onde estaria o segundo motor?
21:42Não sabíamos exatamente onde ele estava.
21:44Vamos nos concentrar nessa área.
21:46Mas tínhamos filmes da aeronave pousando e então podíamos comparar diferentes dados.
21:54Usamos um sonar de varredura lateral que nos deu uma imagem muito clara do fundo.
22:04Não foi tão fácil porque o rio Hudson tem uma corrente e a corrente muda no decorrer do dia.
22:09Por isso, levamos três dias para finalmente encontrar o motor.
22:16Em poucos dias, o motor e o restante do avião são levados para um armazém em Nova Jersey,
22:22para que os investigadores possam estudar os destroços mais detalhadamente.
22:27Certo, vamos ouvir.
22:31Certamente não poderíamos fazer isso às margens do rio Hudson.
22:34E você pode imaginar como foi interessante levar um avião de mais de 45 metros ou 60 metros de comprimento
22:41por uma área realmente muito povoada em Nova Jersey.
22:44Enquanto o avião está sendo transportado, os investigadores trabalham com os gravadores de voz e de dados do voo...
22:50Muito bem, vamos ouvir.
22:53...que estavam na parte mais danificada do avião, a cauda.
22:56O gravador de voz da cabine e o gravador de dados do voo estavam praticamente intactos.
23:02A aeronave havia sofrido danos consideráveis na extremidade traseira, mas os gravadores tinham sido resguardados.
23:11Tivemos muita sorte. Conseguimos fazer o download de todos os dados.
23:14Uau!
23:16Temos um motor. Os dois pararam.
23:19As gravações lhes fornecem informações fundamentais sobre como a tripulação reagiu à situação de emergência.
23:25Neste caso, tanto o comandante Selenberger quanto o copiloto Skyler agiram muito profissionalmente.
23:31Cada um tinha suas funções e responsabilidades e desempenharam suas funções durante todo o voo, se comunicando só quando necessário.
23:42No voo 1549...
23:45Meu comando.
23:47Seu comando.
23:48...a tripulação levou poucos segundos para assumir suas responsabilidades individuais.
23:52O fato de terem lidado tão bem com a situação de emergência deveu-se, em parte, ao fato de Jeffrey
23:58Skyles ter acabado de terminar seu treinamento em Airbus.
24:01Era minha primeira viagem com o piloto no Airbus A320 e eu tinha acabado de fazer o treinamento.
24:07O bom disso foi que ele sabia exatamente a que checklist recorrer. E foi exatamente isso que ele fez.
24:14Se houver combustível, seletor do motor para a partida.
24:17As tripulações são altamente treinadas para procedimentos de emergência e o mais importante é seguir os procedimentos.
24:23Foi exatamente o que o copiloto Skyles fez usando o manual de referência rápido e usando o checklist apropriado.
24:28Entretanto, quando os investigadores examinam o checklist referente a como reiniciar os motores do avião, eles fazem uma descoberta perturbadora.
24:35Ele se referia a uma situação a 20 mil pés, na qual uma tripulação teria tempo de sobra para checar
24:41detalhadamente uma lista de três páginas,
24:43ao final da qual havia o item como pousar o avião na água.
24:50Era uma lista de três páginas e eu realmente só verifiquei uma página e meia do tempo que tivemos.
24:58A equipe passou muito tempo tentando reiniciar os motores quando poderia ter se concentrado em preparar o avião para pousar
25:05na água.
25:11No passado, listas excessivamente complicadas já foram responsáveis por acidentes aéreos fatais.
25:19Em 1998, houve um incêndio a bordo de um jato de passageiros da Swiss Air.
25:24O checklist à disposição da tripulação teria levado até meia hora.
25:33Meia hora de que eles não dispunham.
25:41Em trevento do voo 1549, o checklist estava longe de ser o maior desafio de Sulemberg e Skyles.
25:47Não sei se conseguiremos chegar a uma pista.
25:50Pousos na água são notoriamente difíceis, pois a não ser que sejam perfeitos, eles podem ser catastróficos.
25:57Em 1996, depois de um sequestro, o comandante da Ethiopian Airlines tentou pousar ao largo das Ilhas Fumores quando seu
26:05avião ficou sem combustível.
26:07A asa esquerda foi a primeira coisa a atingir a água, levando o avião a virar.
26:12A aeronave foi feita em pedaços.
26:14Das 175 pessoas a bordo, apenas 50 sobreviveram.
26:21Os investigadores logo descobrem que nenhuma das grandes companhias aéreas utiliza simuladores para ensinar os pilotos a pousar na água.
26:33O treinamento de pouso na água em um simulador é muito difícil.
26:37Nós não temos um modelo para simular com precisão o que um avião faria ao tocar a água.
26:41Dada a raridade desse tipo de acontecimento, seria muito difícil justificar o treinamento de pilotos para esse tipo de situação.
26:52Mas mesmo sem nunca ter passado por isso em uma simulação, o comandante Sullenberger fez praticamente tudo certo.
26:59Ele manteve o nariz para cima e as asas niveladas.
27:02Ele deixou a cauda tocar a água primeiro, diminuindo a velocidade o suficiente para que o avião sobrevivesse ao impacto.
27:10Belo voo.
27:14Investigadores da NTSB se voltam para sua própria simulação a fim de responder a uma questão vital.
27:20Fala o comandante.
27:21Precisaria ter pousado no rio?
27:23Preparar para o impacto.
27:24Ou ele poderia ter conseguido chegar a uma pista?
27:29Mayday, Mayday, Mayday, Cactus 1549, atingimos os pássaros.
27:33E investigadores examinam as ações de Jasley Sullenberger e Jeffrey Skyus nos momentos seguintes ao choque do avião com os
27:39pássaros.
27:41Partida.
27:42Queríamos saber se os pilotos tinham feito a coisa certa, então testamos exatamente isso no simulador.
27:47Teria havido potência suficiente para que eles voltassem ao aeroporto de La Guardia?
27:51E o que descobrimos foi que durante cerca de 50% do tempo eles teriam conseguido voltar ao aeroporto.
27:56Entretanto, devido ao atraso de 35 segundos após a colisão com os pássaros na tentativa da tripulação de reiniciar os
28:02motores dos aviões de todos os pilotos no simulador caíram antes de chegarem à pista.
28:06Quando levamos em consideração o processo de decisão do comandante Sullenberger, vimos que não teria sido possível voltar ao aeroporto.
28:15Cactus 1549, pista 4 disponível.
28:18Não há dúvida.
28:21Pousar o avião no Hudson foi a decisão correta.
28:24Sullenberger não dispunha de altitude suficiente para planar até o aeroporto de La Guardia ou de Teterboro.
28:31Temos um motor com os dois motores parando.
28:34Os investigadores também descobriram que Sullenberger tomou uma decisão que não estava no topo do checklist e foi fundamental para
28:42a sobrevivência de todos a bordo.
28:47Em jatos comerciais, os motores fornecem energia aos sistemas elétricos.
28:52Se o motor para de funcionar, a tripulação acaba perdendo aqueles sistemas.
28:57A APU é um gerador de emergência que mantém alguns dispositivos em funcionamento.
29:02A APU lhe permitiu continuar vendo as telas. Os instrumentos continuaram funcionando.
29:08Isso também permitiu que o próprio A320 tivesse um papel importante naquele pouso heróico.
29:14A APU forneceu energia para o cérebro eletrônico do avião, impedindo que os pilotos fizessem qualquer movimento potencialmente perigoso.
29:23Isso os manteve dentro do chamado envelope de voo.
29:28Ao iniciar a APU logo no início, a tripulação conseguiu manter as proteções do envelope de voo que impediram que
29:34o avião estolasse se a velocidade diminuísse.
29:37Ele está à beira da velocidade de stop.
29:39Os dados do voo mostram que Sullenberger estava indo a uma velocidade mais lenta do que a ideal.
29:45A velocidade durante a sequência do acidente estava a cerca de 20 nós a menos do que deveria estar para
29:50aquele voo.
29:51Entretanto, o computador de voo do A320 é projetado para ajustar constantemente o pitch do avião e impedir que ele
29:57entre em estol.
29:58Sem dúvida, as consequências poderiam ter sido catastróficas se o avião estivesse estolado.
30:04Iniciando a APU.
30:06O raciocínio rápido de Sullenberger fez com que o complexo sistema de computador do avião continuasse funcionando.
30:12Isso lhe permitiu uma rede de segurança para que ele tivesse a melhor chance de fazer algo quase impossível.
30:18Estaremos no Hudson.
30:19Foi uma combinação de boa tripulação e um bom avião.
30:23Vamos lá.
30:25Estender flotas.
30:28O comandante teve a presença de espírito, por exemplo, pouco antes de estarem prestes a pousar alguns pés do solo
30:34e se virar para o copiloto e perguntar.
30:37Alguma ideia?
30:39Na verdade, não.
30:41Ambos estavam entrosados até o final e é isso que gostamos de ver.
30:48Habilidade, treinamento e o próprio projeto da aeronave cooperaram para salvar a vida de 155 pessoas.
30:56Mas os investigadores ainda querem saber como foi que os pássaros conseguiram danificar dois motores a jato tão avançados e
31:03se é possível impedir que isso volte a acontecer.
31:07Oito dias depois do acidente, os investigadores finalmente conseguem examinar os motores detalhadamente.
31:14Richard Gober tem passado grande parte de sua carreira estudando colisões entre aves e aviões.
31:21Quando uma aeronave atinge um pássaro, geralmente não sobra muito da ave, principalmente se ela é sogada pelo motor.
31:32Os motores estão analisados peça por peça na tentativa de se descobrir exatamente o que aconteceu a 3 mil pés
31:40acima de Nova York.
31:43Vamos olhar do lado de dentro.
31:46Usamos uma luz negra nas superfícies do motor.
31:49Proteínas de muitos tecidos tornam-se fluorescente com a luz negra.
31:55Grande parte do tecido já não estava mais lá, mas muitas das proteínas permaneciam na superfície do motor.
32:02Veja só isso.
32:04No fundo do motor direito, os investigadores encontram um punhado de restos carbonizados.
32:13A maior parte dos restos era apenas de tecido muscular, fragmentos de ossos e penas minúsculas.
32:21Eu consegui encontrar cerca de 29 amostras em um motor e 14 no outro.
32:27Mas os motores não são a única parte do avião que foi danificada.
32:36A aeronave atingiu muitas aves.
32:39Encontramos evidências disso sobre as asas, nos flaps e na fuselagem do avião.
32:43Mas ainda assim o avião consegue voar quando isso acontece.
32:47A ameaça representada por colisões com pássaros é bem conhecida.
32:51As colisões com aves são um problema muito maior do que o público imagina.
32:55Nos últimos 20 anos, cerca de 210 aviões foram destruídos devido a colisões com aves.
33:05Este Boeing 757 sugou um corvo quando decolava de Manchester na Inglaterra, pousando em seguida com segurança.
33:12Só em 2008 houve quatro acidentes dramáticos.
33:16Um Boeing 747 teve um francelho sugado por um de seus motores.
33:22A tripulação abortou a decolagem e todos sobreviveram.
33:25O avião ficou destruído.
33:28Os dois motores deste jato sugaram pelicanos e um deles acabou dentro do cockpit.
33:33Os reparos custaram 2 milhões de dólares.
33:36O motor de um MD10 foi severamente danificado por uma frisada.
33:41O custo do reparo foi de 900 mil dólares.
33:46E 5 pessoas morreram quando este Cessna se chocou contra pelo menos um pelicano.
33:53Desde 1988, mais de 200 pessoas morreram em acidentes envolvendo colisão com aves.
33:58E o problema pode se agravar uma vez que há mais pássaros pelo ar hoje.
34:03Ao restringir o uso de agrotóxicos que eram perigosos para as aves como o DDT,
34:09houve um enorme aumento das populações de espécies de aves.
34:14Um aumento notável de gansos canadenses, aves da região não migratórias.
34:20E por todo o país, a população cresceu cerca de 1 milhão para cerca de 4 milhões.
34:30No aeroporto de La Guardia, um dos maiores problemas é uma colônia de gansos durante o ano todo na vizinha
34:36ilha Rikers.
34:41Entre os anos de 2002 a 2004,
34:46houve 8 colisões com gansos do Canadá no aeroporto de La Guardia,
34:52envolvendo aves no aeroporto ou próximo dali.
34:57Uma dessas colisões quase levou um avião a cair.
35:00Nos últimos anos funcionários, o aeroporto tem apanhado centenas de gansos da ilha Rikers e o sacrificado.
35:07Trata-se de algo polêmico, mas deve ser eficaz.
35:15De onde esses pássaros vieram?
35:18Se os gansos que atingiram o voo 1549 da US Airways são da região, eles podem ser controlados.
35:24Os investigadores precisam saber mais sobre eles.
35:28Os restos que encontramos eram tão pequenos que não conseguimos realmente dizer que tipo de ave era.
35:34a Smithsonian Institution, que consegue apanhar pequenos pedaços de carne ou penas e ainda assim identificá-los.
35:44A esperança é que a análise de DNA desses restos não apenas confirme qual a espécie de aves, mas também
35:50ofereça pistas sobre de onde vieram.
35:56Enquanto esperam por respostas, os investigadores tentam responder como foi que algumas aves levaram um avião de 68 toneladas a
36:04cair.
36:11Antes que possam ser usados em um jato de passageiros, os motores são submetidos a testes rigorosos para que se
36:18tenha certeza que podem funcionar em condições extremas.
36:21Os testes incluem a ingestão de carcaças de aves congeladas.
36:25Os motores turbofan da CFM do A320 passaram por estes testes e receberam sua certificação em 1996.
36:33Para o teste em que se utiliza um pássaro grande, necessário para o teste do motor CFM,
36:38usa-se um canhão que lança uma ave de quase 2 kg no motor, funcionando praticamente com sua potência máxima.
36:46Para serem aprovados, os motores não precisam continuar funcionando, mas apenas continuar inteiros,
36:53que foi o que ocorreu no avião de Stolenberger.
36:57Os motores não sofreram o que chamamos de falhas incontidas.
37:01Nenhum pedaço grande das pás do fan ou qualquer outra coisa voou para fora, ferindo as pessoas dentro do avião.
37:11As pás do fan são sempre a parte mais interessante a serem verificadas e muitas vezes contam uma história importante.
37:20Uma série de pás do fan em todo o motor comprime o ar que entra até que ele é incinerado
37:25com a injeção de combustível na câmara de combustão gerando potência.
37:29Aves sugadas pelo motor podem causar danos a este processo.
37:32Quando a pá de um motor falha, isso provoca muitos danos.
37:38Neste caso em particular, todas as pás do fan estavam presentes.
37:42Sofreram danos graves, mas nenhuma delas foi quebrada.
37:46Uma análise dos motores mostra que se por um lado as pás do fan sobreviveram ao impacto,
37:51a delicada mecânica do interior dos dois motores não resistiu.
38:03Verificando o interior do motor, vimos que ele sofrera danos significativos.
38:09Quando um pássaro é sugado para o interior, ele representa uma massa tão grande em relação às pás que isso
38:14provoca uma série de danos a elas.
38:16As aves sugadas pelo voo 1549...
38:20Mayday, Mayday, Mayday, Mayday, Cactus 1549...
38:23...danificaram os compressores do motor.
38:26Fragmentos de metal destes compressores danificados foram sugados pelo interior de ambos os motores, fazendo-os parar.
38:31Atingimos pássaros, perdemos a força nas duas turbinas.
38:39Ao receberem os resultados de DNA da Smithsonian Institution, os pesquisadores finalmente entendem por que o voo 1549 perdeu os
38:47dois motores.
38:48As aves que atingiram a aeronave de Sullenberger e Skiles eram gansos canadenses adultos, muito maiores do que qualquer coisa
38:56com que os motores haviam sido testados.
38:59Através daquela análise, soubemos que as aves pesam cerca de 4,5 kg cada uma.
39:06Os testes também confirmam que quatro grandes pássaros atingiram as turbinas do voo 1549.
39:12Uma carga grande demais para eles.
39:16Aves raramente são sugadas para o interior do motor.
39:19Raramente o motor suga uma ave e em seguida para de funcionar completamente.
39:24Esse é um acontecimento muito raro.
39:28O que torna esse acontecimento ainda mais raro é que os dois motores sugaram aves e ambos pararam de funcionar.
39:34Estaremos no Hudson.
39:37O teste de DNA também demonstra que os gansos envolvidos neste acidente não eram os gansos da região com os
39:44quais o Laguardia tentava lidar.
39:49Esses eram gansos que tinham estado no norte do Canadá durante o verão anterior.
39:54Eram gansos migratórios.
39:56A colisão entre os gansos em migração e o voo 1549 aconteceu a 7 km do aeroporto,
40:03o que significa que nenhum dos programas existentes para reduzir o número de aves teria evitado a colisão.
40:10Significa também que o que aconteceu com aquele voo poderia acontecer de novo,
40:13a menos que seja descoberto uma maneira de manter aves e aviões distantes nos dos outros.
40:27Todos os anos cerca de 2 milhões de aviões sobrevoam o espaço aéreo de Nova York.
40:31A maioria das pessoas não dá importância aos problemas que as aves podem causar às aeronaves.
40:38Elas não percebem como um ser tão pequeno e aparentemente insignificante em relação ao tamanho de uma aeronave
40:44pode causar esse tipo de problema catastrófico.
40:48A indústria da aviação precisa encontrar soluções para as colisões com aves.
40:54O uso de telas na frente dos motores é uma das respostas mais óbvias, mas implica em sérias desvantagens.
41:02Telas podem cair, elas podem se quebrar e então seriam sugadas para dentro do motor,
41:08provocando danos similares ou ainda mais catastróficos.
41:12Telas também podem provocar turbulência no fluxo de ar, privando os motores diários, levando a falhar.
41:19O inverno também é um problema sério quando se trata de telas para o motor.
41:26Uma tela é um local perfeito para o acúmulo de gelo, que irá se juntar ali muito rapidamente.
41:33Uma solução mais promissora já está sendo testada em várias cidades americanas, incluindo Nova York.
41:39No aeroporto John F. Kennedy, radares especiais vasculham os céus à procura de aves próximas de aviões.
41:46A maioria dos aeroportos está equipada com radares que emitem ondas de rádio que afastam objetos no céu.
41:54Normalmente apenas objetos grandes são vistos e a maior parte destas informações não é repassada para os controladores de tráfego
42:00aéreo.
42:02O fato é que seus campos de operação ficariam abarrotados de coisas.
42:06Os altos mastros dos navios, por exemplo, apareceriam em seu radar como alvos baixos.
42:11Isso na verdade interferiria com o controle do tráfego aéreo, o que não seria bom.
42:15Mas hoje, radares milimetricamente calibrados estão sendo testados no aeroporto JFK.
42:21E eles conseguem distinguir itens do tamanho de beija-flores.
42:25Se quaisquer aves forem detectadas nas rotas de voo, tripulações poderão ser alertadas.
42:31Adoraria ver a tecnologia de radar relativa às aves.
42:34A questão principal seria como incorporar isso sem aumentar a carga de trabalho de um controlador já estressado.
42:39Os testes continuam, mas o uso generalizado de um radar que detecte aves ainda está a anos de distância.
42:46Cactus 1549, pista 4 liberada para decolagem.
42:50Cactus 1549, pronto para decolagem.
42:53Até lá, as colisões entre aves e aviões irão continuar.
43:01O que o desfecho feliz do acidente com o voo 1549 mostrou é que hoje a melhor defesa contra essa
43:08ameaça é uma boa tripulação na cabine de comando.
43:12Havia uma tripulação muito experiente com uma formação muito boa.
43:17Meu comando.
43:19Seu comando.
43:20Verifique o que é, Hagar.
43:21Toda a formação que você teve, todos os anos que você pilotou, tudo isso está com você quando você precisa.
43:30Meu comando.
43:31Seu comando.
43:32Sun e eu trabalhamos muito bem juntos naquela situação.
43:36Eu sabia o que ele estava pensando e ele sabia o que eu estava pensando.
43:40Nós dois realizamos nossas funções individuais, mas estávamos cientes da situação como um todo.
43:46Precisa voltar ao Laguardia.
43:48Vire à esquerda, direção 220.
43:50220.
43:51Esse acontecimento, sem dúvida, coloca as coisas em perspectiva para você como controlador.
43:56Uma coisa que eu mais aprecio no trabalho em equipe é como, ao trabalhar em conjunto, você faz o que
44:00tem que ser feito.
44:02À direita, ao aeroporto de Teterboro.
44:04Quer tentar Teterboro?
44:05E saímos do Hudson.
44:07O pouso no rio Hudson envolveu treinamento e habilidade e também um pouco de sorte.
44:11O dia estava muito claro.
44:15As condições do rio eram perfeitas.
44:18Portanto, houve uma série de situações muito felizes que auxiliaram a tripulação na realização de um pouso bem-sucedido no
44:25rio.
44:29No conselho de segurança não é comum lidarmos com milagres, mas neste caso houve um conjunto de várias coisas, a
44:36hora certa e o lugar certo.
44:37E por isso, muitos de nós pensamos, bom, talvez tenhamos um milagre aqui.
44:42Bela visão do Hudson hoje.
44:46Bela visão, Marshmallow, São Paulo.